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O conflito Palestina x Israel: origens e eventos históricos

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Introdução

Por anos a fio, o noticiário internacional enfoca os incontáveis conflitos entre Israel (nação formada em sua maioria por pessoas de origem judaica) e palestinos (povos árabes que vivem na Cisjordânia e Faixa de Gaza, mas sem autonomia político-administrativa e militar). O conflito entre os dois povos envolveram também muitos países árabes do Oriente Médio, que se opõem à presença de judeus na região. Embora as hostilidades tenham se intensificado a partir do início do século 20, a origem dos conflitos é mais antiga e remete ao período pré-cristão. Saiba mais sobre essa complexa disputa.

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Visão bíblica

As escrituras contidas no Velho Testamento registram o surgimento dos hebreus e dos árabes. Os primeiros descendiam de Isaque, enquanto os árabes são descendentes de Ismael. Ambos eram filhos do patriarca Abraão, considerado o pai das três religiões monoteístas (judaísmo, cristianismo e islamismo). Portanto, os dois povos que hoje vivem em intenso conflito partilham da mesma origem, tendo florescido no Oriente Médio como pastores seminômades, organizados em pequenos grupos, denominados clãs ou famílias. Os hebreus (também conhecidos como israelitas) deixam essa condição de nomadismo ao ocupar Canaã, a Terra Santa (atual Palestina), que fora prometida por Deus.

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Ocupação e Diáspora

Por mais de mil anos, o israelitas viveram na Palestina e arredores. Em alguns períodos, como um reino poderoso e dominador. Em outras épocas, sofrendo ataques de inimigos como filisteus e babilônicos. Mas o período de maior crise veio com a conquista pelo Império Romano. Os novos conquistadores não toleravam o judaísmo, crença em um único deus professada pelos israelitas. Os conflitos foram frequentes até 70 d.C. (depois de Cristo), quando o exército romano destruiu o Templo de Jerusalém. Os judeus fugiram da região e se espalharam pelo mundo, sobretudo a Europa, no episódio conhecido como Diáspora.

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Os árabes permanecem

Enquanto os judeus se espalhavam pelo mundo, os árabes permaneceram na região. Eram divididos em várias tribos, como os himiaritas e os tamudeus. A unificação desses povos ocorreu no século 7, sob o comando de Maomé, profeta responsável pela fundação do Islamismo. De acordo com essa nova religião, Maomé recebeu dos céus um código de leis que se tornou o Alcorão. Sob as regras desse livro sagrado, ele unificou os povos da região. O domínio islâmico se manteve sobre todo o Oriente Médio até o final da Primeira Guerra Mundial, em 1918, com a queda do Império Otomano.

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O retorno dos judeus e retomada dos conflitos

O retorno dos primeiros grandes grupos de judeus à Palestina ocorreu no final do século 19, ainda durante o controle do Império Otomano. Perseguidos por razões políticas em seus países de origem, eles chegavam guiados pela ideia da Terra Santa, concedida por Deus aos patriarcas. Com a derrota dos Otomanos na Primeira Guerra Mundial, a área passa a pertencer à Grã-Bretanha. Os anos que se seguem são marcados pelo aumento do fluxo migratório de judeus, especialmente durante a Segunda Guerra Mundial. Por causa dessa migração em massa, aumentam os conflitos com os povos árabes que já viviam no local.

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A partilha da Palestina e novos conflitos

Com o final da Segunda Guerra Mundial, em 1945, as atenções do mundo se voltaram aos conflitos incessantes na Palestina, entre árabes e judeus. Enfraquecida pelo confronto contra os nazistas, a Grã-Bretanha deixa de administrar a região e passa o controle à recém-criada Organização das Nações Unidas (ONU). Em 1947, a entidade decide pela partilha da região em duas partes, uma reservada aos judeus e outra aos árabes palestinos. No ano seguinte, David Ben-Gurion declara a criação do Estado de Israel. Cinco países (Egito, Síria, Iraque, Líbano e Transjordânia), contrários a essa decisão, invadem o novo país, mas são repelidos.

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O avanço dos israelenses

Os povos de origem judaica, agora chamados israelenses, ampliam o seu domínio na região a cada vitória militar sobre os palestinos e outros povos árabes. Em 1949, seu território já é 50% superior ao registrado dois anos antes. Esse avanço prossegue em 1967, após a chamada Guerra dos Seis Dias. A nova nação judaica invade a Península do Sinai, faixa de terra pertencente ao Egito, e as colinas de Golã, anteriormente sob controle da Síria. Em 1973, ocorre a Guerra do Yom Kippur, em que sírios e egípcios tentam reconquistar os territórios perdidos, sem sucesso.

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Primeira intifada

Desde a Guerra dos Seis Dias, os territórios que deveriam se tornar o Estado Árabe da Palestina eram controlados por Israel. Sem força militar organizada, a ação dos palestinos se limitava a incursões de guerrilha e ataques terroristas. Mas em dezembro de 1987, a população civil palestina iniciou uma revolta contra o Estado de Israel. Homens, mulheres e crianças passaram a atirar paus e pedras contra os militares israelenses. Esse levante ganhou ainda mais força em 1988 e se manteve, com intensidade variável, até 1993. A rebelião popular passou a ser chamada de "Guerra das Pedras" ou "Intifada".

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Paz breve

Os conflitos entre israelenses e árabes, sobretudo os palestinos, prosseguiram até 1993, quando o Acordo de Oslo definiu que as tropas de Israel deixariam a Cisjordânia e Faixa de Gaza. Secretamente, reuniram se o primeiro-ministro de Israel, Yitzhak Rabin, e o líder da Organização de Libertação da Palestina, Yasser Arafat. O encontro foi mediado pelo presidente dos EUA, Bill Clinton. O período de tranquilidade, no entanto, foi curto: em novembro de 1995, Rabin foi assassinado. Seu sucessor, Shimon Peres, tentou manter o acordo, mas em 1996, o conservador Benjamin Netanyahu assumiu o poder em Israel e rompeu a paz.

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Segunda Intifada

Com a ascensão de Netanyahu ao poder em Israel, os palestinos voltaram a protestar contra os judeus. As seguidas trocas de governo entre os israelenses não interromperam o clima de tensão. O auge das hostilidades ocorreu em 2000, quando Ariel Sharon (ex-ministro da defesa) visitou a Esplanada das Mesquitas, em Jerusalém, espaço sagrado para os muçulmanos. Revoltados com o ato, a população palestina realizou um novo levante civil contra as forças de ocupação. A Segunda Intifada se estendeu até 2006, com várias denúncias de abusos de militares israelenses contra civis, inclusive crianças.

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Crise atual

Atualmente, as tensões entre palestinos e israelenses se concentram na Faixa de Gaza, ocupada por Israel entre 1948 e 1994. Mesmo assim, Israel bloqueou militarmente a região. Em 2007, a tensão aumentou depois que Gaza passou a ser administrada pelo Hamas, grupo terrorista que não reconhece a legitimidade do Estado de Israel. Em 2014, três jovens judeus foram assassinados na Cisjordânia e o governo de Israel atribuiu a ação ao Hamas. Como represália, iniciou uma série de ataques a Gaza, que em menos de dois meses mataram mais de 1.500 pessoas, a maioria civis.