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20 sambas mais importantes de todos os tempos

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Introdução

Surgido no Brasil e de raízes africanas, o samba é tido como uma expressão musical urbana carioca, onde apareceu entre o final do século 19 e começo do século 20. Isso ocorreu devido aos escravos que, ao serem liberados, incorporaram à sua música outros ritmos, como o xote, a polca e o maxixe, entre outros. Dessa maneira, o samba se transformou na década de 1930 em uma manifestação cultural que se incorporou ao DNA brasileiro e perdura até os dias de hoje. O ritmo representa, e muito, o nosso espírito: "Quem não gosta de samba bom sujeito não é, ou é ruim da cabeça ou doente do pé", já dizia o compositor Dorival Caymmi em sua famosa música "Samba da minha terra".

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Não deixe o samba morrer

Edson Gomes da Conceição é o letrista da música que é considerada o hino dos sambas. Com o refrão "Não deixe o samba morrer, não deixe o samba acabar, o morro foi feito de samba, samba pra gente sambar", a música conquistou seu lugar entre os sambas inesquecíveis com sua maravilhosa melodia. Também foi com esta canção que, a partir de 1973, Clara Nunes chamou a atenção das gravadoras para as vozes femininas no samba. A cantora Alcione e, mais recentemente, Maria Rita, também gravaram suas próprias versões do clássico "Não deixe o samba morrer".

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Quem te viu, quem te vê

Esse samba foi escrito por Chico Buarque de Hollanda e lançado no ano de 1967, em seu disco "Volume 2", sendo apresentado ao público no dia 16 de fevereiro, durante o festival "Para Ver a Banda Passar". A música fala sobre a sina de uma passista que não está presa às suas origens: "Hoje o samba saiu procurando você / quem te viu, quem te vê / quem não a conhece não pode mais ver pra crer / quem jamais a esquece não pode reconhecer." Logo que foi lançado, alcançou o topo das paradas de sucesso.

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Desde que o samba é samba

Escrita por Caetano Veloso, o samba retrata a tristeza de alguém que se sente sozinho e manda esse sentimento embora cantando: "O samba ainda vai nascer, o samba ainda não chegou, o samba não vai morrer, veja o dia ainda não raiou, o samba é o pai do prazer, o samba é o filho da dor, o grande poder transformador."

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O mundo é um moinho

Composta por Cartola, em 1976, este maravilhoso samba retrata uma situação vivida por sua enteada, Creusa, filha de Dona Zica, sua esposa. Creusa teria optado pela "vida fácil" ao se tornar uma meretriz. Há quem diga que sua enteada havia saído de casa para morar com o namorado, um homem mais velho, o que para a época era considerado prostituição. "Ouça-me bem amor, preste atenção, o mundo é um moinho, vai triturar teus sonhos tão mesquinhos, vai reduzir as ilusões a pó." É possível encontrar essa música nas vozes de Beth Carvalho, Ney Matogrosso e Cazuza, entre outros.

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Samba de uma nota só

Antônio Carlos "Brasileiro" Jobim, o Tom Jobim, e Newton Mendonça são os compositores do quinto samba da lista. Essa música foi a base sólida para a carreira internacional do "maestro da bossa nova". A música faz referência a uma longa série de notas repetidas. Os primeiros oito compassos estão em ré maior, seguidos de quatro compassos em sol maior, voltando para ré maior, em quatro compassos, já com a melodia variada. A música em inglês "One Note Samba" foi escrita somente por Tom Jobim. Em 1963, alcançou o primeiro lugar na BillBoard.

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Foi um rio que passou em minha vida

Paulinho da Viola, cantor e compositor, teve sua canção eleita entre as catorze melhores músicas do século passado. Em uma explosão de alegria, existe uma homenagem, a melhor delas, feita para uma escola de samba, a Portela: "Ah! Minha Portela! Quando vi você passar, senti meu coração apressado, todo o meu corpo tomado, minha alegria voltar. Não posso definir aquele azul, não era do céu, nem era do mar, foi um rio que passou em minha vida e meu coração se deixou levar."

