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Conheça a história das escolas de samba mais tradicionais do Rio de Janeiro

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Introdução

O Carnaval é uma das maiores expressões artísticas brasileiras, “o maior show da Terra”, como já dizia o samba enredo da União da Ilha (1981), de Didi e Mestrinho, eternizado na voz de Caetano Veloso. E a Marquês de Sapucaí, no Rio de Janeiro, é o palco do mais importante evento carnavalesco nacional. Os desfiles de escolas de samba começaram na rua, passaram aos estádios durante uma época e voltaram às ruas, até a inauguração do Sambódromo, em 1978. Confira um pouco da história das principais escolas de samba cariocas.

Flickr RIOTUR | ASCOM

Beija-Flor

A história do Grêmio Recreativo Escola de Samba Beija-Flor começa em 1948, primeiro como bloco carnavalesco e finalmente como escola de samba em 1954. Defendendo as cores azul e branco, a Beija-Flor de Nilópolis fez história no Carnaval, com seus sambas-enredo criativos e muita originalidade nas fantasias e alegorias. Joãosinho Trinta, um dos mais inventivos carnavalescos da história, assinou 17 desfiles da escola, venceu cinco e ficou em segundo seis vezes. Desde 1976, o puxador oficial da escola é o Neguinho da Beija-Flor.

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Grande Rio

O Grêmio Recreativo Escola de Samba Acadêmicos do Grande Rio nasceu da união de várias escolas e grupos carnavalescos da cidade de Duque de Caxias, em 1988. Integrante do grupo especial, seleção das 12 melhores escolas de samba, desde 1992, a Grande Rio esteve sempre bem colocada, conquistando vários segundos lugares, mas nunca chegou ao posto mais alto do pódio. Defendendo as cores vermelho, verde e branco, seus desfiles são sempre acompanhados com emoção, inovação e surpresa, pois a escola é conhecida por sua ousadia nos figurinos, alegorias e sambas-enredos. É tida como a “escola das celebridades”, pois sempre participam muitos artistas em seus desfiles.

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Imperatriz Leopoldinense

Uma das mais vitoriosas, com cinco primeiros lugares no grupo especial, o Grêmio Recreativo Escola de Samba Imperatriz Leopoldinense inicia sua história em 1959, no bairro de Ramos, região de muita tradição no samba carioca. Vários de seus sambas-enredo foram parar nas ruas e persistem até hoje como músicas de Carnaval, como “Liberdade, liberdade, abre as asas sobre nós”, de 1989, que marcou a entrada da Imperatriz no grupo especial em 1990. Sempre vestindo as cores verde, branco e ouro, a escola não vem na sua melhor campanha nos últimos anos, mas sem perder a graça e a criatividade.

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Inocentes de Belford Roxo

A jovem escola de Belford Roxo, Baixada Fluminense, se formou em 1993 e estreou no grupo especial em 2013, junto à celebração de seus 20 anos. O Grêmio Recreativo Escola de Samba Inocentes de Belford Roxo conquistou um lugar junto à elite das escolas de samba com o primoroso desfile “Corumbá – Ópera Tupi Guaikuru”, em homenagem à cidade do Mato Grosso do Sul, levando lendas, folclore, fauna e flora sul mato-grossense à avenida. Ostentando o vermelho, azul e branco, a estreia da Inocentes entre as grandes não foi muito exitosa. Segundo a crítica, eles fizeram um desfile decente, mas sem muito brilho.

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Mangueira

Umas das mais antigas, em ação desde 1932, o Grêmio Recreativo Escola de Samba Estação Primeira de Mangueira foi fundado pelo grande Cartola junto com Carlos Cachaça e Zé Espinguela, entre outros. Coleciona títulos (já são 18 primeiros lugares no grupo especial), samba-enredos de destaque e fãs. Seu maior intérprete, Jamelão, que puxou os sambas-enredo mangueirenses de 1949 a 2006, foi um dos maiores do samba e sua perda, em 2008, abalou muito a escola.

