Entenda a homossexualidade através da ciência

Escrito por pedro santos
Entenda a homossexualidade através da ciência
Ainda há muita controvérsia sobre o resultado das pesquisas científicas sobre o assunto (Chad Baker/Jason Reed/Ryan McVay/Photodisc/Getty Images)

Ainda hoje, a ciência não conseguiu entender completamente os mecanismos biológicos que levam a diferentes comportamentos sexuais. Sociologicamente, a homossexualidade ainda é um assunto incompreendido. Todos os anos, incontáveis formas de atos violentos originados por homofobia mostram que muitas pessoas se recusam a aceitar a homossexualidade. Embora muitos acreditem que esse comportamento é uma "opção sexual", a ciência já está certa de que não se trata de opção. Tudo indica que a homossexualidade é uma característica evolutiva da espécie, provavelmente com origem genética. No reino animal, há evidências de comportamento homossexual e bissexual em mais de 1500 espécies.

Primeiros estudos

Já há alguns anos, a ciência está dedicada a descobrir as causas da homossexualidade. Pesquisas científicas podem ajudar a acabar com o preconceito. Isso porque elas seriam capazes de provar que o comportamento homossexual não é uma escolha consciente do indivíduo, mas pode ser determinado biologicamente. No século 19, a homossexualidade era tratada como um transtorno mental originado por problemas na educação das crianças. Essa ideia foi considerada por boa parte do século 20. A "culpa" da homossexualidade seria então um problema educacional, que poderia ser revertido. Nos anos 40, o Relatório Kinsey indicou que a taxa de homossexuais na população seria de cerca de 10%, mas pesquisas recentes indicam que esse número seria de 5%.

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Pesquisas científicas podem ajudar a acabar com o preconceito (Pixland/Pixland/Getty Images)

Indícios biológicos

Foi apenas no ano de 1973 que a Associação Psiquiátrica Americana decidiu retirar a homossexualidade da lista de distúrbios mentais. O termo passou de homossexualismo (que denota a ideia de doença) para homossexualidade. Finalmente, cientistas e psiquiatras passaram a ver a atração sexual por pessoas do mesmo sexo como parte natural do comportamento humano. No início dos anos 90, o neurocientista Simon LeVay encontrou diferenças em cérebros de homens gays e héteros. Esse foi considerado o primeiro indício sobre a origem biológica da homossexualidade.

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Nos anos 70, a homossexualidade saiu da lista de distúrbios mentais (Ryan McVay/Photodisc/Getty Images)

Cromossomo X

Em 1993, nos Estados Unidos, o pesquisador do Instituto Nacional do Câncer Dean Hamer descobriu que há mais gays do lado materno das famílias. De acordo com ele, isso pode indicar que o comportamento homossexual estaria ligado ao cromossomo X (as mulheres possuem dois cromossomos X; os homens possuem um X e um Y). A pesquisa sugeria com propriedade que os indivíduos não escolhem ser homossexuais, mas nascem dessa forma. Foi um resultado importante para a comunidade homossexual no mundo inteiro, já que a ciência indicava com propriedade que não há nada de antinatural em ser homossexual.

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O comportamento homossexual pode estar ligado ao cromossomo X (Comstock/Stockbyte/Getty Images)

Pesquisas recentes

Outros cientistas acreditam que a genética por si só não seria capaz de explicar a homossexualidade, que talvez seja uma combinação de fatores. Estima-se que até 40% da orientação sexual possa vir dos genes. Pesquisas mais recentes afirmam que a orientação sexual pode estar relacionada a marcadores epigenéticos, que são modificações no DNA capazes de expressar ou não determinado gene. Outros elementos seriam o desenvolvimento biológico do feto no útero por meio de hormônios cerebrais. Essas conexões estariam relacionadas com a orientação sexual.

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Outros cientistas acreditam que a genética por si só não seria capaz de explicar a homossexualidade (Digital Vision./Photodisc/Getty Images)