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O Brasil nas Olimpíadas

A cada edição dos Jogos Olímpicos, o Brasil vem mostrando grande evolução. Mas nem sempre foi assim. O país ficou de fora das seis primeiras edições e, embora tenha obtido três medalhas na sua primeira participação, passou as décadas seguintes sem brilho, dependendo do talento individual para subir ao pódio. As coisas começaram a melhorar a partir dos anos 1980, quando revelamos uma série de grandes atletas. Até que em meados dos anos 1990 o Brasil passou a lutar pelo ouro em várias modalidades. Confira a trajetória brasileira nas Olimpíadas desde a edição de 1920, na Antuérpia.

O Brasil começou a evoluir a partir dos anos 1980 (Brand X Pictures/Stockbyte/Getty Images)

Medalhas na estreia

O Brasil levou 24 anos para participar pela primeira vez dos Jogos Olímpicos. A estreia aconteceu em 1920, na cidade de Antuérpia, na Bélgica. E o início não poderia ser melhor: conquistamos três medalhas, todas na modalidade Tiro. Guilherme Paraense obteve o ouro na categoria pistola rápida, Afrânio da Costa ficou a prata na pistola livre 50 m. A equipe ainda ganhou o bronze no tiro livre por equipe. Com o feito, o Brasil terminou em 15º lugar no quadro geral. Nada mal para um país que nunca tinha participado das Olimpíadas e nunca teve tradição esportiva.

Período difícil

Após a euforia pelas três medalhas obtidas na Bélgica, o Brasil teve um choque de realidade nas edições seguintes. Sem jamais ter investido no esporte olímpico, o país passou por um longo período sem subir ao pódio. O Brasil passou em branco pelas edições de Paris (1924), Los Angeles (1932) e Berlim (1936), sendo que sequer enviou delegação para Amsterdã, em 1928. Durante esse período, reinou a improvisação: em 1932, a delegação levou 45 mil sacas de café para vender e, assim, custear sua estadia nos Estados Unidos. Como nem todos foram vendidos, apenas 45 dos 83 atletas puderam competir.

De volta às medalhas

Com a interrupção em 1940 e 1944, por causa da Segunda Guerra Mundial, os Jogos Olímpicos só voltaram a ser disputados em 1948, em Londres. Com delegação de 77 atletas, o Brasil também competiu e, desta vez, voltou a subir no pódio. O mérito coube ao time masculino de Basquete, que ficou com a medalha de bronze. A equipe disputou oito partidas, sendo derrotada apenas na semifinal, para a França. O país começava a se destacar no esporte, no qual conquistaria dois títulos mundiais, em 1959 e 1963, e mais dois bronzes nas Olimpíadas de 1960 (Roma) e 1964 (Tóquio).

Brasil revela um mito dos saltos

O primeiro grande ídolo olímpico brasileiro surgiria nos anos 1950. O saltador Adhemar Ferreira da Silva disputou os jogos de 1952 em Hensinque (Finlândia) e de 1956 em Melbourne (Austrália). Em ambas, faturou a medalha de ouro no salto triplo, modalidade que se tornou tradicional no Brasil. O bicampeonato foi um grande feito, que seria igualado apenas em 2004, pelo velejador Robert Scheidt. Ainda nos jogos de 1952, o Brasil ganharia mais dois bronzes, com José Telles da Conceição (salto em altura) e com o nadador Tetsuo Okamoto (1500 metros livres).

A vela ganha espaço

Um dos esportes que mais garantiu medalhas ao Brasil nos Jogos Olímpicos (foram 17 até hoje), a vela subiu ao pódio pela primeira vez na Cidade do México, em 1968. A dupla Burkhard Cordes e Reinaldo Conrad conquistou o bronze na categoria Flying Dutchman, feito que repetiriam em Montreal (1976). Mas o grande momento da modalidade viria em Moscou (1980), quando vieram os primeiros ouros: Eduardo Penido e Marcos Soares na categoria 470 e Alexandre Welter e Lars Björkström na Tornado. Em 1984, em Los Angeles, Daniel Adler, Ronaldo Senfft e Torben Grael conquistariam a prata, na categoria Soling.

Começa a era do vôlei

Foi em 1984, em Los Angeles, que o Brasil conquistou a primeira de suas muitas medalhas no vôlei. A equipe masculina tinha craques como William, Montanaro, Bernard e Renan e ficou com o segundo lugar. Nem o boicote dos países comunistas tirou o brilho da conquista. Em 1992 (Barcelona), o time de Maurício, Giovane, Marcelo Negrão e Tande conquistou o primeiro ouro em esportes coletivos para o Brasil. Desde então, o Brasil já obteve, no masculino e feminino, nove medalhas, sendo quatro ouros, três pratas e dois bronzes, atrás apenas da antiga União Soviética. Em 20 anos, o país tornou-se uma potência nesse esporte.

O judô dá novas alegrias

O judô é a modalidade que mais vezes garantiu o Brasil no pódio (19 até hoje). O país já havia obtido uma medalha em 1972 (Munique) e três em Los Angeles (1984). Mas foi nos Jogos de Seul, em 1988, que o primeiro ouro veio. Aurélio Miguel foi o campeão na categoria meio-pesado e se tornou um herói nacional. O meio-leve Rogério Sampaio repetiu a dose em 1992 (Barcelona). Desde então, a modalidade sempre mostrou sua força, revelando grandes nomes no masculino e feminino. Mas o terceiro título viria somente em 2012 (Londres), com Sarah Menezes na categoria ligeiro.

O grande salto

Foi nos jogos de Atlanta, em 1996, que o Brasil deu seu primeiro grande salto de desempenho nas Olimpíadas. Primeiramente, subiu ao pódio 15 vezes, contra 8 em Los Angeles. Além disso, obteve pela primeira vez três medalhas de ouro, superando as duas em Moscou. Na vela, Robert Scheidt foi o campeão na categoria Laser e a dupla Marcelo Ferreira e Torben Grael venceu na Star. A terceira conquista foi em uma modalidade que estreava naquele ano: o vôlei de praia. Jacqueline Silva e Sandra Pires foram as campeãs ao derrotarem as também brasileiras Mônica e Adriana.

No berço das Olimpíadas, o melhor desempenho

O Brasil teve o seu grande momento nos Jogos Olímpicos justamente em Atenas, onde a disputa surgiu na Idade Antiga. Foi na capital grega, em 2004, que o Brasil obteve seu maior número de medalhas de ouro: cinco, no total. Os responsáveis pelos títulos foram Rodrigo Pessoa (Hipismo individual), a seleção brasileira masculina de vôlei e a dupla Emanuel Rego e Ricardo Santos, no vôlei de praia. Além desses, três velejadores foram campeões e repetiram seu desempenho em Atlanta: Robert Scheidt e o duo Marcelo Ferreira e Torben Grael, nas mesmas categorias em que venceram em 1996.

As mulheres roubam a cena

Durante toda a sua participação nos Jogos Olímpicos, o Brasil teve como seu principal alicerce os atletas masculinos. A história mudou definitivamente nos Jogos de 2008, em Pequim. Dos três ouros conquistados, dois foram obtidos pelas mulheres (seleção de vôlei e Maurren Maggi, no salto em distância). Era a primeira vez que o Brasil era campeão em modalidades femininas. O mesmo aconteceria na edição seguinte, em 2012, na cidade de Londres. O Brasil foi ao lugar mais alto do pódio por três vezes, duas graças às nossas meninas (atletas do vôlei e a judoca Sarah Meneses, categoria ligeiro).

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