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Canções de protesto contra a ditadura militar brasileira

Divulgação Wilson Santos

Introdução

Durante os 21 anos da ditadura militar no Brasil, entre 1964 e 1985, a música brasileira foi uma importante forma de resistência ao regime opressor, marcado pela censura, com artistas exilados e canções proibidas. Nos 50 anos do Golpe Militar, confira canções históricas que marcaram a produção cultural do período, refletindo sobre a sociedade, o regime e nosso País.

Daniele Venturelli/Getty Images Entertainment/Getty Images

Alegria, alegria (1967)

Caetano Veloso lançou "Alegria, alegria" em 1967 no 3° Festival de Música Popular Brasileira. Sua letra, repleta de ironias, recorta fragmentos do cotidiano, criticando a violência, a alienação, o abuso de poder, o cenário educacional e a opressão. A canção é uma das grandes representantes do movimento tropicalista e marca o contexto de contestação juvenil ao regime ditador.

Reprodução truqueswinx.blogspot.com

Caminhando (Pra não dizer que não falei das flores) (1968)

Lançada em 1968, "Caminhando (Pra não dizer que não falei das flores)", de Geraldo Vandré, ganhou o segundo lugar no 3° Festival Internacional da Canção e se tornou hino para todos os cidadãos que lutavam por um regime político democrático. Após o Ato Inconstitucional nº 5 (AI-5), no mesmo ano, Vandré foi exilado e a composição, que trazia fortes ataques ao exército, foi censurada. Ainda assim, sua letra de revolta permanecia como mote nos protestos ao redor do País

Kevin Winter/Getty Images Entertainment/Getty Images

É proibido proibir (1968)

"É proibido proibir", composição de Caetano Veloso, obteve uma péssima recepção em sua primeira apresentação no 3º Festival Internacional da Canção, com furiosas vaias do público presente no Teatro da Universidade Católica de São Paulo. A canção refletia sobre as mudanças culturais que vinham ocorrendo na década de 1960. Pouco tempo depois de seu lançamento, Caetano foi preso pelo regime, refugiando-se em Londres.

Reprodução Flickr|Thiago Carrapatoso|Atribuição-NãoComercial-CompartilhaIgual 2.0 Genérica (CC BY-NC-SA 2.0)

Apesar de você (1970)

Lançada durante o governo do general Médici, em 1970, "Apesar de você", faz referência ao chefe político, disfarçando as críticas à ditadura em um contexto amoroso. Para driblar a censura, o compositor, que ao longo do regime militar teve inúmeras músicas censuradas, afirmou que a letra contava a história da briga entre um casal, cuja esposa era autoritária. A invenção funcionou por algum tempo e o disco foi gravado, até a canção ser retirada das rádios.

Reprodução sinistersaladmusikal.wordpress.com

Eu quero é botar meu bloco na rua (1972)

Lançada em 1972, a canção "Eu quero é botar meu bloco na rua" está inserida no contexto do decreto do AI-5, que proibia manifestações e reuniões políticas. Na letra, o cantor e compositor Sérgio Sampaio reivindicava o direito a se manifestar.

Reprodução Wikimedia Commons|katso käyttöehdot|Attribution-ShareAlike 3.0 Unported (CC BY-SA 3.0)

Cálice (1973)

Canção de Chico Buarque e Gilberto Gil, "Cálice" foi lançada em 1973 e faz alusão à oração de Jesus Cristo a Deus no Jardim do Getsêmane, com os dizeres "Pai, afasta de mim este cálice". A composição explora a ambiguidade sonora (cálice e cale-se) para falar da censura e criticar o regime. A música foi apresentada no mesmo ano de lançamento, no show Phono, da gravadora Polygram, mas foi proibida e apenas em 1978 foi relançada. Ambos os compositores passaram por períodos de exílio durante a ditadura.

Reprodução www.portalflagranteam.com.br

Mosca na Sopa (1973)

A composição "Mosca na sopa", de Raul Seixas, lançada em 1973, arranca opiniões controversas sobre o sentido de seus versos. Através de uma metáfora, onde o povo seria a "mosca" e a "ditadura" seria a sopa, o compositor defende a ação e a luta dos cidadãos, que incomodam seus opressores e resistem ao regime autoritário.

Reprodução radiouol.blogosfera.uol.com.br

Que as crianças cantem livres (1973)

Composta por Taiguara, "Que as crianças cantem livres", de 1973, traz os versos "E que as crianças cantem livres sobre os muros/ E ensinem sonho ao que não pode amar sem dor / E que o passado abra os presentes pro futuro", representando o sonho e a esperança de um futuro melhor e mais democrático. No mesmo ano, o cantor, que teve ao todo 68 canções censuradas, exilou-se em Londres.

Reprodução musicbloodline.info

Jorge Maravilha (1974)

"Jorge Maravilha" é mais uma composição de Chico Buarque, sob o pseudônimo de Julinho de Adelaide, para driblar a censura. Os versos "Você não gosta de mim, mas sua filha gosta" parecem tratar de uma relação entre sogro, genro e namorada, mas fazem referência ao general Geisel, que odiava o músico. Porém, as composições de Chico pareciam agradar à filha do militar.

Reprodução Wikimedia Commons|domínio público

O bêbado e o equilibrista (1979)

O samba "O Bêbado e o Equilibrista", de Aldir Blanc e João Bosco, é especialmente reconhecido na voz de Elis Regina. De 1979, a canção assinala os anos finais da ditadura brasileira e reclama a anistia geral e irrestrita, fazendo referência às esposas de presos políticos (Maria, viúva do operário Manuel Fiel Filho e Clarice, viúva do jornalista Vladimir Herzog, ambos assassinados sob tortura).

Reprodução www.jcuberaba.com.br

Que país é este? (1978)

Composta por Renato Russo, do grupo brasiliense Legião Urbana, "Que país é este?" foi escrita em 1978, mas lançada apenas em 1987, quando o regime ditatorial já havia terminado. Sua letra revela o descontentamento da população e questiona claramente a sociedade brasileira e a política vigente.