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Mocidade

O bairro de Padre Miguel, na zona oeste do Rio, foi o berço do Grêmio Recreativo Escola de Samba Mocidade Independente de Padre Miguel, em 1955. A tradicional escola vem fazendo história no samba carioca, com seus sambas-enredo divertidos e lançando moda, como a figura da madrinha da bateria – posição inaugurada com Monique Evans, em 1985 – e a famosa “paradinha”, momento em que toda a escola para no meio da avenida. A bateria “nota 10”, como é conhecida sua ala de instrumentos de percussão, é uma das marcas da escola, que defende as cores verde e branco e já ficou cinco vezes em primeiro lugar.

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Portela

A história do Grêmio Recreativo Escola de Samba Portela se mistura com a história do Carnaval. Foi umas das três escolas que fizeram parte do primeiro desfile, junto à Mangueira e à Unidos da Tijuca, em 1932. Maior vencedora de todos os tempos, a “Majestade do samba” acumulou 21 títulos em seus 90 carnavais. Originária do bairro de Madureira, a Portela teve sua época de ouro nos 1940, 1950 e 1960, mas desde 1984 não venceu mais nenhum Carnaval. Porém, como a escolha dos melhores desfiles é feita por especialistas e não pelo povo, para os fãs “quem é rei nunca perde a majestade”.

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Salgueiro

Criada em 1953, a Salgueiro apareceu na avenida pela primeira vez em 1954 e desde então não saiu mais. Já no primeiro desfile mostrou seu potencial e criatividade, conquistando o terceiro lugar, e deixando para trás a Portela que neste momento já tinha duas décadas de Carnaval. Nove vezes campeão – a última foi em 2009, com o samba-enredo “Tambor” –, o Grêmio Recreativo Escola de Samba Acadêmicos do Salgueiro vem defendendo suas cores (vermelho e branco) com garra, tradição e carisma há cerca de sessenta anos. Foi nela que Joãosinho Trinta estreou, levando o terceiro lugar no Carnaval de 1973.

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São Clemente

Nascida no bairro de Cidade Nova, a São Clemente derivou de um time de futebol amador,se transformou em um bloco de rua, até que, em 1961, passou a se chamar Grêmio Recreativo Escola de Samba São Clemente. A escola tem mais de 50 anos, mas esteve apenas 14 vezes no grupo especial, entre idas e vindas ao grupo de acesso. Ficou famosa por seus sambas-enredo de teor social e questionador, combinando a crítica com o senso de humor, e também pelos temas ligados ao folclore e à cultura popular brasileira.

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União da Ilha

Presente no carnaval carioca de 1953, o Grêmio Recreativo Escola de Samba União da Ilha do Governador entrou pela primeira vez para o grupo especial em 1975. Até hoje nunca conquistou um primeiro lugar na elite das escolas de samba: teve muitos altos e baixos, principalmente por questões financeiras, mas tem em sua história grandes desfiles e sambas-enredo marcantes, como "Lendas e Festas da Yabás", que levou a escola do grupo de acesso ao especial, em 1974. Também foi memorável o desfile de 1982 que reeditou o clássico samba-enredo “É hoje”.

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Unidos da Tijuca

Da fusão de blocos de Carnaval de rua da região do Morro do Borel foi criado, em 1931, o Grêmio Recreativo Escola de Samba Unidos da Tijuca, a terceira escola de samba mais antiga do país. Chegou com força e já em 1936 conquistou seu primeiro título. No entanto, demorou até conquistar o seguinte, que só veio em 2010. Desde então, vem fazendo uma campanha consistente, apresentando desfiles criativos e tecnicamente bem planejados (quesitos muito importantes na avaliação dos juízes), conquistando o segundo lugar, em 2011, e vencendo novamente em 2012.

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Vila Isabel

O bairro de Vila Isabel sempre foi um importante reduto do samba carioca e é de lá que vem o Grêmio Recreativo e Escola de Samba Unidos de Vila Isabel. Seu desfile inaugural foi em 1947, mas só em 1988 foi conquistar um primeiro lugar na elite das escolas de samba, com o samba-enredo “Kizomba”, de Martinho da Vila, um dos maiores compositores da escola, nascido no bairro. De novo tardaram mais alguns anos até a escola subir ao lugar mais alto do pódio novamente, em 2006, com o samba-enredo “Soy loco por ti America - A Vila canta a latinidade”. Depois de 6 anos de jejum, a Vila Isabel voltou a festejar o primeiro lugar em 2013, com um enredo que homenageou a figura do agricultor.