Entenda as manifestações sobre o transporte público em São Paulo

Escrito por túlio pires bragança Google
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Entenda as manifestações sobre o transporte público em São Paulo
Protestos por melhorias no transporte começaram em São Paulo e se espalharam pelo país (getty images)

Desde junho de 2013 a cidade de São Paulo tem sido palco de grandes manifestações populares a favor de melhores condições do transporte. O que começou como um movimento que pedia o fim do aumento de 20 centavos na tarifa de ônibus e metrô acabou se tranformando em uma onda de protestos nunca antes vista no Brasil. As manifestações ganharam todo o país, enchendo as ruas com brasileiros indignados e exigindo uma nação melhor, com melhores condições de saúde, transporte, educação e menos corrupção. Os protestos coincidiram com o período da Copa das Confederações, uma prévia da Copa do Mundo, o que aumentou ainda mais a revolta das pessoas contra o gasto público para este evento.

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Aumento da tarifa em São Paulo

No dia 2 de junho de 2013 as tarifas de ônibus e metrô da cidade de São Paulo foram reajustadas em vinte centavos, indo de R$3,00 para R$3,20. Dez dias antes do aumento, a prefeitura e o governo estadual já haviam anunciado esse reajuste de 6,7%. Em 2012, ano de eleições municipais, o então prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, não havia aumentado a tarifa, pressionando ainda mais ao atual prefeito Fernando Haddad a subir os preços. Calcula-se que as empresas que operam no transporte público de São Paulo receberam em 2012 cerca de R$ 1 bilhão em subsídios, mantendo assim a tarifa no atual valor.

Entenda as manifestações sobre o transporte público em São Paulo
Aumento de 6,7% na tarifa foi o disparador das manifestações (Rafael S. Fabres/Getty Images News/Getty Images)

Primeiros protestos

No dia 7 de junho, menos de uma semana após o reajuste da tarifa de ônibus da cidade de São Paulo, o movimento Passe Livre fez a sua primeira manifestação contra o aumento. Cerca de 4 mil pessoas marcharam pelas ruas da capital paulista, sendo duramente repreendidos pela polícia. Nos dias 7 e 11 de junho outros protestos foram realizados e 20 manifestantes terminaram detidos. As manifestações ganharam bastante destaque na mídia, porém sob uma ótica que as colocava como atos protagonizados por arruaceiros ou pessoas que atrapalhavam o trânsito. Os jornais Folha de São Paulo e O Estado de São Paulo fizeram duros editoriais, pedindo mais ação da polícia. O governador Geraldo Alckmin também veio a público questionando a legitimidade dos protestos e elogiando a postura da Polícia Militar.

Entenda as manifestações sobre o transporte público em São Paulo
Protestos começaram de forma pacífica mas terminaram em vandalismo (Rafael S. Fabres/Getty Images News/Getty Images)

Repressão desmedida da polícia

Os protestos na cidade de São Paulo ganharam muito mais força depois da noite de 13 de junho de 2013. Nesse dia milhares de paulistas saíram às ruas para outra manifestação, porém a repressão da polícia militar foi extremamente forte. Manifestantes que protestavam em paz foram recebidos à bala de borracha e gás lacrimogênio. A tropa de choque da PM atacou jovens, adultos e até mesmo idosos. Dois repórteres que cobriam o protesto foram atingidos no olho, um deles perdendo parte da sua visão. Imagens da violência policial e da guerra que se viu nas ruas de São Paulo invadiram as redes sociais, indignando pessoas de todo o Brasil e contribuindo para que ainda mais gente se unisse aos protestos.

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Polícia usou de força excessiva para reprimir protestos (Rafael S. Fabres/Getty Images News/Getty Images)

Vaia à presidente e revogação da tarifa

À medida que os protestos se espalharam pelo Brasil, as reinvindicações ficaram mais diversas. Durante a abertura da Copa das Confederações, no dia 15 de junho, em Brasília, a presidente Dilma Roussef foi vaiada pelos torcedores, que protestavam contra a atual política nacional. Depois de muita pressão, o prefeito de São Paulo Fernando Haddad e o governador do estado Geraldo Alckmin deram um passo atrás e revogaram o aumento de vinte centavos da tarifa de transporte. Porém os protestos já haviam ganho outra dimensão. "Não é só pelos 20 centavos", diziam os cartazes dos manifestantes. A revolta agora era por uma vida mais digna e um país menos corrupto.

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Presidente Dilma foi vaiada (Clive Rose/Getty Images Sport/Getty Images)

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