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As 15 maiores favelas do Brasil

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Introdução

O crescimento desordenado das grandes cidades, aliado à fortíssima concentração de renda, fez com que as metrópoles brasileiras fossem invadidas pelas favelas, bairros sem as condições mínimas de infraestrutura, abandonadas pelo poder público e ocupadas por uma população carente. Hoje, esse tipo de aglomeração urbana existe também nas cidades de médio porte. Com casas de madeira, zinco ou mesmo de alvenaria, encarapitadas no alto de morros ou à beira de rios e córregos, as favelas se tornaram parte da paisagem. O país tem mais de 11 milhões de pessoas vivendo nestas comunidades. Conheça as 15 maiores do Brasil, segundo levantamento do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgado em 2010.

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#15 Jacarezinho (Rio de Janeiro-RJ)

No final do século XIX e início do século XX, uma chácara localizada na zona norte do Rio de Janeiro começou a ser ocupada por casebres. Um pequeno bairro, formado por ex-escravos sem condições de viver na região urbana da cidade, começava a se formar. Até então, havia ali apenas o rio Jacaré e a antiga fábrica Cruzeiro (depois substituída pela General Eletric). No entanto, a partir da década de 1920, novas fábricas chegaram ao local, atraindo mais pessoas para a região. Na década de 50, o pequeno povoado já era um bairro suburbano populoso e conhecido como Jacarezinho. Hoje, é uma das maiores favelas da cidade, com 29.678 habitantes.

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#14 Paar (Ananindeua-PA)

Ananindeua é uma cidade na região metropolitana de Belém (PA), com mais de 400 mil habitantes. Após décadas de estagnação, sendo conhecida apenas como cidade-dormitório, passou por um período de grande crescimento, motivado especialmente pela saturação da capital, distante apenas 19 quilômetros. A partir dos anos 70, a população que não conseguia mais se estabelecer em Belém procurou moradia no então pequeno município. Vários conjuntos residenciais começaram a ser construídos. Entre eles, o complexo Paar (Pará, Amapá, Amazonas e Roraima). Antes de sua conclusão, no entanto, os apartamentos foram invadidos, sem a infraestrutura necessária. Hoje, o Paar abriga 29.709 pessoas.

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#13 Terra Firme (Belém-PA)

Das 50 maiores favelas do país, nada menos que 12 estão em Belém, cidade com grande população carente. Quatro destas aglomerações estão entre as 15 maiores do Brasil. Um exemplo é o Montese, mais conhecido como Terra Firme. A comunidade recebeu este apelido por estar localizada em terras mais altas, em contraste com outras favelas da cidade. O enorme crescimento populacional, aliado à falta de ações sociais, transformou a região em uma das mais violentas da capital paraense, que sofre há anos com o crescimento elevado no número de roubos, furtos e homicídios. A população é de 35.111 habitantes.

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#12 Baixadas do Condor (Belém-PA)

Outra das grandes aglomerações subnormais, como o IBGE classifica as favelas, as Baixadas do Condor abrigam 38.873 pessoas, que começaram a ocupar a região a partir dos anos 70. Localizado em área baixa, à beira dos canais fluviais, a favela possui grande carência de infraestrutura e registra seguidos recordes de ocorrências criminais. Aos poucos, as autoridades começaram a instalar equipamentos públicos, como postos de saúde, mas os investimentos são insuficientes para atender à grande demanda e corrigir décadas de esquecimento. A população carente das Baixadas do Condor segue enfrentando graves problemas, assim como outras favelas das cidades de Belém e Ananindeua.

