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Cubismo na escrita

Atualizado em 17 abril, 2017

O cubismo na escrita é geralmente ofuscado pelo seu uso nas artes visuais. Enquanto Picasso definia o movimento cubista na pintura, não havia uma figura literária para fazer o mesmo na escrita. Porém, alguns escritores principais no começo do século 20 tinham elementos cubistas em suas obras, como Gertrude Stein, Pierre Reverdy, William Faulkner e Ernest Hemingway.

Como o cubismo aconteceu na literatura (Pixland/Pixland/Getty Images)

Cubismo

O cubismo é um estilo de arte que enfatiza a estrutura abstrata às custas de outros elementos pictóricos, principalmente mostrando vários aspectos do mesmo objeto simultaneamente e fragmentando a forma dos objetos representados. Muitas vezes, pensa-se que é apenas um estilo de pintura, mas a escola de pensamento cubista também era prevalente na música e na literatura. Um exemplo de como isso poderia ser feito é tirando várias fotos de um objeto comum, como celofane, de diferentes ângulos e, depois, cortando-as em pedaços maiores. Essas peças são coladas para formar um pôster maior da obra. O objeto é visto de vários ângulos ao mesmo tempo. O segredo disso é que nenhuma foto mostra o objeto por inteiro, mas é preciso conseguir identificar individualmente todos os pedaços.

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Ficção cubista

Os elementos do cubismo podem ser vistos em duas figuras literárias seminais desse período, William Faulkner e Ernest Hemingway. No romance de Faulkner, 1930, "Enquanto Agonizo", há 15 narrativas curtas entrelaçadas para representar uma história completa. A história é contada da perspectiva de vários narradores diferentes enquanto o cortejo fúnebre de Addie Bundren passa. Cada narrador conta uma parte da história e vários deles se sobrepõem, dando ao leitor uma perspectiva diferente acerca dos eventos. Esse exemplo de mostrar múltiplos ângulos da mesma história durante o mesmo período a constrói de maneira não tradicional e envolve a trama, além de acrescentar aspectos novos a ela. Esse tipo de narrativa fragmentada é a definição do estilo cubista. "O Sol Também se Levanta", de Ernest Hemingway, também emprega essa técnica. Cada um dos personagens está tentando lidar com os horrores da Primeira Guerra Mundial. Cada narrativa acrescenta uma peça ao quebra-cabeça e, após finalizado, existe uma linha coerente na história. Hemingway também traz o cubismo para o nível de parágrafo, muitas vezes propositadamente eliminando conexões entre uma frase e outra.

Poesia cubista

A poesia foi uma forma mais apropriada para o pensamento cubista do que a prosa. Gertrude Stein, Guillaume Apollinaire, Blaise Cendrars, Jean Cocteau, Max Jacob, André Salmon, Pierre Reverdy, Wallace Stevens e William Carlos Williams foram autores importantes para esse nicho literário. "Thirteen Ways of Looking at a Blackbird" (em tradução livre, "Treze Maneiras de se Olhar para um Melro-Preto"), de Stevens, demonstra como as perspectivas múltiplas funcionam na poesia. A coletânea "Spring and All" (em tradução livre, "Primavera e Tudo Mais"), de William Carlos Williams, usa a ambiguidade intencional do falante e referências múltiplas aos mesmos objetos de perspectivas diferentes como uma maneira de ver cada aspecto da primavera. Essas técnicas são referências da poesia cubista.

Contexto histórico

O cubismo surgiu em 1906 com as pinturas de Pablo Picasso e Georges Braque. A arte visual abriu caminho, mas foi seguida rapidamente pela literatura e pela música. Embora esse movimento vanguardista causasse confusão inicialmente, o estilo de pintura ganhou rapidamente a credencial com os futuros artistas e críticos. O estilo era tão popular que, em 1911, os pintores já eram identificados como parte da "escola cubista" de pintura. A literatura não teve a mesma sorte. Muitos aspectos do cubismo que eram facilmente visíveis na pintura -- e até na escultura -- não se adaptavam com tanta facilidade às palavras escritas. O termo cubismo literário não se tornou popular e os escritores que usavam essa técnica eram geralmente chamados de autores de "fluxo de consciência" ou "poetas linguísticos", embora as definições sejam facilmente intercambiáveis com a do cubismo.

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Referências

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