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Os dez desfiles inesquecíveis de escolas de samba

Os desfiles de Carnaval mais marcantes misturam imagem e música
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Introdução

Selecionar os desfiles mais marcantes de uma arte complexa como o Carnaval não é tarefa fácil. Ao misturar diferentes artes e linguagens, da música à História, literatura e artes visuais, um desfile de Carnaval se desenrola como uma narrativa visual de temas vividos pela humanidade: amor, sonhos, futuro. Muitas escolas cumpriram bem essa tarefa trazendo ao público um misto de razão, emoção e empolgação em sambas de destaque. Outras escolas, porém, fizeram essa tarefa de uma forma tão sublime que entraram para a História. Conheça os desfiles mais inesquecíveis de escolas de samba.

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Imperatriz Leopoldinense, 1989

O Carnaval de 1989 foi marcado por muita polêmica, troca do presidente da LIESA (Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro) e acusações de favorecimento à Beija-Flor. Mas foi o ano que marcou um dos desfiles mais memoráveis na Sapucaí. A Imperatriz Leopoldinense, a primeira escola tricampeã do Carnaval carioca, apresentou o samba-enredo "Liberdade! Liberdade! Abre as asas sobre nós". O enredo foi desenvolvido pelo carnavalesco Max Lopes e contava a história do fim da monarquia brasileira e a Proclamação da República. Entre os destaques do desfile estão o mar de gente vestida com as cores do Brasil e a imagem de Duque de Caxias em um cavalo gigante, maior que a torre do sambódromo.

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Salgueiro, 1993

Em 1993, a Salgueiro amargava um jejum de títulos de Carnaval desde 1975. Então, com o samba-enredo "Peguei um Ita no Norte", a escola fez um desfile que entraria para a história dos carnavais. Consagrado do início ao fim, o desfile da Salgueiro marcou um samba-enredo que até hoje é cantado nos carnavais do Brasil afora e também nos estádios de futebol. O samba-enredo, mais conhecido por seu nome alternativo: "Explode coração", foi inspirado na canção de Dorival Caymmi, que narra uma viagem costeira a bordo do vapor Itapé.

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Mocidade Independente de Padre Miguel, 1996

Em 1996, a Mocidade Independente de Padre Miguel ganhou o Carnaval com um desfile ao mesmo tempo ousado e sofisticado. A escola, que sempre apostou em enredos sobre questões como a brasilidade, se destacou com o samba-enredo "Criador e Criatura" em versos que ficaram consagrados como no trecho: "A mão que faz a bomba, faz o samba". A ousadia do desfile daquele ano ficou por conta da comissão de frente formada por intérpretes de Frankenstein, e também pelas alegorias à bomba atômica. A relação entre homem e Deus, criador e criatura, foi um marco na história dos sambas-enredo.

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Beija-Flor, 1989

Um bom desfile de Carnaval é sempre acompanhado de muita polêmica. E polêmica foi o que não faltou para a Beija-Flor em 1989. Com o desfile "Ratos e urubus, larguem minha fantasia", a escola chocou o Brasil de então com uma imagem de Jesus Cristo todo coberto com um plástico negro. O chamado "Cristo mendigo" foi notícia em vários jornais do mundo. Na ocasião, o carnavalesco Joãosinho Trinta foi aclamado como gênio e a Beija-Flor foi considerada a campeã moral do desfile, já que ficou em segundo lugar, perdendo para a Imperatriz Leopoldinense.

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Portela, 1984

Um dos sambas mais inesquecíveis que já tocou no Carnaval é "Contos de Areia", que a Portela levou para a passarela em um desfile que ficou marcado pela homenagem à própria festa carnavalesca. O enredo, lançado em 1984, é uma exaltação à própria tradição da escola de samba. No desfile, fundadores ilustres da Portela, como a cantora Clara Nunes, foram homenageados. O enredo ainda louva as origens do samba e a alegria do Carnaval. O desfile também ficou marcado por tentar unir uma das mais tradicionais escolas de samba do Brasil, que tem um histórico de brigas internas. O esforço valeu a pena e o desfile de 1984 deixou saudade para sempre.

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Império Serrano, 1964

Uma das mais tradicionais escolas de samba do Rio de Janeiro, a Império Serrano é responsável por um dos principais sambas-enredo já feitos. O desfile da escola em 1964, com o samba-enredo "Aquarela Brasileira" entrou para a história do Carnaval. O samba fez tanto sucesso que a escola fez uma nova versão do samba em 2004. O desfile de 1964, tido pela crítica como um dos mais bonitos, foi marcado pela exaltação do Brasil: as belezas geográficas, a arquitetura tradicional e moderna e as lendas e costumes populares. O destaque ficou por conta da ala dos dançarinos representando a região amazônica. Apesar do sucesso de público, a escola ficou em quarto lugar na competição daquele ano.

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União da Ilha do Governador, 1989

Homenageando a origem do Carnaval, a União da Ilha do Governador fez em 1989 um dos desfiles mais lembrados da história. O samba-enredo "Festa profana", cantado até hoje pelo Brasil, trazia o refrão "Eu vou tomar um porre de felicidade, vou sacudir eu vou zoar toda cidade". O desfile da escola, que conquistou o terceiro lugar naquele ano, ficou marcado pela empolgação do carnavalesco Quinho, que deu um espetáculo à parte ao interpretar o samba-enredo da escola. Enquanto isso, os sambistas contavam a história do Carnaval em diversas culturas antigas.

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Mangueira, 1984

Campeã do Carnaval de 1984, a Estação Primeira de Mangueira encheu a passarela do samba com as típicas cores verde e rosa e um samba-enredo que é lembrado até hoje. O desfile de "Yes, nós temos Braguinha" foi marcante por reunir grandes nomes do samba como Cartola, Jamelão e Carlos Cachaça, todos célebres boêmios que fizeram a história da Mangueira e do samba nacional. No ano de inauguração do Sambódramo, a Mangueira protagonizou um dos momentos mais marcantes do Carnaval carioca. Após desfilar, a escola retornou pela Sapucaí, sendo aclamada pelo público.

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Gaviões da Fiel, 1995

O Carnaval paulista balançou com um dos mais lembrados sambas que passaram pelo sambódromo. O primeiro título da Gaviões da Fiel veio em 1995 com o samba-enredo "O que é bom dura pra sempre". O desfile é lembrado até hoje por ter traduzido em imagens os versos da canção, que tem versos como: "Me dê a mão, me abraça/ Viaja comigo pro céu". O mar preto e branco se espalhou pela passarela em alegorias de reis, fadas e gaviões. O carisma dos integrantes da comissão de frente, responsável por saudar o público e apresentar a escola, foi um dos grandes destaques do desfile.

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Unidos da Tijuca, 2004

Em 2004, o desfile inesquecível do Carnaval carioca ficou por conta da Unidos da Tijuca e seu samba enredo "O sonho da criação e a criação do sonho: a arte da ciência no tempo do impossível". O desfile traduziu em imagens muitas descobertas da ciência que marcaram a História do homem. Enquanto isso, o samba afirmava que todas as grandes descobertas foram, antes de tudo, sonhos. Nesse desfile despontou o novo grande nome do Carnaval: Paulo Barros. Discípulo de Joãosinho Trinta, ele marcou o desfile pela sua criatividade. Uma das invenções de Barros foi o famoso carro coreografado em forma de DNA.