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#11 Assentamento Sideral (Belém-PA)

Com o grande crescimento de Belém, a partir dos anos 60, a cidade começou a se estender para regiões mais distantes. As margens da rodovia Augusto Montenegro passaram a ser alvo da especulação imobiliária e ali foi criado o bairro Sideral. Com o passar do tempo, as áreas próximas deram lugar a contínuas invasões de terra. Esta região passou a ser conhecida como Assentamento Sideral e é o contraponto ao bairro original, onde há melhor infraestrutura. No assentamento falta rede de esgoto, o abastecimento de água é precário e a coleta de lixo é quase inexistente. Em dias de chuva, as inundações são uma certeza para os 39.706 moradores.

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#10 Heliópolis (São Paulo-SP)

Maior cidade do Brasil e segunda maior da América Latina, São Paulo tem números superlativos em quaisquer segmentos. Infelizmente, no quesito favelas isso não é diferente. Nada menos que 1,28 milhão de pessoas moram em bairros sem condições dignas de moradia. Uma das maiores aglomerações é a de Heliópolis, na região sudeste da cidade. Na década de 70, a prefeitura resolveu retirar parte dos moradores da favela de Vila Prudente e instalou-os provisoriamente em barracos de madeira. O tempo passou e esta população acabou criando raízes no lugar, dando origem à uma nova favela. Uma intensa grilagem de terras fez com que a população de Heliópolis crescesse assustadoramente e hoje 41.118 pessoas moram ali.

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#9 Cidade de Deus (Manaus-AM)

As grandes capitais da região Norte sofrem com a crescente favelização de seus bairros. Assim como Belém-PA, Manaus-AM enfrenta um quadro preocupante. Ao todo, a cidade possui 50 favelas, que abrigam quase 16% dos domicílios. A maior delas é Cidade de Deus, localizada na região norte. A comunidade surgiu em 1990, quando um grupo de migrantes sem-terra invadiu a região. As autoridades ignoraram as ocupações, que foram se multiplicando desordenadamente. Sem ações sociais e urbanísticas, Cidade de Deus tem hoje 42.476 habitantes, que vivem em precárias condições. Sem saneamento básico ou escolas de ensino médio. Outros problemas são o aumento da violência e a deficiência de transporte público.

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#8 Paraisópolis (São Paulo-SP)

Maior favela de São Paulo, Paraisópolis está localizada na região sudoeste da capital e abriga 42.826 pessoas. O bairro surgiu de um loteamento de alto padrão, em 1921, resultado da divisão da antiga Fazenda do Morumbi. No entanto, a partir da década de 1950 iniciou-se a invasão dos terrenos por famílias de baixa renda. A maior parte dos ocupantes eram migrantes nordestinos, que começavam a chegar à capital paulista em grandes levas. Sem ações públicas para atender à população, a favela já abrigava 20 mil habitantes em 1970. Apenas no início do século XXI as autoridades começaram a implementar melhorias na favela. No entanto, as condições de vida continuam abaixo do ideal.

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#7 Pirambu (Fortaleza-CE)

A maior favela do Ceará está localizada no litoral oeste de Fortaleza e possui 42.878 habitantes. A aglomeração começou a se formar no final do século XIX, quando grupos de retirantes chegaram do sertão fugidos da seca. Os pequenos povoados começaram a se interligar e a favela chamou a atenção das autoridades. Nas décadas de 1930 e 1940, houve tentativas de remoção dos moradores, que se organizaram e conseguiram manter suas casas. O tempo passou e os moradores ficaram, mas suas condições de moradia não melhoraram. Sem saneamento básico e coleta de lixo adequados, o bairro se tornou um grande problema sanitário para a capital.

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#6 Casa Amarela (Recife-PE)

Outra grande favela localizada em uma capital nordestina, Casa Amarela conta com 53.030 habitantes. Antiquíssima, a povoação apareceu ao redor do Arraial Velho do Bom Jesus, criado para proteger a capitania dos invasores holandeses, ainda no século XVII. Com a expulsão dos inimigos, o bairro foi se desenvolvendo. No final do século XIX, ganhou o nome de Casa Amarela, em alusão à sede de um sítio que havia na região. Os anos se passaram e o sítio deu lugar a novas construções. Não demorou para surgirem as primeiras ocupações irregulares. Hoje, extremamente populosa, a comunidade enfrenta uma onda de violência e carência de saneamento básico adequado.

