O que causou o fim da Enron?

Escrito por joseph nicholson | Traduzido por jorge s. dias
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O que causou o fim da Enron?
O que causou o fim da Enron? (Daryl Campbell)

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Visão geral

Não existe uma causa única do colapso da Enron. O enorme desastre que custou aos funcionários milhões de reais em pensões e abalou o mundo da contabilidade era uma tempestade perfeita de deslizes éticos, desregulamentação, falha de gestão e simples ganância. Essas forças interagiram para derrubar o que já foi considerada uma das empresas mais inovadoras do mundo e um dos empregadores mais desejados. A Enron foi criada pela fusão em 1985 da InterNorth de Omaha e a Houston Natural Gas. Naquela época, a empresa estava quase totalmente focada no fornecimento de gás natural através de sua rede de gasodutos. Sob a liderança do CEO Kenneth Lay, a empresa começou a ramificar-se em derivativos de energia, ou seja, a venda de contratos para entrega futura de eletricidade. Como esses mercados de derivativos não eram regulamentadas, os comerciantes da Enron foram capazes de aumentar artificialmente os custos de energia elétrica, um escândalo que resultou em apagões em toda a Califórnia e rendeu à empresa milhões de reais. Mas, ao mesmo tempo, o fato de que os mercados estavam desregulados permitiu à empresa disfarçar o verdadeiro valor das suas participações e fez a mesma escapar com o exagero do valor desses contratos. Ao mesmo tempo, pegou empréstimos de grandes somas graças a essas posses, mas investiu mal. Quando forçada a começar a perceber essas perdas em seu balanço, a empresa foi grosseiramente incapaz de cumprir as suas obrigações. O crédito da empresa foi rebaixado e a enxurrada de dinheiro em investimento recebido desapareceu, deixando apenas dívidas.

Problemas contábeis

O que aconteceu foram práticas contábeis "inovadoras" e suas consequências, que começaram a maré de perdas que por fim levaram o gigante da energia abaixo. A Enron não caiu tanto porque tinha ficado grande demais, mas porque se fez passar como algo muito maior do que realmente era. Ao descentralizar suas operações em várias subsidiárias e empresas, a Enron foi capaz de esconder grandes perdas que teriam parado o seu crescimento muito mais cedo se amplamente compreendidas. Empresas de capital aberto são obrigadas a fazer suas demonstrações financeiras públicas, mas as finanças da Enron eram um labirinto impenetrável de transações imaginárias cuidadosamente trabalhadas entre si e de suas subsidiárias que mascaravam sua verdadeira situação financeira. Em outras palavras, as perdas foram realizadas fora do papel por empresas subsidiárias, enquanto ativos foram demonstrados. Tomado ao pé da letra, esse cenário róseo fez da empresa a queridinha de Wall Street, e foi capaz de pegar empréstimo quase infinitamente e expandir-se para e-commerce e outros empreendimentos questionáveis. Suas ações subiram literalmente, o que fez a remuneração de funcionários e as pensões na forma de opções de ações parecerem muito atraentes. Mas o que já foi considerado práticas contábeis adotadas no limite dos padrões aceitáveis, ​​acabaram sendo reveladas completamente fraudulentas. A desgraça levou o negócio longe e criou essa responsabilidade para a empresa de contabilidade Arthur Anderson, que era o próprio negócio sendo forçado a sair de negócio. A essa altura, porém, o verdadeiro valor da empresa havia sido revelado e o preço das ações caiu, deixando os funcionários com ações e pacotes de pensão que não valiam mais nada. Claro, os executivos que sabiam da imagem real da empresa venderam suas ações antes da mesma ruir e saíram com bilhões.

Gestão

Claro, o fiasco da Enron não aconteceu por acidente. Ele foi facilitado por uma cultura corporativa que estimulou a ganância e à fraude, como exemplificado pelos comerciantes de energia que extorquiam os consumidores da Califórnia. Ao invés de focar na criação de valor real, o único objetivo da administração era manter a aparência de valor e, portanto, fazer o preço das ações subir. Isso foi agravado por uma cultura corporativa ferozmente competitiva que recompensava resultados a qualquer custo. Algumas divisões da Enron substituíam cerca de 15% de sua força de trabalho por ano, deixando os funcionários disputando por qualquer vantagem que eles poderiam encontrar para justificarem a sua permanência no emprego. Enquanto a integridade interna da empresa manteve-se dessa forma, a fachada foi exatamente oposta. A empresa alavancou conexões políticas em ambos os governos de Clinton e Bush, assim como em Wall Street, para tratamento preferencial e um ar de legitimidade, o que permitiu perpetrar suas fraudes. Nesse contexto, as práticas contábeis amplamente consideradas a causa do colapso da Enron podem ser vistas como apenas um sintoma de uma cultura de gestão mais ampla e que exemplificou o lado obscuro do capitalismo americano.

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