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Crendices e supertições das festas juninas

Reprodução Flickr|Turismo Bahia|Tatiana Azeviche / Setur

Introdução

Junho é dedicado, no Brasil, a algumas de nossas maiores manifestações folclóricas: as festas juninas. Feitas para celebrar as datas dedicadas a Santo Antônio (dia 13), São João (dia 24) e São Pedro (dia 29), estas comemorações surgiram na Europa, ainda na Idade Antiga, quando povos pagãos realizavam eventos aos deuses para pedir ou agradecer a boa colheita. Com o passar do tempo e do avanço do Cristianismo, sofreram fortes transformações. No entanto, a carga de crendices continuou forte, inclusive com a chegada destas tradições ao Brasil, por meio dos colonizadores portugueses. Conheça algumas das principais superstições dessa festividade.

Divulgação

Puxada do Mastro

Um dos itens obrigatórios em uma festa junina é o mastro que leva, no alto, as imagens de Santo Antônio, São João e São Pedro. Em geral, também são colocados ali flores, frutas e enfeites. Para alguns, é uma importante reverência aos santos juninos, mas para outros é apenas uma forma de tornar a festividade ainda mais bonita. A tradição surgiu por meio de uma antiga superstição: se ao içar o mastro, a bandeira está virada para a casa do anfitrião, este terá boa sorte. Caso contrário, ele será atingido pela desgraça. Se a flâmula estiver apontada para uma pessoa, esta será devidamente abençoada.

Kim Carson/Stockbyte/Getty Images

Fogueira

Você certamente pensou que a fogueira só participa da festa porque ela acontece no inverno, não é? Mas não esqueça que a celebração surgiu na Europa. E lá, junho é um mês de verão. Acender o fogo nas festividades tem algumas razões: para os antigos pagãos, servia para afastar os maus espíritos. Para os cristãos, é uma forma de atrair bons fluidos. Conta-se que o nascimento de São João Batista foi anunciado por meio de uma fogueira acesa, que alertou Maria, mãe de Jesus. Uma tradição, já meio esquecida, é trocar a lenha nos dias de Santo Antônio, São João e São Pedro.

Blog Cidadania & Cultura

Fogos de artifício

As crianças – e mesmo alguns marmanjos – adoram soltar alguns rojões para iluminar a noite ou torná-la um pouco mais barulhenta durante as celebrações juninas. Mas esta tradição não surgiu apenas como modo de festejar: ela também tem um fundo supersticioso, que se manteve ao longo do tempo. Inventado na Idade Antiga pelos chineses, os fogos de artifício eram usados séculos atrás, em Portugal, para espantar o Tinhoso e seus lacaios na noite de São João. Outra lenda bastante difundida no passado é que eles tinham a função de "acordar" o santo, para que ele pudesse participar da celebração.

Reprodução Blog Sete Doses

Balões

Assim como tantas outras tradições das festas juninas, o balão ganhou uma aura de superstição, que foi se dissolvendo com o passar do tempo. Os católicos acreditam que a forma como ele vai para o céu determina a sorte de quem o solta. Se ele subir normalmente, os desejos serão atendidos. Caso contrário, o futuro será de muito azar. Em geral, eles levam mensagens de devoção aos santos juninos. Mas de algumas décadas para cá essa forma de celebração vem perdendo espaço. Os constantes acidentes, como graves incêndios, fizeram com que as autoridades proibissem esta prática a partir de 1965.

Polka Dot Images/Polka Dot/Getty Images

Maçã na água

Há alguns anos, esta era uma das brincadeiras mais vistas nas festas juninas. Colocar uma maçã em um balde ou outro recipiente cheio de água era a manutenção de uma velha tradição, mas também diversão garantida. O objetivo aqui é retirar a fruta com a boca, o que nem todo mundo consegue. A superstição também ganhou raízes aqui, e há muitos séculos. Os antigos celtas iniciaram a brincadeira para celebrar a colheita da maçã, em outubro. Eles acreditavam que assim era possível ter acesso a um mundo mágico, além do nosso. Com o passar do tempo, o ritual foi incorporado aos cultos cristãos.

Paróquia Santo Antônio

O santo casamenteiro

Santo Antônio, o primeiro a ser celebrado nas festas juninas, é conhecido como o Santo Casamenteiro. Por isso, não faltam moças que evocam o seu poder e a sua proteção para, enfim, subirem ao altar. E para isso, elas se valem de todo tipo de simpatia. Uma delas é deixar a imagem do santo de cabeça para baixo, colocando-o na posição normal quando conseguirem se casar. Na noite de São João, as mulheres passam rapidamente um ramo de manjericão na fogueira e, em seguida, a lançam no telhado. No dia seguinte, se o ramo ainda estiver verde, o casamento é com um moço. Se ficar murcho, será com um homem mais velho.

Comstock Images/Comstock/Getty Images

Outras simpatias

Sim, a maioria esmagadora das simpatias das festas juninas é voltada para saber como será o seu casamento. Mas se você não está nem aí para este assunto, há algumas para ganhar dinheiro, saúde ou vida longa. Uma delas é colocar parte de uma clara de ovo em um copo com água e não mexa nele. No dia seguinte, dê uma olhada na imagem que se formou. Se for parecido com o de um navio, você fará uma viagem em breve. Para ter uma vida feliz, basta tomar um banho com cravo, alecrim e manjericão no dia 24 de junho. Enquanto se banha, peça proteção a São João.

Divulgação

Bumba meu boi

Esta é uma tradição vinda de Portugal, no século XVII, e que perdura até os dias de hoje em várias cidades do Brasil, especialmente nas regiões norte e nordeste. A festa do bumba-meu-boi conta a história de Pai Francisco, um homem que tenta atender aos desejos de sua mulher, que está grávida. Quando ela diz que quer comer língua, ele não titubeia: mata o boi de estimação de seu patrão. O coronel, ao saber que o animal está desaparecido, ordena que o traga vivo. Francisco apela então a curandeiros para reviver o animal. A festa veio da celebração deste milagre.

Reprodução

Bandeirinhas

Quem não se encanta com as bandeirinhas, que tanto enfeitam as festas juninas? Assim como o mastro, elas têm uma função decorativa, mas também se originaram de uma velha superstição. No passado, as imagens de Santo Antônio, São João e São Pedro eram inseridas em grandes bandeiras. Estas eram colocadas em água, na chamada “lavagem dos santos”. A ideia era purificar as pessoas que se banhavam nesta água. O tempo passou e as bandeiras foram ficando menores, para que mais pessoas pudessem se banhar. Até que os símbolos deixaram de aparecer nas bandeirolas, que ganharam o formato popular que conhecemos até hoje.

Editorial J

Casamento caipira

Um dos pontos altos das festas juninas, o casamento caipira é uma interpretação cômica de uma cerimônia. Um homem, após engravidar uma jovem, é “convidado” pelo pai da moça a se casar com ela. Na hora do “sim”, o guardião da honra da família está atento, devidamente armado com uma espingarda, para que tudo saia como esperado. A dramatização faz parte do rito católico da castidade, uma das exigências da religião para que as pessoas possam obter a vida eterna. Na Idade Antiga, no entanto, a ideia era justamente oposta: celebrar a fertilidade da terra e das pessoas, em cerimônias mais liberais.