Uma explicação dos Dez Princípios de Economia

Escrito por anna rangel
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Uma explicação dos Dez Princípios de Economia
Os chamados "dez princípios da economia" foram estudados por Greg Mankiw (Medioimages/Photodisc/Photodisc/Getty Images)

Greg Mankiw, economista americano, é o responsável pela compilação de dez princípios considerados por ele vitais para a saúde da política econômica de qualquer país. Mankiw, cuja obra é usada como base em cursos de economia por todo o mundo, foi conselheiro do ex-presidente George W. Bush entre 2003 e 2005 e do candidato republicano às eleições de 2012, Mitt Romney, a quem acompanhou desde 2006, quando este era governador de Massachusetts. O economista é professor na Universidade Harvard e tem uma postura notadamente conservadora em temas econômicos -- embora já tenha manifestado, por exemplo, seu apoio à união homoafetiva.

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As pessoas enfrentam trade-offs

'Trade-off' é um termo usado para definir uma escolha que envolve um conflito interno, algum tipo de indecisão, seja ética ou pragmática. Por exemplo, a forma como o governo de um país, uma grande empresa ou mesmo uma família decidem gastar sua renda é um constante trade-off, no qual abre-se mão de alguns benefícios para conseguir outros. Um exemplo abordado por Mankiw na obra é o conflito de igualdade (distribuição de recursos entre todos) versus eficiência (benefícios máximos em recursos escassos), como o aumento do imposto de renda para os ricos, o que maximiza a igualdade mas impede a fruição de benefícios máximos.

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Como conciliar igualdade e eficiência nas sociedades? (Jupiterimages/Pixland/Getty Images)

O custo de alguma coisa é o que você abre mão para consegui-la

Definido por Mankiw como "custo de oportunidade", é a consequência direta do conceito de 'trade-off': conseguir algo significa sacrificar outras coisas em nome de um ganho futuro. Fazer um curso, por exemplo custa, além da mensalidade, o valor dos livros e o tempo dedicado a esta atividade. Todas as decisões devem ser tomadas levando em conta o custo total do que será feito, seja em um processo pessoal ou de gestão econômica de uma corporação ou empresa.

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Fazer um curso ou trabalhar mais para subir na carreira? Um exemplo de 'trade-off' no dia-a-dia (Jupiterimages/BananaStock/Getty Images)

Pessoas racionais pensam na margem

A definição de pessoa racional é aquela que busca, de forma sistemática e cuidadosa, fazer seu melhor para alcançar os mais diversos objetivos. Mankiw acredita que, no processo de tomada de decisão, é primordial levar em conta fatores marginais -- como o trade-off e o custo de oportunidade. Se o estoque de uma loja encalha, é mais interessante aos proprietários organizar uma liquidação e vender tudo com altos descontos. Isso porque custa muito mais ao empresário manter guardada a mercadoria do que despachá-la o mais rápido possível, mesmo que isso represente um ganho bruto menor.

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Para Mankiw, fatores externos devem ser levados em conta, tanto nos negócios como na economia (Jupiterimages/Brand X Pictures/Getty Images)

As pessoas respondem a incentivos

Um incentivo é qualquer coisa que faça uma pessoa agir, num processo que leva em consideração custos e benefícios. Se o preço do arroz aumenta, a procura por arroz pode diminuir, em detrimento de produtos mais baratos. Porém, alguns empresários podem perceber uma possibilidade de aumentar os ganhos, já que produzir o arroz se tornou mais lucrativo. Um exemplo foi o incentivo do governo, com a redução do IPI, para compras de automóveis e linha branca. Essa foi a forma encontrada pela equipe econômica para continuar movimentando essa produção a despeito da crise internacional e de indicadores menos otimistas para o mercado interno.

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A estratégia do Brasil contra a crise foi incentivar o consumo interno (George Doyle/Stockbyte/Getty Images)

O comércio pode ser bom para todos

As empresas podem se tornar parceiras, mas também são concorrentes. Se duas delas produzem um produto muito semelhante, a competição pode contribuir para o oferecimento de preços mais justos, numa tentativa de conquistar o consumidor. Os investimentos em tecnologias mais inovadoras também aumenta, já que é preciso manter-se sempre atualizado para competir em igualdade com a concorrência. O outro lado do comércio é o sistema de parceria, onde pessoas, empresas e governos contribuem entre si com o que produzem de melhor, fomentando o avanço tecnológico, de livre mercado e de circulação de capital.

