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15 brasileiros mais importantes para a cultura do país

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Introdução

Um país de proporções continentais e de muitos contrastes não poderia deixar de dar uma grande contribuição à cultura. E com o Brasil não poderia ser diferente, com o surgimento de grandes nomes na música, cinema, literatura, dramaturgia e artes plásticas. Algumas destas personalidades ganharam reconhecimento internacional e elevaram o nome do Brasil no exterior, além de mudar para sempre o comportamento da sociedade em que viveram. Conheça 15 dos nomes mais importantes em todos os segmentos culturais.

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Aleijadinho

Embora o grande salto cultural do Brasil tenha se iniciado no século XIX, o primeiro grande ícone cultural surgiu muito antes. Antônio Francisco Lisboa nasceu em Vila Rica (atual Ouro Preto), no ano de 1730. Ficou conhecido como Aleijadinho, por causa de uma rara doença degenerativa. Considerado o pai da arquitetura colonial brasileira, projetou e construiu igrejas, santuários e esculturas. Toda sua obra se concentrou em Minas Gerais, especialmente nas atuais cidades de Ouro Preto, Sabará, São João Del Rey e Congonhas do Campo. Seu estilo ganhou notoriedade internacional e é considerado um dos principais artistas barrocos do continente americano. Morreu na mesma cidade onde nasceu, no ano de 1814.

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Machado de Assis

Joaquim Maria Machado de Assis é responsável por levar a literatura brasileira à maioridade, com sua verve irônica e sua forma particular de narrar os hábitos e preconceitos da sociedade brasileira. Até então, os principais títulos vinham permeados de romantismo excessivo, tragédias ou elegias nacionalistas. Nascido no Rio de Janeiro em 1839, se destacou por sua capacidade intelectual, que o levou a vários cargos públicos. Mas ganhou fama mesmo como escritor, publicando romances, ensaios, crônicas e peças de teatro. São dele duas das maiores obras da literatura brasileira: “Dom Casmurro” e “Memórias Póstumas de Brás Cubas”. Foi membro fundador e primeiro presidente da Academia Brasileira de Letras. Morreu em 1908, no Rio de Janeiro.

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Tarsila do Amaral

O Modernismo, que dominou a cultura brasileira a partir da década de 1920, não seria o mesmo sem a artista plástica Tarsila do Amaral. Nascida em 1886, ela foi um dos pilares do movimento, ao lado dos escritores Mário e Oswald de Andrade. Pintora talentosa, precisou enfrentar o empedernido machismo da sociedade brasileira para mostrar seu valor. Sua primeira fase artística foi o “Pau Brasil”, onde se especializou em retratar as cores fortes e vivas da natureza. Sua grande obra é o quadro Abaporu, que inaugurou o movimento antropofágico, idealizado por Oswald de Andrade. Morreu em São Paulo, em 1973, como uma das maiores artistas brasileiras de todos os tempos.

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Pixinguinha

Um dos mais ricos e genuínos gêneros musicais do Brasil, o choro, deve muito a Alfredo da Rocha Viana Filho, o Pixinguinha. Instrumentista, compositor e arranjador de qualidade inquestionável, que acompanhou a efervescência musical do Rio de Janeiro nas primeiras décadas do século XX. Hábil na flauta e saxofone, participou de conjuntos fundamentais para a consolidação do choro. Nasceu em 23 de abril de 1897, no Rio de Janeiro, e faleceu na mesma cidade, em 17 de fevereiro de 1973. O reconhecimento pelo seu legado veio em 2000, quando foi criado o Dia Nacional do Choro, na data de seu nascimento. As duas canções-símbolo do Choro, “Carinhoso” e “Rosa”, são de sua autoria.

