Quem é Fujimori e o que ele fez pelo Peru?

Escrito por edwin thomas | Traduzido por aline abreu
  • Compartilhar
  • Tweetar
  • Compartilhar
  • Pin
  • E-mail
Quem é Fujimori e o que ele fez pelo Peru?
Palácio presidencial em Lima, Peru (Brand X Pictures/Stockbyte/Getty Images)

Alberto Fujimori é uma das figuras mais controversas da política moderna na América do Sul. O nipo-peruano foi presidente do Peru durante os anos 90. Fujimori executou grandes obras para o Peru, mas também subverteu sua democracia, se tornando um tirano autoritário. Ele atualmente cumpre uma pena de seis anos de prisão por abuso de poder presidencial.

Outras pessoas estão lendo

Período

Alberto Fujimori foi presidente do Peru de 28 de julho de 1990 a 17 de novembro de 2000. Atualmente, ele cumpre sentença penal no país, a qual será concluída em 11 de dezembro de 2013. Entretanto, ele também enfrenta outras acusações, e condenações adicionais podem prolongar sua estadia na prisão.

História

Professor, reitor universitário e apresentador de TV até 1989, Fujimori foi o candidato azarão para a presidência em 1990. Ele derrotou o escritor renomado internacionalmente Mario Vargas Llosa no que foi considerada uma grande decepção eleitoral.

Durante o primeiro mandato de governo, o presidente Fujimori decretou uma grande quantidade de reformas econômicas direitistas e voltadas ao mercado, além de cortes no orçamento estatal. Essas medidas foram coletivamente apelidadas de "Fujichoque". Ao mesmo tempo, ele reconheceu o que os efeitos da liberação do controle de preços e da restrição de capital fariam com a economia a curto prazo, então, como parte do programa, ele quadruplicou o salário mínimo e implementou um fundo principal de apoio contra a pobreza. Seu objetivo era combater o estado predominante de hiperinflação e a dificuldade econômica. Ele também iniciou uma nova estratégia de endurecimento contra o antigo grupo de guerrilha peruano, os maoistas do Sendero Luminoso.

Fujimori venceu as eleições presidenciais, mas seus rivais derrotados garantiram o controle do Congresso e procuravam vetar todas as suas iniciativas. Tal obstrução foi profundamente impopular junto ao povo peruano, de modo que Fujimori respondeu com um golpe em abril de 1992. Ele suspendeu a Constituição, dissolveu o Congresso e limitou o Poder Judiciário. Sua ação recebeu ampla condenação pela comunidade internacional, que havia, anteriormente, aprovado o governo e as políticas de Fujimori. Novas eleições ocorreram e uma nova Constituição foi promulgada em 1993, mas esta ofereceu pouca legitimidade para as ações ilegais de Fujimori.

Sob a nova Constituição, Fujimori concorreu à presidência novamente e derrotou facilmente o então secretário-geral das Nações Unidas Javier Pérez de Cuéllar, em 1995. Este foi o ponto alto da popularidade doméstica de Fujimori, que começou a decair a partir do momento em que suas restrições na liberdade de imprensa e alegações de corrupção e abuso dos direitos humanos começaram a derrubar seu regime.

Embora sua própria Constituição de 1993 o limitasse a dois mandatos, Fujimori fez uma emenda para permitir um terceiro. Ele perdeu a maioria dos votos no primeiro turno por pequena vantagem em 2000, eleição que foi marcada por algumas acusações de fraude. No segundo turno, ele melhorou pouco sua performance, recebendo apenas 51% dos votos, um ganho de meros 1,2%. Este foi um indicativo de uma propagada e endurecida oposição pública ao seu regime. Logo após sua vitória acirrada, um escândalo de corrupção envolvendo seu padrinho e chefe da inteligência Vladimiro Montesinos foi descoberto.

Com a situação do Peru rapidamente se virando contra ele, Alberto Fujimori saiu do Fórum de Cooperação Econômica Ásia-Pacífico, no Brunei, direto para o Japão, onde renunciou ao cargo e pediu refúgio. Ele viveu em um exílio autoimposto até viajar ingenuamente ao Chile, em 2005, onde foi preso e extraditado de volta para o Peru. Lá chegando, ele foi indiciado e condenado por abuso de poder e, atualmente, enfrenta acusações por abuso dos direitos humanos em seu governo.

