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Por que a depressão atinge tantas pessoas?

Há muito tempo, a depressão vem aumentando em todo o mundo. Ela é o problema psicológico mais comum da Terra e, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), em 2030 será a mais prevalente de todas as doenças, à frente do câncer. De acordo com a revista BMC Medicine, 121 milhões de pessoas estão deprimidas no mundo. Nos Estados Unidos, estima-se que um em cada dez adultos esteja deprimido. Entre os países em desenvolvimento, aquele com o maior número absoluto de deprimidos é o Brasil, com 18 milhões. Por que o número de afetados por essa doença cresce tanto e por que, curiosamente, ela é mais comum nos países mais ricos? Há várias explicações para isso, mas nenhuma delas definitiva.

Há muito tempo a depressão vem aumentando em todo o mundo (Stockbyte/Stockbyte/Getty Images)

Fuga da dor

De acordo com o psicólogo Steven Hayes, criador da Terapia da Aceitação e Compromisso (ACT), algumas ideias comuns na sociedade estão provocando o aumento dos casos de doenças mentais, principalmente a depressão. Por exemplo, as ideias de que se sentir mal não é normal, que todos têm direito à felicidade e que ela é equivalente à ausência de dor. Essas crenças, segundo Hayes, levam as pessoas a tentar sempre controlar suas emoções para se sentirem bem todo o tempo; para isso, precisam evitar tudo o que desperte emoções negativas e, assim, "perdem a oportunidade de um envolvimento real com o que acontece a sua volta... Em casos extremos, como na depressão, quem tenta a todo custo evitar a dor começa a ficar entorpecido. Passa a não sentir nada, apenas um vazio profundo".

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Excesso de diagnósticos

Em uma linha parecida com a de Hayes, muitos estudiosos alegam que, na verdade, não há nenhuma epidemia de depressão, apenas excesso de diagnósticos errados da doença. Para eles, está se tornando cada vez mais comum que emoções humanas normais, como tristeza, desânimo e dúvida, sejam percebidas como atípicas e diagnosticadas como depressão. Dessa forma, não haveria um aumento real do número de afetados pela doença, apenas um aumento no número de diagnosticados.

Remédios antidepressivos

No livro "The Anatomy of an Epidemic" (A anatomia de uma epidemia), o jornalista norte-americano Robert Whitaker afirma que a epidemia de depressão está sendo causada pelos efeitos adversos dos remédios antidepressivos, que são prescritos em excesso, em todo o mundo. De acordo com ele, pacientes que tinham episódios moderados e ocasionais de depressão, depois de tratados com essas drogas, desenvolvem a doença em forma grave e crônica.

Pressões sociais

Para muitos estudiosos, as pressões crescentes da sociedade sobre os indivíduos são a responsável pelo aumento não só do número de casos de depressão, mas também de outros transtornos psicológicos, como a ansiedade e a síndrome do pânico. De acordo com eles, vivemos em uma cultura materialista, em que apenas o sucesso financeiro é valorizado. Para obtê-lo, porém, é preciso estudar, trabalhar e esforçar-se cada vez mais. Isso gera estresse, insegurança, competitividade e individualismo, que acabariam resultando na depressão.

Ideias contraditórias

De acordo com a psicanalista Karen Horney, em seu livro "A personalidade neurótica do nosso tempo", o aumento do número de afetados por transtornos mentais é resultado da presença, na sociedade, de normas de comportamento contraditórias. Por exemplo, acredita-se tanto que é preciso tanto ter compaixão e compreensão pelos outros, quanto que é preciso ser melhor do que as outras pessoas. Essas ideias contraditórias gerariam, segundo a psicóloga, dúvidas e inseguranças intoleráveis, que resultariam em ansiedade e depressão.

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Referências

Recursos

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