Fatos sobre trabalho exploratório da Nike

Escrito por emily beach | Traduzido por bruna biagioli
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Fatos sobre trabalho exploratório da Nike
A Nike é uma das maiores marcas de esportes no mundo (Wiki Commons)

A Nike é uma das maiores marcas de esportes no mundo. Embora venda milhões de sapatos e vestimentas por ano, ela não produz nenhum desses artigos. Ao contrário, contrata serviços de manufatura facilitados por todo o mundo. Quase 800 mil pessoas trabalham nessas fábricas, localizadas principalmente na Ásia. Desde os anos 90, a companhia vem sendo acusada de lucrar com a exploração de trabalho ilegal. Mesmo esforçando-se para melhorar a situação, muitos grupos de direitos humanos a vêm pressionado por melhores salários e outras mudanças maiores.

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História

Quando a Nike foi fundada, em 1972, contratou fábricas em Taiwan e Coreia do Sul para manufaturar sapatos e acessórios. Nas próximas duas décadas, trabalhadores desses países pressionaram seus governos e conseguiram os direitos de melhores salários e de formar sindicatos. Encarando essas novas mudanças, a Nike mudou grande parte de sua produção para países como a China, Indonésia e Vietnã, onde não é permitido aos trabalhadores se unir e formar sindicatos e o salário é um dos mais baixos do mundo.

A campanha da Nike

Em meados dos anos 90, histórias perturbadoras vindas de várias fábricas ao redor do mundo estavam se espalhando. Algumas descreviam trabalho infantil, salários bem abaixo do nível de pobreza e horas extras forçadas. Outras diziam que havia abuso físico dos supervisores das fábricas, exposição a perigos químicos e má qualidade de ar. Essas histórias chamaram a atenção de grupos de direitos humanos, que começaram a chamar a atenção da mídia, esperando que a pressão do público trouxesse mudanças. Grupos como "Education for Justice" (Educação por Justiça), "Global Exchange and Students Against Sweatshop Labor" (Globalização e Estudantes Contra o Trabalho Explorador) lideraram a causa contra a Nike. É importante lembrar que o uso de trabalho exploratório não era -- e continua sendo -- praticado apenas por essa empresa. O grupo "Global Exchange" explica ainda que ela foi o principal foco da campanha por ser a indústria líder.

Protestos dos trabalhadores

Juntamente com as campanhas dos grupos de direitos humanos, a Nike começou a enfrentar protestos dos próprios empregados. Enquanto a Indonésia, China e Vietnã possuem pouca legislação sobre salário, a Nike enfrentou o governo desses países ano pós ano e obteve sucesso em pagar salários muito abaixo do mínimo. Ela contornava ainda mais as leis salariais pagando para novos funcionários durante meses o que deveria ser pago apenas para aprendizes. Em Abril de 1997, mais de 10 mil empregados da Nike na Indonésia entraram em greve para protestar contra leis e salários atrasados, e 1.300 vietnamitas também entraram em greve reivindicando aumento de 1% no salário por hora trabalhada. Nos anos seguintes, 3 mil trabalhadores na China protestaram contra as condições de risco no trabalho e leis salariais. Todos esses protestos ocorreram mesmo a greve operária sendo ilegal nesses países.

Melhorias feitas pela Nike

Pressionada pelo público e pelos grupos de direitos humanos, a Nike melhorou as condições de trabalho de seus empregados. Em 1998, os produtos químicos perigosos a base de petróleo usados na maioria das fábricas foram substituídos por alternativas menos prejudiciais. Em 1999, os salários nas fábricas da Indonésia foram aumentados acima do salário mínimo. A companhia também concordou em ser inspecionada aleatoriamente pela "Fair Labor Association" (Associação do Trabalho Justo) e em estabelecer monitoramento independente com organizações dos Estados Unidos e Internacionais. Finalmente, ela adicionou a seu time quase 100 empregados para serem responsáveis por inspecionar as fábricas parceiras da companhia. Os inspetores avaliam desde a segurança do empregado até as condições humanas de trabalho e comunicam aos gerentes das fábricas os problemas encontrados.

Novos padrões

Em 2002, a Nike emitiu um Código de Conduta em todas suas fábricas, regularizando as condições e requisitos de segurança que deveriam ser cumpridos. O relatório de responsabilidade da companhia em 2004 estabeleceu outros padrões de saúde e trabalho e descrevia melhorias no plano de monitoração. Esse relatório foi considerado a maior vitória para os trabalhadores e grupos de direitos humanos, pois a Nike incluiu uma lista completa de suas fábricas e seus endereços ao redor do mundo, permitindo investigações e monitorações independentes. Mesmo que isso tenha sido considerado positivo para a Nike, a campanha de direitos humanos contra a companhia não havia terminado. De acordo com o grupo "Education for Justice", entre 50 e 100% das fábricas da Nike requerem mais horas de trabalho do que o permitido pelo Código de Conduta. Em 25 a 50% das fábricas, os trabalhadores são obrigados a trabalhar 7 dias por semana e, na mesma porcentagem, os empregados ainda recebem menos do que o salário mínimo local.

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