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Um beijo do gordo: vida e carreira de Jô Soares

Créditos: TV Globo/Zé Paulo Cardeal

Introdução

Um dos maiores nomes do humor brasileiro em todos os tempos, Jô Soares se destacou por sua versatilidade. Ator, redator, diretor, produtor e apresentador com passagens pelo teatro, televisão e cinema, ele coleciona trabalhos como artista plástico, músico e escritor, tendo vários discos e livros lançados, além de participar de várias exposições. Seus mais de 50 anos de carreira estão recheados de peças, filmes e programas televisivos premiados, elogiados pelo público e crítica. Poliglota, domina os idiomas inglês, alemão, francês, italiano e espanhol. Saiba mais sobre esse artista multimídia.

TV Globo/Programa do Jô

Infância e adolescência

José Eugênio Soares nasceu no Rio de Janeiro, em 16 de janeiro de 1938, filho do empresário Orlando Soares e da dona de casa Mercedes Leal. Pertencente a uma família com alto nível social, ele teve uma infância com sólida formação intelectual. Iniciou seus estudos no Colégio de São Bento, mas logo foi estudar nos Estados Unidos e na Suíça (no prestigioso Lycée Jaccard). Aos 18 anos, retornou ao Brasil, já que o pai havia perdido sua fortuna na Bolsa de Valores. Estudou então no Instituto Rio Branco, visando à carreira diplomática.

Reprodução webknox.com|Fair use

Início no cinema

No Instituto Rio Branco, o jovem se destacou pelas tiradas humorísticas e irreverência. Em pouco tempo, percebeu que seu verdadeiro caminho seria o das artes. Em 1954, atuou no filme "Rei do Movimento", de Victor Lima e Hélio Barroso, e também participou do programa Grande Teatro Tupi, na TV Tupi. Em 1959, integrou o elenco do filme "O Homem do Sputnik", dirigido por Carlos Manga, e foi roteirista dos programas TV Mistério, na TV Rio, e Câmera Um, da TV Tupi. No mesmo ano, ganhou seu próprio programa: Jô, o Repórter e Entrevistas Absurdas, na TV Continental.

Reprodução oteatrodavida.blogspot.com|Fair use

Sequência de trabalhos

Já conhecido no meio artístico como Jô Soares, o jovem artista passou a acumular novos trabalhos na televisão e também no teatro. Sua estreia nos palcos ocorreu na peça "Auto da Compadecida", de Ariano Suassuna, em 1959. Um importante passo na carreira, porém, ocorreria no ano seguinte, quando ele trocaria o Rio de Janeiro por São Paulo. Na capital paulista, destacou-se como redator dos programas Show a Dois, e Três É Demais, na Record. Como ator, apareceu em "Jô Show", "Praça da Alegria" e "Quadra de Ases", todos na mesma emissora.

Créditos: Rede Globo / Ricardo Martins

O primeiro grande sucesso

O grande salto do artista para o estrelato ocorreu em 1967, quando interpretou o mordomo Gordon no humorístico "Família Trapo". O programa, no qual também colaborava como roteirista, tornou-se um dos maiores sucessos da história da televisão brasileira. Jô permaneceu no programa até seu final, em 1971. Nesse período, participou de vários filmes, como "Hitler 3º Mundo", de José Agrippino di Paula, e "Papai Trapalhão", de Victor Lima, ambos de 1968. No ano seguinte, atuou em "Agnaldo, Perigo à Vista", de Reynaldo Paes de Barros, e "A Mulher de Todos", de Rogério Sganzerla.

Reprodução desmanipulador.blogspot.com|Fair use

A chegada à Globo

O sucesso que Jô Soares obteve nos anos dourados da Record logo se multiplicaria no anos 1970. Nessa época, foi para a Globo, que tomara da rival paulista o posto de líder em audiência no País. Como ator, produtor e roteirista, tornou-se uma das peças-chave do departamento de humor da emissora. Sua estreia (como ator e roteirista) ocorreu no programa "Faça o Humor, Não Faça a Guerra", exibido entre 1970 e 1972, tendo como parceiros nos roteiros nomes como Max Nunes, Renato Corte Leal e Haroldo Barbosa. No ano seguinte, atuou em "Satiricon" (1973) e "O Planeta dos Homens" (1976).

