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15 legados da colonização portuguesa no Brasil

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Introdução

O Brasil é um país muito miscigenado, sempre aberto a outras culturas, o que contribuiu para a construção de sua identidade tão única. Muitas influências se mesclaram – indígena e africana, certamente muito fortes e presentes – mas por mais que sejamos hoje um país livre e independente, fomos a maior colônia portuguesa por um longo tempo (1500 – 1822). Por isso, há muita herança de Portugal na cultura brasileira, algumas mais óbvias (como a nossa língua e as cidades históricas), outras mais surpreendentes. Descubra algumas das principais influências da presença portuguesa no Brasil.

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Nossa língua

Este com certeza é o legado mais óbvio deixado pelo povo português: nosso idioma. Chegou com os primeiros colonizadores e os padres jesuítas que levavam a catequese aos índios. Misturou-se com o tupi-guarani e outros dialetos indígenas e também com línguas africanas trazidas pelos escravos, o que resultou no português brasileiro. Parecido à língua original, mas com características, sons e expressões próprias, também varia muito dentro de nosso próprio território, por influencia das distintas colônias que se instalaram em cada região, pois a língua é algo dinâmico. Não é à toa que cada canto do país tem seu próprio sotaque e gírias.

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Imensidão territorial

O Brasil é o quinto maior país em território e isso em boa parte aconteceu graças à colonização portuguesa. Isso pode parecer óbvio, já que Portugal foi nosso colonizador, mas não é bem assim. A ocupação começou pelo litoral e demorou um tempo até começar a avançar para dentro do continente. Enquanto as colônias da América espanhola se dividiram em vários países, Portugal manteve e lutou pela integridade do território brasileiro. Não foram poucas as vezes que tiveram que se enfrentar com espanhóis, em disputa pelo sul, e franceses, desejando a ponta norte, no intuito de defender nossas terras.

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Carne tipo exportação

“Eles não lavram nem criam. Nem há aqui boi ou vaca, cabra, ovelha ou galinha, ou qualquer outro animal que esteja acostumado ao viver do homem”, escreveu Pero Vaz de Caminha, um dos primeiros portugueses a por os pés no Brasil, que teve a responsabilidade de contar à Coroa Portuguesa o que eles encontraram quando chegaram. Este trecho da carta aponta que aqui não se criavam animais para abate -- o que para os índios era impensável, já que viviam da caça e da pesca. Foram os colonizadores que introduziram todo tipo de criação animal no Brasil, que hoje é um dos maiores exportadores de carne do mundo.

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O país mais católico do mundo

O Brasil é o país com o maior número de católicos do mundo, segundo mostrou o Censo 2010. Dos 190.732.694 brasileiros medidos no último censo, 64,6% se declararam adeptos ao catolicismo. A religião chegou ao Brasil com os primeiros portugueses que trouxeram padres jesuítas para realizar a catequese e ensinar a língua portuguesa aos nativos. Foram eles que disseminaram o culto e construíram algumas das principais igrejas existentes até os dias de hoje, como a Igreja de São Cosme e São Damião, em Igarassu, Pernambuco, construída em 1535, tida como a mais antiga do Brasil.

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Lembranças de outros carnavais

Há várias versões para o surgimento do Carnaval no Brasil, mas todas de alguma maneira apontam para suas origens portuguesas. O entrudo português é tido como uma das principais influências para o aparecimento do Carnaval nacional ainda no século 17. Tratava-se de uma festa de rua na qual as pessoas jogavam ovos, água e farinha umas nas outras, podendo estar fantasiadas e carregando bonecos gigantes. No início era mais comum a festa de rua entre os escravos até o festejo conquistar as classes mais altas, no século 19, e passar aos salões de clubes e festas.

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Pelourinho, patrimônio da humanidade

Uma relíquia arquitetônica dos tempos em que Salvador era capital do país, o Pelourinho reúne algumas das mais importantes construções do período colonial que existem no país, como o casarão onde hoje funciona a Fundação Jorge Amado e a Catedral Basílica. O lugar faz parte da história do Brasil – foi palco de severas punições na época da escravidão – mas além dessa passagem triste, guarda muitas outras histórias. Hoje em dia é um dos principais pontos turísticos da cidade e sua importância é tamanha que foi tombado em 1985 como Patrimônio Cultural da Humanidade pela Unesco.

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Parati, história e tradição

A cidade carioca foi muito importante na história brasileira, tendo sido um dos principais redutos dos engenhos de açúcar na época do Brasil colônia - o que fez da cidade sinônimo de boa cachaça - e um dos portos mais importantes da época. É uma das poucas que ainda preservam a arquitetura colonial, com suas ruas estreitas de paralelepípedos e casarões antigos. Ainda conserva um ar de cidade do interior, mesmo estando cheia de restaurantes e bares e sendo uma das mais procuradas por turistas por sua beleza e história. Também é sede de importantes eventos, como a Festa Literária Internacional de Parati.

