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Dez livros fundamentais para entender a literatura latino-americana

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Introdução

Muitos estudiosos afirmam que o Brasil é o país menos latino da América Latina. Diversos fatores levaram a isso. Diferente de nossos vizinhos, temos uma grande massa territorial, usamos o idioma português e nossa independência nos tonou um Império e não uma República, como aconteceu com eles. Por mais perto que estejamos deles, somos pouco influenciados culturalmente. Entretanto, de um jeito diferente também construímos a cultura latino-americana e isso pode ser visto não apenas em músicas e novelas, mas também na literatura. Aqui, você vai encontrar os dez principais livros para entender um pouco mais dessa arte.

Mario Tama/Getty Images News/Getty Images

"A Cidade e os Cachorros", de Mario Vargas Llosa

O jornalista e escritor peruano Mario Vargas Llosa ficou famoso nos últimos anos após ganhar o prêmio Nobel de Literatura em 2010. Ele possui vários livros famosos, como "Tia Júlia e o Escrevinhador" e "Travessuras da Menina Má", e todos podem ajudar você a entender um pouco a cultura peruana e latino-americana. "A Cidade e os Cachorros" traz a história de um grupo de meninos de diversas regiões do Peru que chegam, cada um com sua história, a um internato onde muitas coisas acontecem sem que sejam supervisionadas. O romance faz uma crítica ao conceito errado que se criou da virilidade que anula a sensibilidade.

Joe Raedle/Getty Images News/Getty Images

"Cem Anos de Solidão", de Gabriel García Márquez

Considerado um dos autores mais importantes do século 20, o colombiano Gabriel García Márquez também já ganhou o Nobel de Literatura em 1982. Ele escreveu diversos livros, como "Relato de um Náufrago" e "Memórias de Minhas Putas Tristes". O famoso "Cem Anos de Solidão" é focado na família Buendía e se passa na mítica cidade de Macondo. Utilizando-se do realismo mágico, Marquez traz corrupção, guerra, incesto, morte, loucura em uma rede familiar que pode confundir o leitor desatento, afinal são muitos familiares com os mesmos nomes, como Arcádio, Aureliano e Amaranta. Algumas edições trazem a árvore genealógica dos Buendía, que ajuda a entender melhor a trama.

Keystone/Hulton Archive/Getty Images

"Ficções", de Jorge Luís Borges

O escritor argentino Jorge Luís Borges marcou sua obra com a literatura fantástica. Sua cegueira, que veio aos poucos ao longo de sua vida, o ajudou a criar um imaginário com diversos símbolos literários. "Ficções" reúne contos publicados pelo autor sob o título de "O Jardim de Veredas que se Bifurcam". Um de seus contos mais famosos é "A Biblioteca de Babel", que retrata o universo como uma biblioteca infinita, eterna e inútil. Além de "Funes, o Memorioso", sobre um homem que tinha muitas lembranças, tantas que ultrapassavam a soma de todas as lembranças de todos os homens que existiram desde que o mundo é mundo.

Obvious Lounge

"Dom Casmurro", de Machado de Assis

Muitos foram obrigados a ler este clássico brasileiro na escola ou para prestar o vestibular. Por isso, "Dom Casmurro" algumas vezes é visto com maus olhos. Mas o romance diz muito sobre nossa cultura e traz uma crítica à sociedade do século 19. A história gira em torno do casal formado por Capitu e Bento, apelidado de Dom Casmurro. A polêmica central do romance e que não é revelada em nenhum momento por Machado de Assis é se Capitu traiu ou não o marido. Desde a publicação do livro, muito se discute sobre o assunto, porém o autor quis deixar o julgamento para o leitor.

