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As batalhas esquecidas da Primeira Guerra Mundial

Os campos de batalha ocidentais não foram o único palco da guerra
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Introdução

Quando a maioria das pessoas pensa na Primeira Guerra Mundial, pensa nas trincheiras enlameadas que marcaram a paisagem da França e da Bélgica. Para muitos europeus, as batalhas decisivas da guerra são Somme, Ypres ou outros embates no front ocidental. Outros podem pensar que foi o mortal jogo de gato e rato entre o transporte aliado e os U-boat alemães no Atlântico Norte ou a imagem idealizada de T.E. Lawrence e a campanha árabe. Mas, fiel ao nome, a guerra foi genuinamente um embate mundial, e batalhas menos conhecidas eclodiram por todo o mundo.

10 mil soldados morreram soterrados em Isonzo em um dia
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Isonzo

Ao longo de 1915, 1916 e 1917, a Itália se arrastou, primeiro com os austro-húngaros, e depois com eles e com a Alemanha, pelo acidentado terreno ao longo do rio Isonzo, no nordeste italiano. A luta foi tão severa e os ganhos tão mínimos para todos os lados que a história registra não uma, nem duas, mas onze Batalhas de Isonzo. As tropas tinham que combater não apenas os inimigos, mas também os elementos: avalanches tiraram as vidas de 10 mil soldados em um dia particularmente difícil em dezembro de 1916.

Tanga
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Tanga

As campanhas africanas da Primeira Guerra Mundial envolveram apenas um pequeno número de tropas europeias, mas um número enorme de soldados e civis africanos participaram. A Batalha de Tanga teve 8 mil membros das tropas das Índias Britânicas, contra apenas mil defensores alemães, liderados pelo brilhante e imprevisível Coronel Paul von Lettow-Vorbeck. Apesar da vantagem numérica dos britânicos, von Lettow-Vorbeck freiou o ataque e expulsou os ingleses da cidade de Tanga, forçando-os a bater em retirada. A batalha ficou conhecida como uma das piores derrotas britânicas em sua história militar.

Lago Tanganyika
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Lago Tanganyika

A batalha do Lago Tanganyika foi uma das mais estranhas da guerra. Confrontados com a superioridade naval alemã no Lago Tanganyika, os britânicos vieram ao auxílio das forças belgas com o envio de uma pequena frota, sob a liderança do Tenente-Comandante Geoffrey Spicer-Simson. Sua expedição levou dois barcos a motor, chamados Mimi e Toutou, por 10 milhas através do mar, ferrovia, rio e terra até o lago, onde atacaram as embarcações alemãs que ameaçavam territórios belgas e britânicos. Com a ajuda de aeronaves belgas, todas as embarcações alemãs no lago foram destruídas numa série de ataques.

Tannenberg
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Tannenberg

Em agosto de 1914, dois exércitos russos invadiram a província alemã da Prússia do Leste (hoje Polônia). Apesar de ter menos da metade dos homens, o Oitavo Exército Alemão foi capaz de se concentrar e destruir as formações inimigas uma a uma, resultando numa retumbante vitória alemã. Mais de 170 mil soldados russos foram mortos ou capturados. O nome alemão para a batalha - Tannenberg - homenageia outra batalha, ocorrida 500 anos antes, em que os cavaleiros teutônicos foram destruídos por um exército polonês e lituano. A batalha em si não aconteceu em Tannenberg.

Kolubara
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Kolubara

O império austro-húngaro invadiu sua pequena vizinha Sérvia no outono de 1914. Sucessos dos austro-húngaros no início da campanha forçaram os sérvios a abandonar a capital, Belgrado. Quando os imperiais se preparavam para o golpe final, no entanto, o Primeiro Exército Sérvio lançou um ataque-surpresa ao longo do rio Kolubara. A luta durou um mês, mas ao fim da batalha a força austro-húngara não teve escolha a não ser se render, registrando mais de 200 mil vítimas. Para a Sérvia, no entanto, as perdas também foram imensas - mais de 100 mil militares sérvios foram mortos, feridos ou capturados, desfalcando o exécito sérvio pelos meses seguintes.

Cerco de Van
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Cerco de Van

O cerco à cidade murada de Van, no Império Otomano, envolveu não apenas o Império Otomano e a Rússia, mas rebeldes armênios que tentavam resistir às medidas anti-armênias do governo turco. As forças rebeldes, cercadas e em menor número, se mantiveram em sua cidade murada por quase um mês, até que as forças russas chegaram para ajudá-los. Um dos personagens mais fascinantes do cerco foi Rafael de Nogales Mendez, um mercenário venezuelano que lutou pelo exército otomano durante o cerco, mas pediu para ser dispensado de seu posto por se opor às atrocidades contra os armênios.

Cerco de Tsingtao
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Cerco de Tsingtao

Alemanha e Aliados lutaram não apenas no Atlântico, mas também no Pacífico, tanto no mar quanto em terra. Uma das batalhas mais memoráveis foi o Cerco de Tsingtao, em 1914. Forças britânicas e japonesas montaram um ataque avassalador contra os defensores alemães de austro-húngaros deste forte alemão na China. Esta vitória foi vista como mais um sinal, depois da guerra russo-japonesa no mesmo século, do crescente poder japonês no Pacífico.

Ambos Nogales
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Ambos Nogales

Os EUA entraram na guerra em 1917, ao lado da Grã-Bretanha e da França, mas poucas pessoas sabem que isso também envolveu conflitos com forças alemãs na América do Norte. Uma tentativa de prender um suspeito de contrabando na fronteira com o México em agosto de 1918 resultou na batalha de Ambos Nogales, uma escaramuça fronteiriça entre forças estadunidenses e mexicanas. Conselheiros militares alemães apoiaram as forças mexicanas; dois alemães foram mortos na luta. Uma vitória americana forçou os alemães a retirarem suas tropas da área. Outro pequeno conflito aconteceu quando um U-boat alemão afundou três embarcações no porto de Orleans, EUA, em julho de 1918, antes de se retirar do espaço aéreo do país.