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Características das antigas tragédias gregas

Atualizado em 21 novembro, 2016

Para o mundo ocidental, a Grécia é o berço do teatro, enquanto as antigas tragédias gregas são o modelo que todas as tragédias devem seguir. As características de uma tragédia adequada foram definidas por Aristóteles em sua "Poética" e ainda são referência ao analisar as tragédias hoje em dia. Embora as tragédias atuais não costumem empregar a linguagem elevada nem o verso, ainda é esperado um herói trágico preso em uma batalha monumental, frequentemente contra suas próprias falhas internas.

Os requisitos de uma tragédia foram definidos por Aristóteles, na Grécia antiga (Stockbyte/Stockbyte/Getty Images)

Contos da história grega

As tragédias gregas serviam para mostrar um protagonista de nascimento nobre lutando contra uma significativa falha de caráter, à medida que passava por uma experiência de vida importante. Esses personagens e essas histórias eram, na maioria das vezes, retirados da história e mitologia grega. Sófocles escreveu uma das tragédias mais famosas da literatura ocidental: "Édipo rei", sobre um rei de Tebas. A Oresteia — "Agamenon", "Coeforas" e "Eumênides" —, uma trilogia de peças escritas por Ésquilo, contam a história do retorno do rei Agamenon para casa, vindo da guerra de Troia, seu assassinato cometido pela esposa, Clitenestra, e a vingança de sua morte, feita pelos filhos, Electra e Orestes.

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O herói trágico

Aristóteles declarou que o herói trágico precisa ser de nascimento nobre e, dentro do curso da peça, vivenciar uma queda drástica, devido à uma falha inata que o personagem possui, não alguma circunstância externa. Desse modo, o herói passa por uma transformação psicológica, que o ensina uma lição sobre sua própria natureza falha. Aristóteles acreditava que a queda do herói era importante para a audiência testemunhar, já que costumava ser composta por gente de nascimento mais humilde, mas podia ser movida para sentimentos de "medo e pena", à visão da ruína do nobre herói. A audiência vivenciaria, então, uma conexão emocional empática e catártica com a experiência do personagem. O rei Édipo, na peça "Édipo rei", é considerado a quintessência do herói trágico.

O coro

O coro de uma tragédia grega era geralmente composto por um grupo de homens ou mulheres cuja posição na vida era humilde, se comparada com a dos personagens mais centrais da peça. O coro costumava comentar as escolhas e ações dos personagens principais, falando ou cantando diretamente à audiência. Ele também invocava a intercessão dos deuses e orava por auxílio em relação aos eventos da peça. Para os gregos antigos, a ideia de que os deuses controlavam todos os eventos da vida, que nenhum homem tinha liberdade para escolher seu próprio destino, era central e o coro frequentemente lembrava os personagens da peça e a audiência disso.

Unidade de tempo e lugar

A "Poética" de Aristóteles requisitava que as tragédias se desdobrassem dentro de um espaço e tempo unificado, ou seja, todas as cenas acontecendo no mesmo local em tempo contínuo. Isso colocava uma urgência sobre o protagonista da peça — os eventos continuavam a acontecer sem tempo para os personagens pararem e refletirem sobre o que deveriam, ou não, fazer. Eles simplesmente faziam escolhas e seguiam em frente, como as pessoas fazem frequentemente na vida real. A unidade de lugar requer que a peça permaneça focada na localização especificada, muitas vezes requisitando que as informações de outros locais sejam entregues por mensageiros e permitindo que eventos violentos sejam promulgados fora do palco.

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Referências

Recursos

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