Distorções

Uma distorção comum sobre Alberto Fujimori é a de que ele era um imigrante japonês no Peru. Na verdade, ele é filho de japoneses nascido em Lima, sendo de uma segunda geração de imigrantes. Assim, apesar de ser 100% japonês etnicamente, ele nasceu e foi criado no Peru.

Significância

Economicamente, o governo de Fujimori foi um grande sucesso. Ele deu um fim à crise econômica e à hiperinflação que caracterizaram os anos precedentes ao seu governo. A burocracia estatal foi reduzida, porém mais escolas e estradas foram construídas. A era Fujimori foi, em geral, de crescimento econômico, e o tesouro saiu de uma reserva de moeda estrangeira de literalmente zero para quase US$ 10 bilhões. Até mesmo a terrível taxa de pobreza do Peru caiu levemente, de 55 para 54% da população. Entre os pobres, o número de desnutridos caiu 25%.

Quando Fujimori chegou ao poder, o Peru estava inundado por guerrilhas esquerdistas. O Sendero Luminoso, o mais importante do país, era um grupo terrorista maoista, que administrava suas operações por meio de fundos do comércio de cocaína. A guerrilha coletiva era uma ameaça tão grande que mais de 1/3 das vagas do judiciário e 1/4 de seus distritos não puderam realizar eleições devido à intimidação e violência. Fujimori garantiu que amplas forças militares e de inteligência utilizassem seus serviços para atacar as guerrilhas. Em 1992, o líder do Sendero Luminoso foi capturado. A campanha global atingiu seu auge após a invasão da embaixada japonesa por terroristas do MRTA, em dezembro de 1996. Em abril de 1997, a força militar surpreendeu o grupo, resultando nas mortes de um refém, dois militares e de todos os 14 terroristas. Depois disso, a atividade de guerrilha no Peru entrou em forte declínio e Alberto Fujimori levou o crédito por derrotar os grupos esquerdistas e o terrorismo que comandaram o Peru por duas décadas.

Alberto Fujimori também estabeleceu uma longa disputa de fronteiras com o Equador.

Efeitos

O desrespeito de Fujimori pelos direitos humanos durante sua campanha contra as guerrilhas esquerdistas do Peru tem sido muito condenado. Os pontos altos desses abusos foram o massacre de Barrios Altos, em 1991, realizado por um esquadrão militar da morte de direita; a esterilização forçada de 300.000 mulheres pobres devido a um programa de planejamento que, escandalosamente, ganhou amplo apoio internacional na época; e o assassinato e a tortura de suspeitos de apoiarem o Sendero Luminoso. Ele também foi manchado pela corrupção de membros de seu governo, particularmente do então espião-chefe Vlademiro Montesinos, embora nenhuma acusação substancial de corrupção tenha sido feita contra o próprio Fujimori.

Entretanto, o primeiro de todos os efeitos negativos do governo de Fujimori e, de fato, a raiz de todas as outras críticas ao seu regime, foi a derrubada da democracia e sua subsequente regra autoritária. Embora houvesse eleições no Peru, não há dúvidas de que Fujimori governou como ditador e tirano, reprimindo seus críticos e fazendo uma paródia geral nas formas da lei. O abuso da liberdade de imprensa, dos direitos políticos e humanos e da corrupção teriam sido impossíveis ou, pelo menos, não tão extremos se seu governo não tivesse sido um regime autoritário de fato.

Considerações

Fujimori permanece popular entre o povo peruano, com aprovação de quase metade dos entrevistados em uma pesquisa de 2007 sobre as suas políticas e os resultados de sua era.

Não perca

Filtro:
  • Geral
  • Artigos
  • Slides
  • Vídeos
Mostrar:
  • Mais relevantes
  • Mais lidos
  • Mais recentes

Nenhum artigo disponível

Nenhum slide disponível

Nenhum vídeo disponível