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Com que roupa

Primeiro sucesso da carreira de Noel Rosa, foi gravada em 1930 quando ele ainda tinha 20 anos de idade. Reza a lenda que em uma determinada noite, Noel decidiu ficar em casa para agradar a sua mãe, ao invés de sair com os amigos, coisa rara para ele. Quando deu nove da noite, seus amigos apareceram e ele resolveu sair, mas como não tinha roupa, pois sua mãe escondeu antecipadamente suas peças, ele se perguntou: "Com que roupa eu vou?". Por fim, seus amigos foram embora e Rosa ficou em casa, para alegria da mãe.

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A flor e o espinho

"Tire o seu sorriso do caminho Que eu quero passar com a minha dor Hoje pra você eu sou espinho Espinho não machuca flor Eu só errei quando juntei minh'alma à sua O sol não pode viver perto da lua É no espelho que eu vejo a minha mágoa A minha dor e os meus olhos rasos d'água Eu na tua vida já fui uma flor Hoje sou espinho em teu amor" Excelente letra escrita por Nelson Cavaquinho, com um dos versos mais marcantes e emocionantes do samba brasileiro.

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Samba da minha terra

"Quem não gosta de samba, bom sujeito não é. É ruim da cabeça ou doente do pé", já dizia Dorival Caymmi ao compor este samba. Baiano de Salvador, Caymmi trabalhou como redator, vendedor de bebidas e aos 20 anos começou a trabalhar como cantor e compositor. Seu primeiro sucesso foi cantado por Carmen Miranda: "O que é que a baiana tem?".

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Deixa a vida me levar

Sergio Meriti é o compositor desta música. Nasceu na capital fluminense, mas foi criado em São João do Meriti, daí o seu apelido. Teve composições gravadas por Zeca Pagodinho, Alcione, Arlindo Cruz, Martinho da Vila, Cidade Negra e Exaltasamba, entre outros. Letra que traduz a alegria, a fé e o verdadeiro espírito do brasileiro. "Deixa a vida me levar (Vida leva eu!). Sou feliz e agradeço por tudo que Deus me deu. Só posso levantar as mãos pro céu, agradecer e ser fiel ao destino que Deus me deu, se não tenho tudo que preciso, com o que tenho, vivo. De mansinho lá vou eu... Se a coisa não sai do jeito que eu quero, também não me desespero, o negócio é deixar rolar..."

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Saudosa maloca

Pode parecer que Adoniran Barbosa, ao compor este samba-canção, estaria realmente falando de favelas, malocas e de todo tipo de casa sem qualquer estrutura. Mas, na verdade, a música fala sobre o bairro do Bexiga e a região central da cidade de São Paulo que tiveram seus casarões e prédios antigos demolidos durante o processo de modernização, sem qualquer preocupação em preservar aquele ambiente, sua identidade e sua história, como é feito em alguns países da Europa. “Ali onde agora está esse adifício arto era uma casa veia, um palacete assobradado."

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Sonho meu

Samba melódico que começou a ser escrito por Dona Ivone quando ela arrumava sua casa: "Sonho meu, sonho meu, vai buscar quem mora longe, sonho meu...". Depois disso a compositora teve um bloqueio criativo, durante uns quinze dias, e pediu ajuda para Délcio Carvalho. Porém, quando Ivone pediu ajuda a inspiração voltou e os dois terminaram juntos essa linda música do samba brasileiro. "...vai mostrar essa saudade, sonho meu, com a sua liberdade, sonho meu...". A música foi gravada nas vozes de Maria Bethânia e Gal Costa.