Reprodução Nelson Di Rago|canalviva.globo.com|Fair use

Enfim, um programa solo

Se os anos 1970 foram de grande êxito para Jô Soares, a década de 1980 seria seu momento de consagração total. Satisfeitos com seu trabalho nos programas anteriores, a Globo resolveu premiá-lo com um novo show, em que ele seria o protagonista. "Viva o Gordo" estreou em 1981 e contava com a direção de Walter Lacet e Francisco Milani, e roteiro de Armando Costa. Foi então que o artista criou uma série de personagens antológicos, como o Capitão Gay, o mafioso Don Casqueta, Coronel Pantoja e Zé da Galera, que de um orelhão dava palpites ao técnico da seleção brasileira de futebol.

TV Globo/Programa do Jô

Humor no teatro

A grande visibilidade obtida na Rede Globo permitiu a Jô Soares bancar um de seus mais esperados projetos: os monólogos humorísticos, vertente brasileira dos stand-up comedies, que tanto sucesso faziam nos Estados Unidos. Sua primeira incursão nesse campo foi em 1978, com o espetáculo "Todos Amam um Gordo". Por semanas, ele lotou os teatros com suas piadas sobre o cenário político e cultural do País. No mesmo ano, seguiram-se outros shows, como "Ame um Gordo Antes que Acabe" e "Viva o Gordo e Abaixo o Regime". Voltou ao formato em 1983, com "Um Gordoidão no País da Inflação".

Reprodução www.sbtpedia.com.br|Fair use

Ida para o SBT

Mesmo com o sucesso obtido com "Viva o Gordo", Jô Soares enfrentou desgaste no relacionamento com a Globo. Um dos motivos para a discórdia estava na recusa da emissora em dar ao artista um programa de entrevistas, a ser exibido nos fins de noite. Por isso, em 1988, ele foi para o SBT. Na nova casa, estrelou o talk show "Jô Soares Onze e Meia", em que notabilizou o famoso bordão "Beijo do Gordo", solto a cada fim de programa. Além do sonhado programa, ele continuou com o programa humorístico, que passou a se chamar "Veja o Gordo".

Reprodução Companhia das Letras|Fair use

Teatro e literatura

Também em 1988, Jô Soares voltou aos monólogos teatrais, com o espetáculo "O Gordo ao Vivo". Seu último show foi "Um Gordo em Concerto", que estreou em 1994. Em todas as incursões, sempre obteve estrondoso sucesso, lotando teatros Brasil afora durante várias temporadas. Em 1995, porém, ele resolveu mergulhar em mais um segmento das artes: a literatura. O humor histórico "O Xangô de Baker Street" se tornou fenômeno no meio literário nacional e vendeu mais de 500 mil exemplares. Mais tarde lançaria "O Homem que Matou Getúlio Vargas" (1998), "Assassinatos na Academia Brasileira de Letras" (2005) e "As Esganadas" (2011).

Crédito: TV Globo / Zé Paulo Cardeal

Retorno à Globo

Em 1999, Jô Soares recebeu convite para retornar à Rede Globo. Ele aceitou o chamado e, em abril do ano seguinte, estrelava o "Programa do Jô". A atração repetia o mesmo formato consagrado no SBT: uma série de entrevistas com pessoas famosas ou pitorescas, entremeado de números musicais e humorísticos. No entanto, algumas novidades foram implantadas, como os quadros "Humor na Caneca", em que comediantes se apresentam, e "Meninas do Jô", que reúne um grupo de jornalistas para discutir política e economia. O artista também dedica espaço para relembrar velhos quadros do programa "Viva o Gordo".