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Como fazer cordas de tripas para violinos

Atualizado em 21 novembro, 2016

Apesar do mito popular de que cordas de instrumentos musicais são feitas de tripa de gato, são feitas de tripas de ovelhas. De acordo com Walter Kolneder, livros do século 14 descrevem os métodos usados e que mudaram bem pouco, desde então. Apesar de muitos músicos atualmente preferirem cordas sintéticas, alguns continuam a usar as de tripas banhadas em prata ou níquel e músicos que usam a viola da gamba da renascença utilizam cordas de tripas extensivamente. Fazer as cordas de tripas é um processo que leva tempo e que requer ferramentas e maquinário especial, frequentemente equipamento feito sob medida e protegido como um segredo do ofício.

Instruções

Cordas de tripas de um violino (Ablestock.com/AbleStock.com/Getty Images)
  1. O primeiro passo para fazer as cordas é obter a matéria-prima -- intestinos de ovelha, chamados de "conjunto", por trabalhadores de abatedouros e açougueiros. De acordo com Walter Kolneder, o autor do Livro Amadeus do Violino, ovelhas domésticas têm intestinos demasiado ásperos para fazer cordas; ovelhas jovens das montanhas ou da pradaria, com cerca de oito meses de idade, são a fonte preferida de material. As tripas devem ser removidas do corpo do animal, enquanto as fibras e os músculos ainda estão quentes, e depois separadas de toda a gordura e matéria fecal e postas em água fria. Conforme os trabalhadores dos abatedouros processam os animais, os conjuntos são amarrados juntos, criando uma longa corda. Algumas vezes o conjunto é congelado para ser enviado ao seu próximo passo na jornada, para se tornarem cordas.

  2. A seguir, os conjuntos devem ser limpos. Na indústria, eles são enviados a um costureiro, que prepara os intestinos para uso. O costureiro mergulha os intestinos em água fria por até dois dias, banhando-os na água quente, para depois mergulhar em uma solução química (algumas vezes baseada em água sanitária), para remover quaisquer pedaços restantes de membranas. O costureiro então passa os conjuntos por uma máquina que os arranha até chegar ao músculo, deixando apenas um longo tubo do invólucro com cerca de 9 m de comprimento. Os invólucros são descoloridos por razões estéticas, cortados em tiras do mesmo comprimento e espessura, usando uma cortadora para separar os invólucros em tiras ou uma máquina desenhada para cortá-los igualitariamente. As tiras são guardadas em sal e outros preservantes, até que o fabricante das cordas possa usá-las.

  3. As tiras são mergulhadas em uma solução alcalina -- tradicionalmente vinho ou água sanitária -- para remover o sal, até que esteja completamente molhada, e então é posta em uma das pontas de uma trançadeira. Tiras de mesmo tamanho são trançadas firmemente. Quanto mais tiras são trançadas, mais grossa será a corda. Por exemplo, são necessárias apenas três tiras para fazer uma corda mi de violino, mas são necessárias 64 para o lá grave de um baixo. As cordas são trançadas quase continuamente até que sequem e tenham se "colado".

  4. Finalmente, as cordas são polidas e ajeitadas usando um esmeril sem centro e esfrega-se óleo de amêndoas ou outro óleo natural, para impedir que fique quebradiça, e são deixadas para secar sob temperatura morna. Uma vez secas, cordas graves são banhadas com ligas metálicas -- geralmente prata, mas também cobre, alumínio e bronze -- e são afinadas, verificando-se a fidelidade ao tom, muitas vezes usando software especializado. As cordas estão prontas para serem usadas agora, apesar dos músicos precisarem mantê-las flexíveis com aplicações regulares de óleo.

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