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Ouro Preto, tesouro mineiro

Um dos pontos mais importantes de Minas Gerais no auge da era do ouro no Brasil colonial, Ouro Preto – que neste momento se chamava Vila Rica – é um dos maiores legados portugueses que ainda resiste ao tempo. Sua preservação se deve muito ao fato de ter sido tombada pelo Instituto Nacional do Patrimônio Histórico Nacional (Iphan), em 1938, e pela Unesco, em 1980. É berço do movimento barroco brasileiro, sendo uma espécie de galeria a céu aberto. Um passeio pelas ruas da cidade e suas igrejas proporcionam uma viagem no tempo.

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A potência da cana de açúcar

A cana de açúcar é parte importante de nossa história, mas não existia no Brasil até a chegada dos portugueses. As primeiras foram trazidas em 1533, vindas da Ilha da Madeira, e logo foi iniciado o primeiro engenho de açúcar, em São Vicente. Hoje somos o maior produtor de cana de açúcar do mundo, responsável por metade da produção mundial. Da cana de açúcar se produz também o etanol, importante combustível para carros, e uma das bebidas mais brasileiras, a cachaça, um produto nacional muito querido dentro e fora do país.

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Café, o ouro negro do Brasil

O café chegou ao Brasil pelas mãos do sargento luso-brasileiro Francisco de Mello Palheta, no século 18. Palheta trouxe mudas da Guiana Francesa que deram início ao plantio, primeiro em Belém do Pará, e logo na região do Vale do Paraíba, entre o Rio de Janeiro e São Paulo, onde até hoje estão algumas das principais fazendas produtoras. O café já há muitos séculos era um produto valioso e se adaptou bem ao nosso clima, assim não demorou para o café brasileiro se tornar um dos mais populares do mundo. Hoje somos o maior produtor e exportador mundial, e o segundo maior mercado consumidor.

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Vai um suco de laranja?

Originária da Ásia, a laranja chegou ao Brasil logo no início da colonização portuguesa, por volta do ano 1530. Os colonizadores importaram a técnica e as plantas da Espanha e introduziram o cultivo na Capitania de São Vicente (região de São Paulo atualmente). A planta se adaptou bem ao nosso clima e o cultivo começou a se espalhar pelo país. Hoje a fruta é um dos principais produtos de exportação do Brasil – somos os maiores produtores mundiais, responsáveis por 80% de toda a produção no mundo – e é também um produto muito apreciado no mercado nacional, sendo uma das bebidas preferidas dos brasileiros.

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Cacau, doce colheita

O plantio de cacau começou no Brasil em 1679, quando a Coroa Portuguesa autorizou o cultivo em solo brasileiro por meio de uma carta régia. Originário da América Central, o fruto se adaptou bem ao clima tropical do sudeste do Brasil, sendo a Bahia o principal produtor nacional na época e até hoje. No início, o país só produzia o fruto para exportação para ser manufaturado na Europa. Apenas no início do século 20 começam a aparecer as primeiras fábricas de chocolate no país. Hoje somos a quinta potência em produção de cacau, provendo cerca de três milhões de toneladas do fruto por ano.

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A rota das especiarias

As especiarias (temperos como canela, gengibre, pimenta e noz moscada) originárias principalmente do oriente, eram produtos muito procurados e caros na época das grandes navegações. Inclusive, a chegada de Pedro Álvares Cabral ao Brasil se deu acidentalmente, quando o navegador português tentava chegar à Índia à procura de especiarias. No Brasil, algumas especiarias, como canela, cravo e pimenta, começaram a ser cultivadas ainda no século 17. Mas também não demorou para a Coroa descobrir as riquezas das especiarias brasileiras, como a baunilha, o louro e cravo-da-terra, e começar a tirar proveito comercial dos sabores brasileiros.

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Os melhores amigos do homem

O Brasil é um dos países com mais animais de estimação em todo o mundo e a existência de animais domésticos está totalmente ligada à colonização portuguesa. Os primeiros colonizadores já traziam cães que os acompanhavam na caça, ajudavam a controlar o gado, cuidavam das propriedades e também eram animais de companhia. Os gatos vieram um pouco depois, mas sempre foram bichos mais de companhia, também procurados para manter a casa livre de ratos. No Brasil, há uma raça de cachorro, o Fila Brasileiro, e uma de gato, o Gato de Pêlo Curto Brasileiro, que são consideradas nacionais, resultado de cruzamentos de espécies “importadas” ao longo dos séculos.

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Bacalhau, o fiel amigo

O bacalhau na verdade não é um peixe específico e sim uma maneira de conservar alguns tipos de peixe comuns na Noruega e na Islândia, principalmente. A técnica segue o mesmo princípio da carne seca – corte de carne bovina – que é curtida em sal para não estragar. Os portugueses trouxeram a religião católica ao Brasil e com ela o costume de comer peixe na Páscoa e no Natal, mais especificamente o bacalhau (apelidado de “fiel amigo” pelo povo português). Hoje é um prato bastante comum, que já não se limita às festividades religiosas, estando disponível durante todo o ano.