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Guitarristas que marcaram a história da música

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Introdução

Tocar guitarra é, para muitos, um exercício de liberdade e uma forma muito particular de expressão. Alguns músicos, por sua vez, foram além e se tornaram grandes mestres do instrumento, causando emoções fortes toda vez que executam seu trabalho. Muitos gêneros contaram com grandes guitarristas, mas o blues e o rock se tornaram fontes inesgotáveis de grandes craques das seis (e das 12) cordas. Nos Estados Unidos, na Europa ou mesmo no Brasil, eles marcaram época e influenciaram gerações ao integrar grandes grupos e realizar shows e/ou gravações antológicas. Conheça 15 fantásticos guitarristas que mudaram para sempre os rumos da música.

AFP / Arquivo

Django Reinhart

Talvez o mais espetacular guitarrista surgido sobre a terra, Jean "Django" Reinhardt nasceu em 1910, na Bélgica. De origem cigana, aprendeu a tocar banjo aos 12 anos e em pouco tempo passou a dominar a guitarra como poucos. Foi um dos criadores do ritmo conhecido como gypsy jazz, em que incorporou sonoridades dos nômades ao som moderno dos Estados Unidos. Em 1928, perdeu a mobilidade de dois dedos de sua mão esquerda, após um acidente. O que deveria ser um obstáculo à sua carreira apenas reforçou sua genialidade. Ele acabou criando uma nova técnica, inimitável, para tocar o instrumento. Morreu vitimado por uma hemorragia cerebral, em 1953.

Reprodução

John Lee Hooker

Mais de 500 canções gravadas em cerca de uma centena de álbuns. Cinco décadas de carreira e a reverência dos maiores guitarristas do mundo. Se o blues moderno tem um rosto, é o do norte-americano John Lee Hooker. Nascido em 1917, fez suas primeiras gravações em 1948, se destacando por canções de ritmo falado, diferente do que se fazia até então. “Boogie Chillen” e “One Bourbon, One Scotch, One Beer” estão entre seus maiores sucessos, regravados à exaustão. Entre seus mais famosos fãs, estão gente do quilate de Keith Richards e Carlos Santana. Morreu em 2001, devidamente homenageado como um mestre da música.

David Klein/Getty Images Entertainment/Getty Images

Bo Didley

Se o pai do rock and roll é Elvis Presley, o avô certamente é este guitarrista de blues norte-americano (foto - centro). Nascido em 1928, ainda adolescente começou a tocar o velho ritmo de lamento dos negros. Em pouco tempo, pegou a estrada ao lado de vários músicos, embalando bailes e festas com um ritmo frenético. Foi nesta época que criou uma forma diferente de tocar guitarra. Conhecida como “batida Bo Didley”, passou a ser utilizada pelos maiores artistas dos anos 1940 e 1950, como Johnny Otis e Buddy Holly. Parte deste ritmo contagiante criado por ele foi sendo utilizados nas composições jovens seguintes, que em pouco tempo dariam forma ao Rockabilly. Morreu em 2008.

Larry Busacca/Getty Images Entertainment/Getty Images

B. B. King

Único grande bluesman ainda vivo, Riley Ben King nasceu em 1925, nos Estados Unidos. Sua vida na infância é praticamente o manancial de temas do blues norte-americano: uma plantação de algodão, cultivada por negros, no vale do Mississipi, sul dos EUA. Na adolescência, passou a tocar por moedas em Itta Bena, pequena cidade onde vivia. Em 1947, mudou-se para Memphis e logo no ano seguinte emplacou suas primeiras gravações. No entanto, o sucesso absoluto veio nos anos 1950, quando gravações como "Three O'Clock Blues" emplacaram nas rádios. O surgimento do rock só aumentou seu prestígio, já que muitos dos guitarristas passaram a adotar seu estilo. Continua lotando shows mundo afora com seu instrumento, batizado de “Lucille”.