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O que é, o que é

"Eu fico com a pureza das respostas das crianças, é a vida, é bonita e é bonita". Com este refrão forte, Gonzaguinha compôs esse maravilhoso samba que exalta a felicidade de viver e estar vivo, algo que todos queremos: "Ninguém quer a morte, só saúde e sorte...". Gravada em 1982, alcançou o patamar de música patriótica no Brasil. "Viver e não ter a vergonha de ser feliz. Cantar e cantar a beleza de ser um eterno aprendiz."

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Ronda

Paulo Vanzolini, um cientista respeitado internacionalmente e especialista no estudo dos répteis, é o compositor desta bela canção. Em suas palavras, a música nunca foi importante em sua vida: "Não entendo nada de música. Eu sou zoólogo, ninguém quer entender isso". É dele um dos maiores clássicos da música nacional brasileira. "Ah! Se eu tivesse quem bem me quisesse, esse alguém me diria: desiste, essa busca é inútil! Eu não desistia!"

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A voz do morro

"Eu sou o samba, a voz do morro sou eu mesmo, sim senhor. Quero mostrar ao mundo que tenho valor, eu sou o rei do terreiro". Gravada em 1955, por José Flores de Jesus, o Zé Keti, depois de se transferir da Portela para a União do Vaz Lobo - pois duvidavam da autoria de suas músicas - esta canção fez parte do filme "Rio, 40 graus". Alguns anos mais tarde, devido ao sucesso do hit, Zé Keti se juntou com Nelson Cavaquinho, Cartola, Jair do Cavaquinho e Jair Medeiros para formar um grupo com o mesmo nome da música.

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Aquarela do Brasil

Uma das canções mais populares do nosso Brasil, composta por Ary Barroso em uma noite de tempestade, a música demorou a ser o que é hoje. Este tema musical também marcou o ínicio do samba-exaltação, caracterizado pelo ufanismo da cultura de um país e não somente algo regional. "Brasil, meu Brasil brasileiro, meu mulato inzoneiro, vou cantar-te nos meus versos." Hoje a música é, e já foi, interpretada por vários artistas em todo o globo.

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Liberdade, Liberdade

Escrito a oito mãos, em 1989, este samba-enredo foi feito para a escola carioca Imperatriz Leopoldinense e trata da Proclamação da República e dos heróis da pátria: "Vem ver, vem reviver comigo, amor. O centenário em poesia." Como sempre é feito no Carnaval, o samba-enredo da escola de samba é escolhido entre vários outros. O curioso é que "Liberdade, Liberdade" foi para a Sapucaí sem sofrer nenhuma alteração na letra, mesmo não tendo sido um dos sambas cotados para representar a Imperatriz naquele ano.

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O bêbado e o equilibrista

Gravada em meio à ditadura por João Bosco e Aldir Blanc, este samba ganhou a forma como é conhecido hoje na voz de Elis Regina. Sensibilizado pela morte de Charles Chaplin, Bosco fez a música e convidou Aldir para colocar a letra. A música também foi feita para homenagear Henfil, que tanto falava de seu irmão Betinho, e foi hino da campanha pela anistia. "Meu Brasil! Que sonha com a volta do irmão do Henfil, com tanta gente que partiu num rabo de foguete. Chora! A nossa Pátria, mãe gentil. Choram Marias e Clarisses, no solo do Brasil.".

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Samba da Benção

Escrito pelo grande poeta Vinicius de Moraes e Baden Powell, essa música também fala da alegria de viver e o compara com a mulher somente linda, aquela mulher que não tem conteúdo, ou seja, o samba por mais alegre que seja precisa ter uma pitada de tristeza, melancolia. "Mas pra fazer um samba com beleza é preciso um bocado de tristeza, é preciso um bocado de tristeza, senão, não se faz um samba não."

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Samba da Volta

Criado por Toquinho e Vinicius de Moraes, nosso último samba desta singela lista, fala sobre a volta de um amor que partiu devido às peripécias aprontadas pelo eu lírico da canção. "É verdade, eu reconheço, eu tantas fiz, mas agora tanto faz, o perdão pediu seu preço, meu amor, eu te amo e Deus é mais".