La Tercera

"Três Tigres Tristes", de Guillermo Cabrera Infante

Com um texto divertido e com alguns trocadilhos, o cubano Guillermo Cabrera Infante traz em seu romance mais célebre diversas histórias sobre a noite de Cuba, com seus escritores, intelectuais, artistas, cantoras e prostitutas. O escritor e opositor de Fidel Castro morou em Havana e posteriormente em Londres, onde veio a falecer. Segundo o autor, o romance deve ser lido à noite, pois celebra a noite tropical. O livro começa no cabaré Tropicana e logo depois já introduz a garota-propaganda Gloria Pérez. "Três Tigres Tristes" é um clássico da literatura cubana e perfeito para entender um pouco mais da cultura do país.

Keystone/Hulton Archive/Getty Images

"Homens de Milho", de Miguel Ángel Asturias

Com um toque indígena, o realismo fantástico do autor guatemalense Miguel Ángel Asturias se destacou em 1967, ao ganhar o Nobel de Literatura. Em "Homens de Milho", Astúrias faz uma denúncia sobre a influência do capitalismo e das empresas internacionais nos costumes, crenças e na despersonalização e insegurança que a globalização trouxe aos camponeses guatemaltecos. O autor também escreveu "Lendas da Guatemala", "O Senhor Presidente" e "A Trilogia da República da Banana". O romancista e professor de Antropologia de Sorbonne, em Paris, também foi deputado, além de embaixador em diversos países da América do Sul.

Blog Puerto Mediterraneo del Libro

"47 Contos de Juan Carlos Onetti", de Juan Carlos Onetti

Mesmo sem completar o Ensino Médio, o romancista e contista uruguaio Juan Carlos Onetti é mundialmente conhecido. As históricas reunidas em "47 Contos de Juan Carlos Onetti" foram escritas entre 1933 e 1993 e publicados em jornais da América e da Espanha, onde o autor passou a morar a partir de 1975. As histórias trazem personagens complexos e se passam na fictícia cidade de Santa Maria. Os desesperançados e inconformados anti-heróis dos contos constroem histórias de amor, solidão, humor, crueldade, tragédia e ilusão. Juan Carlos Onetti também escreveu o livro "A Vida Breve", com um protagonista que muda de identidade após ser demitido de uma agência de publicidade.

Revista emeequis

"Vida Conjugal", de Sergio Pitol

O professor, tradutor e novelista mexicano Sergio Pitol traz uma protagonista em conflito com si mesma em "Vida Conjugal": María Magdalena, que passa a se chamar Jaqueline Cascorro após abandonar a vida humilde que levava. O livro, que traz uma crítica aos "novos ricos" da sociedade mexicana, que se esforçam para serem aceitos nos meios culturais mesmo sem nenhum refinamento, apresenta o casal Jaqueline e Nicolás, que melhoram de vida com a ascensão do marido no ramo hoteleiro. A trama é circular, com Jaqueline se afundando em imersões literárias, amantes e planos para assassinar o seu marido, que igualmente trai sua esposa.

Ministério das Relações Exteriores do Chile

"2666", de Roberto Bolaño

As mais de mil páginas de "2666" ajudou o chileno Roberto Bolaño a se tornar uma lenda do mundo literário não apenas na América Latina. O romance publicado postumamente foi a maior ocupação dos últimos cinco anos da vida do autor. O livro relata uma série de homicídios que apresentam certo vínculo com Benno von Archimboldi, pseudônimo do escritor Hans Reiter. Em seu livro inacabado, Bolaño consegue ir além da já conhecida literatura latino-americana e por isso ele pode ser considerado uma das vozes mais influentes da região nos últimos 40 anos.

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"Azul", de Rúben Darío

Pouco conhecido entre os brasileiros, o nicaraguense Rúben Darío é o maior nome do Modernismo na língua espanhola. Seu livro "Azul" é um conjunto de 13 contos, com destaque para a primeira fábula da coletânea: "Rei Buguês", uma crítica à burguesia que marginaliza os poetas. O sacrifício da cultura refinada em prol da burguesia ascendente também é vista no conto "O Sátiro Surdo". No século 20, Darío provocou um escândalo com sua ousadia. Ele publicava seus contos, crônicas e críticas literárias em jornais e alguns de seus poemas eram críticas e denúncias de problemas sociais e políticos.