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Eric Clapton

Em meados dos anos 1960, as paredes e muros de Londres passaram a ser pichadas com uma mensagem tão contundente quanto enigmática: “Clapton is God”. Não se tratava de uma nova seita religiosa, mas um reconhecimento ao incrível talento de Eric Patrick Clapton com a guitarra. Nascido em 1945, tocou na mítica banda The Yardbirds e também na John Mayall & the Bluesbreakers, onde se consolidou como bluesman. Mas caminhou definitivamente rumo ao sucesso quando criou o Cream, um dos primeiros power trio da história. Em 1970, partiu para a carreira solo, onde emplacou canções emblemáticas (sua e de outros compositores), como “Layla”, “Cocaine”, “Wonderful Tonight” e “I shot the Sheriff”.

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Keith Richards

Criado no início dos anos 1960, os Rolling Stones se consolidaram como uma das maiores bandas da história. Entre as razões do sucesso está a guitarra energética e ao mesmo tempo malemolente de Keith Richards. Nascido na Grã-Bretanha, em 1943, se apaixonou pela guitarra ao ouvir Chuck Berry e arregimentou o amigo Brian Jones para montar uma banda. Logo veio Mick Jagger e o resto é história. Richards foi fundamental ao introduzir o rhythm’n blues na sonoridade do grupo. Seu jeitão rebelde colaborou ainda para a imagem dos Stones, que apareciam como contraponto ao bom-mocismo dos Beatles. Com mais de 50 anos de carreira, ele é uma lenda viva do rock and roll.

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Jimi Hendrix

Para muitos, ele foi o maior guitarrista de todos os tempos. O norte americano James Marshall Hendrix nasceu em 1942 e aprendeu a tocar violão e guitarra ainda adolescente. Integrou várias bandas no início dos anos 1960, até que passou a tocar com os Isley Brothers, em 1964. A partir daí, ganhou cada vez mais notoriedade, até montar seu próprio grupo, The Jimi Hendrix Experience. Gravou seu primeiro disco em 1967, tomando o mundo musical de assalto. Sua mistura de blues, canções indígenas e psicodelia era única no mundo. Sua habilidade com a guitarra era arrebatadora, assim como suas composições. Morreu com apenas 27 anos, em 1970, vítima de intoxicação por remédios.

Samir Hussein/Getty Images Entertainment/Getty Images

Jimmy Page

Uma das maiores bandas da história surgiu na Grã-Bretanha nos anos 1960, com uma mistura poderosa de rock, blues e folk. O Led Zeppelin se moldou pelos vocais agudos de Robert Plant e pela guitarra poderosa de James Patrick Page. Nascido em 1944, esse formidável músico aprendeu a tocar o instrumento aos 12 anos. Totalmente inspirado pelo nascente rock and roll, ele também passou a prestar atenção no rhythm’n blues. Já adolescente, tornou-se músico de estúdio, trabalhando para várias bandas. Foi convidado para tocar nos Yardbirds, anos antes de montar a banda pela qual ficou famoso. Após 1980, quando o Zeppelin terminou, Page participou de vários projetos.

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Sérgio Dias

Nenhuma banda de rock brasileira foi tão inventiva e influente quanto os Mutantes. Criada nos anos 1960, misturava o bom e velho rock and roll a ritmos brasileiros e psicodelia. Um dos artífices desta sonoridade era o guitarrista Sérgio Dias Baptista. Nascido em São Paulo, no ano de 1961, aprendeu a tocar violão com 11 anos. Aos 13, já tocava com seu irmão, Arnaldo Baptista, e Rita Lee. Juntos, fizeram parte da Tropicália e lançaram discos antológicos. Sérgio se notabilizou pelos experimentalismos, misturando o som dos instrumentos a acessórios prosaicos, como uma máquina de costura. Continua compondo, tocando e produzindo.