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#5 Baixadas da Estrada Nova (Belém-PA)

Em uma cidade que concentra a maior parte das grandes favelas do Brasil, chama a atenção as dimensões da Baixada da Estrada Nova. Ao todo, moram na região 53.129 pessoas, que foram ocupando os espaços gradativa e irregularmente. Becos e passagens estreitas dão acesso a precárias casas de palafitas, construídas sobre um canal fluvial. Em algumas casas, a água encanada e a eletricidade já chegaram, mas não há sistema de esgoto e o ambiente é propício para a proliferação de doenças. O aumento da criminalidade também é uma preocupação constante dos moradores. Embora o bairro tenha sido criado no início do século passado, o crescimento assustador ocorreu a partir dos anos 1970.

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#4 Coroadinho (São Luís-MA)

Curiosamente, a maior favela do Nordeste não está nas suas maiores metrópoles, como Recife ou Salvador. Coroadinho, com seus 53.945 moradores, está em São Luís-MA, que só recentemente superou a barreira de um milhão de habitantes. Assolada pela violência, a favela é dominada por milícias armadas e cartéis de traficantes. A polícia tem dificuldade para entrar nas vias estreitas e acidentadas. Sem supermercados, o abastecimento alimentar é feito por meio de uma feira livre sem as devidas condições de higiene. Criada em meados do século XX, Coroadinho nunca recebeu a devida atenção das autoridades, relegando sua população ao esquecimento.

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#3 Rio das Pedras (Rio de Janeiro-RJ)

A segunda maior favela do Rio de Janeiro ocupa a terceira posição entre as maiores do país. Com 54.793 habitantes, está localizada na zona oeste da cidade e é uma das comunidades com a maior presença de migrantes nordestinos. A favela começou a se formar na década de 1970. Já na década de 1980, começou a ser invadida por traficantes de drogas. Para afastar os criminosos, os moradores começaram a contratar policiais, dando origem às milícias que hoje se espalham em vários morros da capital fluminense. Apesar da recente urbanização, Rio das Pedras ainda sofre com a escalada de violência e a debilidade dos serviços públicos.

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#2 Sol Nascente (Ceilândia-DF)

Quando o governo de Juscelino Kubitschek iniciou a construção de Brasília, no final dos anos 1950, um fator importantíssimo foi deixado de lado: o que fazer com os milhares de candangos -- migrantes nordestinos que foram ao Planalto Central em busca de emprego? Essa falha transformou o Distrito Federal em um aglomerado de favelas e bairros sem as condições mínimas de moradia, no entorno do moderno Plano Piloto. A maior destas comunidades é a de Sol Nascente, que abriga 56.483 pessoas e está localizada na cidade-satélite de Ceilândia. Formada ainda nos anos 60, ela cresceu de forma incontrolável nas décadas seguintes, se tornado hoje um bolsão de pobreza com enorme carência de infraestrutura.

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#1 Rocinha (Rio de Janeiro-RJ)

A maior favela do Brasil está localizada no Rio de Janeiro, cidade conhecida pelo grande número de comunidades carentes encarapitadas nos inúmeros morros. Ao todo, 69.161 habitantes vivem ali. As primeiras habitações surgiram após a divisão de lotes da antiga Fazenda Quebra-cangalha, produtora de café. Ali se criou um centro fornecedor de hortaliças para as feiras da zona sul da cidade. Por isso, o local ficou conhecido como Rocinha. A partir dos anos 40 ocorreram as primeiras grandes ocupações ilegais, que ganharam força na década seguinte com a chegada dos migrantes nordestinos. A partir dos anos 80, o local foi controlado pelos traficantes de drogas e somente no início do século XXI, com as políticas de pacificação, o problema foi minimizado.