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Os estágios de desenvolvimento da fé de Fowler

Atualizado em 17 abril, 2017

O psicólogo de crianças Jean Piaget revolucionou a forma como as pessoas pensam o desenvolvimento da infância, ao conceituar estágios previsíveis e observáveis ​no desenvolvimento cognitivo. O psicólogo Lawrence Kohlberg estendeu a teoria de Piaget em fases de "desenvolvimento moral". Em 1981, o teólogo James W. Fowler III ampliou ainda mais essas teorias para incluir seis estágios de desenvolvimento da fé.

Thomas Becket atingiu o sexto estágio (Photos.com/Photos.com/Getty Images)

Intuitivo-preditivo

Com a primeira aquisição do discurso simbólico, uma criança -- ainda vivendo em um mundo completamente egocêntrico -- imagina as coisas de maneiras não limitadas pela lógica. A fé é germinal, a primeira incorporação de alguns tabus, em um mundo onde o bem e o mal são arbitrários e o contexto é de magia. A criança ainda não conectou os símbolos e as ideias sobre causa e efeito, além daquilo que a atinge diretamente.

Mítico-literal

Na fase em que a criança se torna receptiva a histórias, ela pode começar a imaginar que pode projetar-se nessas histórias. As ideias gerais sobre a equidade e a justiça já começam a aparecer e, com essas ideias, uma noção de significação. A criança pode começar a tentar "viver dentro" das histórias, a comportar-se compreensivelmente e diferenciar a fantasia da realidade.

Sintético-convencional

O estágio três é o sintético-convencional. Esta é uma fase em que muitas pessoas permanecem por toda a vida. A fé é entendida no contexto de muitas experiências além da família -- escola, trabalho, mídia e às vezes da igreja. Eles sintetizam experiências em um universo simbólico. Esse estágio é convencional porque é conformista. A fé faz parte de um desejo maior para se ajustar, de pertencer. A identidade está se formando, mas ainda é maleável.

Individuativo-reflexivo

Experiências que mudam radicalmente a realidade de alguém -- uma mudança cultural, uma grande jogada ou viver por conta própria -- pode precipitar a pessoa para o próximo estágio, individuativo-reflexivo, da fé. A identidade se desestabiliza e o indivíduo toma consciência das contradições das crenças. Ele assume mais iniciativa e ganha um senso de domínio e, às vezes, de ambição. Ele vê seu ego contra uma "visão de mundo". Fowler observa que há um perigo nesta fase de enveredar a um segundo narcisismo -- uma obsessão com o ego -- que pode levar a uma transformação da fé, dando maior poder para o egocentrismo. Se este segundo narcisismo não surge, esta fase pode levar à agitação, desilusão e à busca.

Conjuntivo

No estágio, quatro os crentes se submetem a um reexame de seus valores, que pode os levar (em vez de a um segundo narcisismo) ao que Ricoeur chamou de "segunda ingenuidade", em que o sentido se junta aos conceitos. O crente entende a dúvida como parte da sabedoria, e as fronteiras rígidas do egocentrismo tornam-se permeáveis. A pessoa torna-se aberta a novas compreensões, até para conversões distantes de crenças anteriores. O risco associado à fase cinco é o cinismo. A pessoa pode vir a acreditar que não há significados, adotando uma atitude de estoicismo isolado.

Universalização

As pessoas raramente atingem a fase seis. Exemplos desse estágio seis incluem mártires e santos, como Gandhi, Madre Teresa de Calcutá, o arcebispo Romero e Martin Luther King. Estas são pessoas que expandiram seu círculo de preocupação para incluir toda a humanidade, e até mesmo toda a natureza. Nesta fase, eles celebram a vida e ao mesmo tempo se rendem facilmente ao martírio. Uma característica da fé do estágio seis é "irrelevância relevante": Madre Teresa era um exemplo disso, quando se envolvia em tarefas domésticas (irrelevantes) para pessoas pouco valorizadas, e via isso como uma preocupação, em última análise, relevante.

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