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George Harrison

A maior banda de todos os tempos se celebrizou pela união de dois compositores fantásticos: John Lennon e Paul McCartney. No entanto, eles ainda contavam com um grande virtuoso: o guitarrista George Harrison. Nascido na Inglaterra, em 1943, conheceu John Lennon ainda na adolescência e passaram a tocar juntos: era o início dos Beatles. Em meio ao sucesso arrebatador do Fab Four, Harrison teve contato com a cultura indiana, que mudou para sempre seu estilo de vida e também sua música. Aprendeu a tocar cítara e levou a influência asiática para o grupo. Após a dissolução, em 1970, se tornou um bem sucedido artista solo. Morreu em 2001, celebrado como fantástico músico.

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Brian May

O Queen foi uma das maiores bandas que o mundo já viu. Seu rock operístico causou furor nos anos 1970, graças a canções imortais como “Bohemian Rapsody”, “Radio Gaga”, “We Are The Champions”, dentre outras. Muito desse sucesso se deve ao guitarrista Brian Harold May. Nascido na Inglaterra, em 1947, se tornou um dos maiores guitarristas britânicos de todos os tempos. Criou um estilo especial de tocar, com um timbre particular, além de tocar algumas canções com uma moeda ou as próprias unhas, em vez da tradicional palheta. Também compôs temas para TV e cinema. Atualmente, faz shows com uma nova formação de sua banda.

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David Gilmour

Os experimentalismos do Pink Floyd tornaram a banda um dos pilares do rock progressivo nos anos 1970, especialmente após o lançamento do mítico álbum “The Dark Side of The Moon”. O guitarrista britânico David Gilmour, nascido em 1946, foi peça fundamental neste processo. Tornou-se um mestre na criação de efeitos sonoros com a guitarra. E usou seus talentos largamente, nos discos eruditos e conceituais. Entre os períodos de inatividade de seu grupo, partiu para projetos paralelos, montando supergrupos com mitos da música, como Paul McCartney e Pete Towshend. Continua realizando grandes shows, em que relembra os clássicos que ajudou a compor.

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Alex Lifeson

Poucas bandas possuem tantos virtuoses em sua formação como o Rush. Um bom exemplo deste incrível potencial é o guitarrista Alex Lifeson, nascido em 1953. Craque na criação de texturas para as canções do grupo, fez riffs e solos incríveis nos mais de 30 anos de carreira e dezenas de álbuns lançados. Mesmo influenciado pelos grandes guitarristas de rock e blues dos anos 50 e 60, ele acabou criando um estilo muito particular. Seu virtuosismo por vezes dá lugar a um estilo forte e direto. Essa versatilidade foi fundamental para que seu grupo pudesse mudar a sonoridade com o passar do tempo.

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The Edge

O U2 surgiu para o mundo no início dos anos 1980, com músicas políticas cortantes. O tom discursivo das letras de Bono ganhou porto seguro na poderosíssima guitarra de David Howell Evans, ou The Edge, britânico nascido em 1961. Inspirado nos velhos bluesman, ele usou e abusou dos sons chorosos de seu instrumento. Álbuns como “The Joshua Tree” mostram esse tom minimalista, que dá ainda mais dramaticidade às canções pungentes do quarteto. Bandas como Radiohead e Muse se inspiraram amplamente em seu estilo tão particular de tocar. Ele continua ao lado de seus velhos companheiros, gravando e tocando em shows apoteóticos.

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Jack White

O início do século 21 não parecia ser muito promissor para o rock de uma forma geral e para os guitarristas em particular. Poucas bandas investiam em um som mais elaborado e preferiam focar na simplicidade nos acordes. Até que um duo chamado White Stripes passou a chamar a atenção. Seu guitarrista exibia nitidamente uma influência dos grandes guitarristas do passado. Era o norte-americano John Anthony Gillis, mais conhecido como Jack White. Seus riffs contagiantes logo tornaram o grupo um grande sucesso, apresentando canções como “Seven Nation Army”. Irrequieto, participou de vários projetos, como Raconteurs e The Death Weather. É considerado o melhor guitarrista dos últimos tempos.