Doenças musculares em bezerros

Escrito por elizabeth miller | Traduzido por débora faggioni
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Doenças musculares em bezerros
A doença do músculo branco pode ser prevenida por uma dieta balanceada (calf image by max from Fotolia.com)

A doença do músculo branco, também conhecida como distrofia muscular nutricional, é causada por uma deficiência de vitamina E, de selênio ou de ambos. Se se apresentar no momento do nascimento, ela é conhecida como distrofia muscular congênita; se o início é mais tardio, já se trata da distrofia muscular enzoótica. Ela ocorre em todas as espécies de animais de exploração agropecuária, especialmente bezerros, cordeiros, filhotes de cabras e potros. Os sintomas clínicos incluem rigidez, fraqueza e prostração. O diagnóstico clínico pode ser confirmado por níveis elevados de enzimas musculares (CK e AST), níveis baixos de vitamina E e selênio na dieta, nos tecidos e no soro e degeneração muscular. Os músculos afetados geralmente se apresentam pálidos na necrópsia.

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Incidência da doença do músculo branco

A doença do músculo branco costumava ser comum, mas agora seus registros em bezerros recém-nascidos são bem raros. Isto pode ser explicado pelo aumento da utilização de vacinas em todo o mundo, e o desenvolvimento de dietas mais balanceadas também diminuiu a incidência. Normalmente, nos primeiros dez dias, o recém-nascido recebe injeções de vitamina E e selênio para prevenir a doença. Nos casos em que se suspeita de doença, deficiências nutricionais são normalmente detectadas.

A bioquímica do desenvolvimento da doença do músculo branco

Os ácidos graxos poli-insaturados na dieta, a falta de exercícios e o crescimento rápido são fatores que contribuem para o desenvolvimento de doença do músculo branco. A vitamina E e o selênio protegem as membranas celulares contra os radicais livres que causam a peroxidação dos lípidos da membrana. A vitamina E diminui a formação de hidroperóxido, o que destrói os radicais livres dentro e fora da célula. O selênio é um elemento essencial da enzima glutationa peroxidase, que atua no interior da célula protegendo suas membranas e organelas do dano peroxidativo. Com baixos níveis de vitamina E ou de selênio, as membranas celulares são danificadas, permitindo a entrada de muito cálcio dentro e lesionando as mitocôndrias que são a força motriz da célula, necessária para manter a homeostase. Essas lesões provocam morte celular ou necrose segmentar.

História da distrofia muscular enzoótica

Em 1953, os doutores Blaxtar e Sharman da North of Scotland College of Agriculture informaram que a distrofia muscular de bezerros de corte em lactação era bastante comum. A doença ocorria em 15 a 25 % em todas as fazendas de criação de gado de corte, e a incidência dentro das fazendas se aproximava de 90 %. A doença parecia ser semelhante à deficiência experimental de vitamina E e à síndrome de toxidade do óleo de fígado de bacalhau em bezerros. Geralmente ocorria em bezerros nascidos no interior de celeiros, na primavera, de mães que tinham sido confinadas desde o outono anterior e a alimentação de inverno tinha baixo teor de alfa-tocoferol (vitamina E). O óleo de fígado de bacalhau era o tratamento comum.

O estudo de um caso de distrofia muscular congênita

Sameeh Abutarbush e Otto Radostits, médicos veterinários na Western College of Veterinary Medicine, em Saskatchewan, no Canadá, estudou uma bezerra Aberdeen Angus de 13 horas de idade que foi levada à sua clínica de grandes animais em decúbito e incapacidade de se mover. Com base nos achados clínicos, o aumento sérico de creatina quinase e diminuição dos níveis séricos de selênio e vitamina E, os veterinários suspeitaram de distrofia muscular congênita. A biópsia muscular, que poderia ter confirmado o diagnóstico, não foi feita. Os doutores suspeitaram que a incapacidade do bezerro em sugar tinha sido causada por fraqueza dos músculos da língua. Outras complicações ocorreram devido à falta de proteínas e imunoglobulinas do colostro. O bezerro foi tratado com terapia de suporte líquido, vitamina E e selênio, com um resultado positivo. Em seu trabalho de 2003, afirmaram que os casos de distrofia muscular congênita são agora muito raros.

Tratamento e prevenção

Trate os casos precoces da doença do músculo branco com injeção parenteral de vitamina E e selênio. Um veterinário deve ser consultado para o diagnóstico e o tratamento precisos, já que altos níveis de selênio são tóxicos. Meça os níveis sanguíneos totais de selênio e os níveis plasmáticos de alfa-tocoferol. Carências de selênio e de vitamina E também podem causar deficiência reprodutiva e a fragilidade dos glóbulos vermelhos pelo aumento do dano oxidativo.

Previna a doença do músculo branco pela suplementação de vitamina E e selênio na dieta das vacas prenhes ou pela administração estratégica por via oral e / ou parenteral de vitamina E e selênio para as vacas prenhes ou animais jovens no pasto.

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