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Glauber Rocha

Ator, escritor, cineasta e, antes de tudo, agitador cultural e político. Glauber de Andrade Rocha foi um vulcão em atividade constante, se destacando tanto pelas obras contundentes quanto pelo comportamento arredio e polêmico. Nascido em Vitória da Conquista, no interior da Bahia, em 1939, foi um dos criadores do Cinema Novo, que pretendia estabelecer uma nova linguagem, totalmente desvinculada da produção norte-americana. Seus principais filmes foram “Deus e o Diabo na Terra do Sol”, “Terra em Transe” e “O Dragão da Maldade contra o Santo Guerreiro”, que causaram rebuliço com seu discurso político combativo, em pleno período da ditadura militar. Morreu no Rio de Janeiro, em 1981.

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Cartola

Um dos maiores compositores brasileiros de todos os tempos, Angenor de Oliveira, o Cartola, é o samba em pessoa. Foi um dos fundadores da escola de samba Estação Primeira de Mangueira. Sambista de categoria incomparável, se consagrou como compositor de músicas belas e ritmadas, aliadas a letras floreadas. Suas primeiras composições ganharam a voz de grandes intérpretes já na década de 1930. Após anos de ostracismo, voltou a gravar programas de rádio e compôs novos sambas. A partir de 1974 gravou seus primeiros discos solo, que revelaram a uma nova geração canções como “O Mundo é Um Moinho”, “As Rosas Não Falam”, e "Cordas de Aço". Morreu em 1980, no mesmo Rio de Janeiro onde havia nascido 72 anos antes.

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Candido Portinari

Nunca um pintor brasileiro obteve tanto reconhecimento internacional quanto Candido Torquato Portinari. Nascido em Brodowski, no interior de São Paulo, em 1903, o artista se notabilizou por quadros que retratam o cotidiano do povo brasileiro, como “O Lavrador de Café”, “Futebol" e "Mestiço”. As mensagens de forte cunho social também ganharam corpo, como no pungente quadro “Criança morta”. Seu trabalho mais conhecido está exposto em um local bem menos ortodoxo: o gigantesco mural “Guerra e Paz”, que enfeita a sede da ONU em Nova York. Portinari morreu no Rio de Janeiro, em 6 de fevereiro de 1962, vítima de intoxicação pelas mesmas tintas que o colocaram no panteão de um dos maiores artistas que o país já teve.

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Darcy Ribeiro

O antropólogo e escritor Darcy Ribeiro foi um dos maiores intelectuais que o Brasil já teve. Nascido em Montes Claros, no interior de Minas Gerais, em 1922, se notabilizou pelos estudos referentes à educação no país e em sua preocupação com a causa indígena. Entre suas obras mais importantes está “O Povo Brasileiro”, em que disseca a formação da sociedade, as influências vindas de Portugal e da África somadas à cultura dos índios. Foi o idealizador de um revolucionário sistema de educação, o Ciep (Centros Integrados de Ensino Público), implantado no início dos anos 80 e que até hoje serve de referência para os defensores do ensino em tempo integral. Morreu em Brasília, em 1997.

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Cazuza

Transformar o rock em poesia, o tédio em melodia. Essa foi a missão artística de Agenor de Miranda Araújo Neto, o Cazuza. Nascido no Rio de Janeiro em 1958, criou a banda Barão Vermelho, com o guitarrista Roberto Frejat , no início dos anos 1980. São deles canções como "Pro Dia Nascer Feliz", "Bete Balanço" e "Maior Abandonado". Em carreira solo, emplacou sucessos como “Exagerado" e "Codinome Beija-Flor". Portador do vírus HIV, causador da AIDS, assumiu sua condição de soropositivo, ao mesmo tempo que suas canções ganharam teor mais político, como em “Brasil”, “Ideologia” e “Burguesia”. Morreu em 1990, no Rio de Janeiro.

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Tom Jobim

Antônio Carlos Brasileiro de Almeida Jobim foi o responsável pela modernização da música brasileira. Nascido no Rio de Janeiro, em 1927, começou sua carreira tocando em bares e boates nos anos 1950. Em 1956, trabalhou com o poeta Vinícius de Moraes pela primeira vez, musicando a peça "Orfeu da Conceição". Em 1958, participou da pedra fundamental da Bossa Nova: o disco “Canção do Amor Demais”, de Elizeth Cardoso. A obra continha parceiras com Vinícius, aliada à diferente batida de violão de João Gilberto. Jobim emplacou dezenas de sucessos, como “Chega de Saudade”, “Garota de Ipanema”, “Desafinado” e “Águas de Março”. Morreu em Nova York, em 1994.

