As causas da decadência moral

Escrito por stanley goff | Traduzido por fabiana silva
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As causas da decadência moral
A decadência moral é o resultado da incoerência moral (Hemera Technologies/AbleStock.com/Getty Images)

O termo decadência é definido como o processo de declínio. O pensamento de que a moralidade está passando por esse processo é uma preocupação comum, mas a questão também preocupa os filósofos morais. Os três filósofos modernos que abordaram em profundidade esta questão são G.E.M. (Elizabeth) Anscombe, Alasdair MacIntyre e Stanley Hauerwas. Eles concordam, principalmente, que a época moderna tem sido caracterizada pelo declínio moral, em especial porque a modernidade está em um estado de incoerência moral.

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Perda do primeiro princípio

A modernidade é descrita pelos críticos filosóficos como o período que começa no século 17, chamado de Iluminismo, e que se estende até os dias de hoje. O ensaio de Anscombe "Filosofia Moral Moderna" foi reconhecido por MacIntyre e Hauerwas como a primeira crítica sistemática da incoerência moral da modernidade, que todos atribuem à tentativa de substituir algum Primeiro Princípio universal no lugar de um Deus agora domesticado. O problema, de acordo com esses filósofos, é que nenhuma dessas tentativas foi bem sucedida, cedendo o campo da moral para a lei, que é administrada por uma burocracia técnica egoísta e estritamente utilitária.

Kant, Bentham e Nietzsche

As três vertentes criadas são as principais reações da modernidade para o vazio deixado pela religião que perdeu seu poder sobre a psique moderna, de acordo com esses três filósofos. Primeiro, há a moralidade baseada no dever que normalmente é associada ao filósofo Immanuel Kant. Segundo, há ética utilitarista, muitas vezes associada à Jeremy Bentham e John Stuart Mill. E, finalmente, a reação individualista de Nietzsche, o filósofo alemão que considerou as duas moralidades baseadas em regras (deontológica) e nas consequências (consequencialista) contraditórias e hipócritas, e que afirmou que os indivíduos que detivessem o poder fariam suas próprias moralidades.

Universalidade falsa

De acordo com esses críticos filosóficos da moral moderna, as duas primeiras perspectivas eram logicamente incoerentes porque cada uma é baseada em uma ideia de natureza humana que é abstrata, erradicada de um tempo e lugar específicos. A tentativa de elaborar uma explicação universal e abstrata de moralidade não pode servir para os seres humanos reais, que estão sempre situados em tempos e lugares específicos, que são mais complexos que qualquer abstração pode refletir. A explicação hiper-individualista de Nietzsche - que embora pareça criticar as outras duas, também é uma tentativa de generalizar sobre a natureza humana - é inaceitável, pois leva ao niilismo, a crença de que nada tem significado e, por isso, não pode servir de base para nenhum esquema moral.

Perda burocrática da responsabilidade

O esquema kantiano é aquele no qual as regras substituem as injustiças individuais que elas possam causar. O esquema utilitarista, que olha apenas para os resultados, pode sugerir que seja certo executar algumas pessoas inocentes, contanto que melhore a segurança da sociedade como um todo. Esses esquemas se contradizem entre si, e muitas pessoas confiam em ambas as formas de lógica, sem reconhecer a contradição. Além disso, ninguém é obrigado a aceitar as duas explicações ou optar por uma delas, o que significa que a governança, que é administrada por burocracias com seus próprios auto-interesses inerentes, é vulnerável ao poder, o que pode mudar suas lógicas entre as premissas kantiana e utilitárias, mesmo quando as pessoas poderosas são motivadas por uma amoralidade nietzschiana. Essa é a estrutura que os filósofos morais acima mencionados se referem como incoerência moral, que é a fonte da decadência moral.

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