A história da música afro-americana

Escrito por tamara moffett | Traduzido por pina bastos
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A história da música afro-americana
Saxofonista de jazz (Comstock/Comstock/Getty Images)

As raízes da música afro-americana estão enterradas bem fundo com a música do continente africano. A história e a evolução da música afro-americana é tão rica e complexa quanto a história dos próprios afro-americanos. A essência desta música reside na sua expressão da experiência humana. Embora a diferença de estilos varie muito quanto ao tom, aos tópicos e às ferramentas usadas na sua criação, a música afro-americana tem o poder de cruzar todas as linhas de cor e cultura. Estilos como o blues, o jazz, o gospel e o hip hop espalharam sua influência pelo mundo todo.

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Música das fazendas

Embora a música na antiga África variasse muito de lugar para lugar, ela foi uma parte importante da cultura africana. Os africanos que vieram para as Américas durante o comércio de escravos trouxeram muito de sua herança africana com eles. Isso incluiu suas tradições musicais. Em muitas partes da África Ocidental - de onde muitos escravos foram levados - a música era muito rítmica e incorporava o uso pesado de tambores. A maioria dos senhores de escravos não permitia que seus escravos usassem tambores nas fazendas. Eles temiam que os escravos usassem os tambores como meio de comunicação para planejar rebeliões. Por isso, os escravos tiveram de adotar instrumentos europeus, tais como a rabeca. Entretanto, os escravos afro-americanos usavam a música para ajudá-los a suportar os horrores da escravidão. "Canções de trabalho e "Gritos do campo" eram cantados por escravos enquanto trabalhavam duro nos campos. Essas canções incorporavam o estilo "pergunta e resposta", muito usado na África, no qual o cantor líder canta uma frase e os outros cantores cantam a resposta.

Blues

Apesar do término definitivo da escravidão, os afro-americanos continuaram na pobreza e ocuparam uma cidadania de segunda classe durante os últimos anos do século XIX e o começo do século XX. Desse sofrimento surgiu uma forma de música afro-americana conhecida como blues. As canções de trabalho cantadas por escravos nas fazendas abriram o caminho para o blues. Assim como as canções cantadas por escravos sofredores, o blues é conhecido por sua brutalmente honesta descrição da vida diária. Os tópicos populares do blues incluem sexo, bebidas, estradas de ferro, pobreza, trabalho pesado e amor não correspondido. O blues continuou com o padrão "pergunta e resposta", sua forma se concentra no ritmo, focaliza uma batida e usa notas bemóis ou "blue notes". Embora o estilo coloque mais ênfase nas palavras do que nos instrumentos, os instrumentos geralmente usados no blues incluem guitarra, banjo, piano e acordeon. Os cantores de blues em geral possuem vozes poderosas que usam para expressar as dores e os sofrimentos da vida. Dentre os cantores populares de blues, encontram-se B.B. King, Bessie Smith e Ma Rainey.

Jazz

A forma musical do jazz se desenvolveu logo depois do blues. No entanto, diferentemente do blues, o jazz foi criado para a dança. O jazz atingiu o topo da popularidade durante o período chamado de "Loucos anos 20", quando a atmosfera era mais animada. O tempo musical rápido do jazz foi composto para refletir o novo clima. Embora a música de jazz não incluísse partes cantadas e também utilizasse o estilo "pergunta e resposta", ela colocava muita ênfase nos instrumentos. Dentre os instrumentos populares de jazz, estão o saxofone, o trompete, o piano e a bateria. A música de jazz se desenvolveu durante um tempo em que os afro-americanos estavam mais interessados em ser aceitos pela corrente principal da cultura americana do que em se conectar com sua herança africana. Como resultado disso, o jazz era definitivamente mais ligado à música europeia no estilo do que à música africana. O jazz nasceu em Nova Orleans, Louisiana. Foi o resultado da fusão de diferentes estilos musicais que coexistiam na cidade, inclusive música folclórica, bandas de metais e ragtime. Dentre os músicos populares de jazz, estão Louis Armstrong, Duke Ellington e Ella Fitzgerald.

A história da música afro-americana
O presidente Barack Obama assina uma foto projetada de Duke Ellington na escola Kenmore, em Arlington, em março de 2011 (Pool/Getty Images News/Getty Images)

Gospel

Um dos princípios usados para justificar a escravidão era que os africanos não eram civilizados e eram pagãos. Em um esforço para converter africanos ao cristianismo e para "salvar suas almas", senhores de escravos fizeram seus escravos aprender sobre a Bíblia e assistir aos cultos na igreja. No entanto, nas igrejas, os cultos para afro-americanos permaneciam segregados dos cultos para os brancos. Consequentemente, congregações afro-americanas desenvolveram um estilo único de hinos que mais tarde evoluiriam para a música gospel. A música gospel descende dos "spirituals" originais, cantados por escravos nas fazendas. Músicas como "Go Down Moses", "When the Saints Go Marching In" e "Swing Low Sweet Chariot" traziam mensagens de esperança, raiva e angústia. Como o blues e o jazz, a música gospel também incluía o formato de "pergunta e resposta". A música gospel utiliza instrumentos tais como o piano e o órgão e também faz uso de coros. No século XXI, a igreja afro-americana continua sendo essencial na comunidade afro-americana e a música gospel conseguiu alcançar popularidade mundial.

Hip hop

A música afro-americana continuou a evoluir, mesmo nos dias de hoje. Muitos elementos das canções das fazendas, do blues, do jazz e do gospel encontraram um caminho nas formas mais novas da música afro-americana, tais como o hip hop. Esta música começou no Bronx no final dos anos 1970. Como a maioria de suas predecessoras, desenvolveu-se a partir de uma necessidade de jovens afro-americanos de se expressar e também de expressar o mundo à sua volta. Diferentemente das formas mais antigas da música afro-americana, o hip hop coloca grande ênfase tanto no canto rimado quanto na batida. Como o blues, é uma forma de contar histórias, usada para revelar as realidades duras, as esperanças e os sonhos do dia a dia. Também se parece com o jazz no seu andamento mais animado e na ênfase na dança. Em vez de instrumentos tradicionais ao vivo, os artistas do hip hop tendem a fazer uso de equipamentos modernos, tais como toca-discos e mesas de som.

A história da música afro-americana
Disc-jockeys tocando hip hop (Thinkstock/Comstock/Getty Images)

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