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O livre comércio é bom para pessoas, empresas e nações, diz Mankiw (Digital Vision./Digital Vision/Getty Images)

Os mercados: uma boa maneira de organizar a atividade econômica

Uma economia de mercado, por definição, é aquela que aloca recursos com base em decisões pulverizadas, de empresas grandes e pequenas, que interagem comercializando bens e serviços. A crítica de Mankiw às economias planificadas, como as comunistas, é que o mercado não consegue funcionar sem uma descentralização das decisões. Adam Smith usava a alegoria da mão invisível em "A Riqueza das Nações", no qual ele via o mercado como médico e juiz da economia. Cada indivíduo deve ser livre para perseguir seus próprios interesses, acreditava Smith e, muito posteriormente, Mankiw.

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Para Mankiw, a descentralização das decisões nas economias capitalistas propicia um ambiente para o mercado se regenerar sozinho (Mario Tama/Getty Images News/Getty Images)

Os governos podem otimizar os mercados

Os governos federais devem intervir nos mercados apenas em duas ocasiões: para promover eficiência ou igualdade. Essa interferência é especialmente bem vinda quando há a possibilidade das chamadas falhas de mercado, por conta de uma má alocação dos recursos. Isso aconteceu no início da crise de 2008, quando bancos de credibilidade até ali impecável vieram à falência, surpreendendo economistas e derrubando mercados estrangeiros. O capitalismo premia aqueles que têm a iniciativa de produzir bens que outros estejam dispostos a comprar. Por isso, é esperada alguma discrepância entre os ganhos de cada um. Nesse caso, alguma interferência da autoridade governamental é esperada.

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Dois funcionários da casa de leilões Christie's carregam para leilão a placa do banco Lehman Brothers, que faliu em 2008 (Oli Scarff/Getty Images News/Getty Images)

Um país depende de sua capacidade de produzir bens e serviços

As discrepâncias nos índices de qualidade de vida de diferentes países é explicada por Mankiw pela diferença de produtividade entre eles. Ele define produtividade como "a quantidade de produtos e serviços produzida no intervalo de uma hora por cada trabalhador". Nesse caso, entram na conta também aspectos internos como os custos de produção, infraestrutura logística (portos, estradas, ferrovias) e a lentidão da burocracia local, por exemplo. Em países que já fizeram seu investimentos para sanar esses problemas, a produtividade aumenta e, com isso, bens e serviços se tornam mais acessíveis e menos custosos. No caso brasileiro, muito se fala a respeito dos gargalos logísticos para o desenvolvimento econômico nacional.

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Quanto maior a produção de bens e serviços, maior o padrão de vida da sociedade (Photos.com/Photos.com/Getty Images)

Os preços sobem quando o governo emite moeda demais

Se inflação significa o aumento geral dos preços dentro de uma economia, a impressão desenfreada de papel-moeda diminui o valor desta. Foi uma estratégia usada algumas vezes ao longo da história, por exemplo na Alemanha durante a República de Weimar, nos anos 20. Um jornal custava, em fevereiro de 1921, 30 centavos de marco. Em novembro de 1922, o mesmo periódico já custava 70 milhões de marcos. A falsificação de moeda também contribui para o aumento da inflação, pois aumenta a quantidade de dinheiro em circulação.

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Mercado na China: excesso de moeda a longo prazo desvaloriza o câmbio e aumenta os preços (ChinaFotoPress/Getty Images News/Getty Images)

A sociedade enfrenta um trade-off de curto prazo entre inflação e desemprego

Se a curto prazo o efeito de uma injeção monetária na economia significa aumento dos preços com diminuição do desemprego, esse recurso pode também trazer desvalorização cambial. Mais dinheiro em circulação significa mais gastos, em todas as esferas da sociedade. Aumenta-se a demanda de produtos, o que joga o preços para cima. A ideia é aproveitar os períodos de aumento de demanda para elevar o número de contratações. Da mesma forma, a falta de moeda faz com que se gaste menos, gerando assim menor demanda e menos postos abertos de trabalho. Mankiw e outros analistas, porém, interpretam esses efeitos como sendo naturais dos ciclos econômicos.

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A política econômica deve balancear inflação e desemprego, segundo Greg Mankiw (Jupiterimages/Photos.com/Getty Images)

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