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Jorge Amado

Um dos autores brasileiros mais traduzidos e publicados em todo o mundo, vencedor de vários prêmios internacionais e cotado para receber o Nobel de Literatura: este foi Jorge Leal Amado de Faria. Nascido em Itabuna (BA), em 1912, retratou com um talento ímpar os tipos humanos que povoam a cidade de Salvador, o Recôncavo e a região cacaueira. Sua obra ganhou dezenas de adaptações para o cinema, teatro e televisão. A lista de clássicos é imensa: “Gabriela, Cravo e Canela”, “Capitães da Areia”, “Mar Morto”, “Dona Flor e Seus Dois Maridos” e “Tieta do Agreste”, entre vários outros títulos. Morreu em Salvador, em 2001.

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Gilberto Freyre

Nascido no Recife, em 1900, Gilberto de Mello Freyre foi um tradutor do Brasil profundo. Escritor, ensaísta, sociólogo, antropólogo e historiador, ele foi um intelectual completo, que dedicou a vida a interpretar o seu país e seu povo. Seu primeiro livro é sua obra mais marcante e a que o tornou conhecido no Brasil e no mundo: “Casa-Grande & Senzala”, de 1933, está entre os mais importantes livros já publicados no Brasil. Seu estudo foi fundamental para a derrubada de teses racistas que atribuíam o atraso do país à miscigenação e ao clima tropical. Sua verve de historiador também foi fundamental para que se debruçasse em assuntos como a forte influência inglesa no Brasil durante os séculos XIX e XX. Morreu no Recife, em 1987.

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Silvio Santos

A cultura popular também reivindica seu quinhão na história. E ninguém é tão emblemático neste segmento quanto o carioca Senor Abravanel, o Silvio Santos. Famoso pelo carisma e a capacidade de autopromoção, começou a trabalhar no rádio antes de completar 20 anos e chegou à televisão no final dos anos 60, primeiro como apresentador na Globo e, depois, na extinta TV Tupi. O grande salto veio na década de 80, quando criou o SBT (Sistema Brasileiro de Televisão). Voltada especialmente para as classes mais humildes, a rede trazia programas de auditório, desenhos animados e filmes populares. À frente de seu próprio programa, manteve milhares de brasileiros grudados à televisão aos domingos, se tornando um dos maiores ícones populares do país.

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Paulo Autran

Versátil, intenso, imponente. Faltam adjetivos para traduzir quem foi Paulo Autran e sua importância para a dramaturgia brasileira. Nascido em 1922, no Rio de Janeiro, foi consagrado como Patrono do Teatro Brasileiro. Sua primeira experiência profissional nos palcos foi na peça “Um Deus dormiu lá em Casa", de Guilherme Figueiredo, em 1949. O grande sucesso da atração o levou a mergulhar de cabeça no universo do teatro. Integrou a montagem de clássicos de Moliére, Sófocles e Shakespeare, como “Antígona”, “Otelo”, “Édipo Rei” e “O Avarento”. Teve participação importantíssima no cinema, a exemplo do filme “Terra em Transe”, de Glauber Rocha. Na TV, brilhou em seriados e novelas. Morreu em São Paulo, em 2007.

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Oscar Niemeyer

Gênio das curvas, pai da arquitetura moderna do século XX. Não faltaram adjetivos da imprensa de todo o mundo quando da morte de Oscar Ribeiro de Almeida Niemeyer Soares Filho, aos 104 anos, em dezembro de 2012. Ousado e revolucionário, ele quebrou a antiga escola de projetos quadrados e com linhas retas. Com seus desenhos repletos de curvas influenciou para sempre a arquitetura mundial. Sua mais impactante obra foi o grupo de edifícios de Brasília, incluindo o Congresso Nacional, a Catedral e os palácios da Alvorada e do Planalto.