A história da quadrilha junina

Escrito por luísa ferreira
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A história da quadrilha junina
A fogueira e a quadrilha são alguns dos aspectos mais característicos do São João (Kim Carson/Stockbyte/Getty Images)

Para boa parte dos brasileiros, as festas juninas são sinônimo de roupas de caipira, comidas de milho, fogueira e, é claro, quadrilha. Em vários Estados, principalmente no Nordeste, essa dança começa a ser praticada nas festas de São João da escola. No entanto, muita gente segue mantendo viva a tradição mesmo já adultos. Enquanto alguns dançam a quadrilha de brincadeira, em arraiais das capitais e do interior, outros levam o costume a sério e participam de festivais e competições. Mas essa manifestação folclórica tão brasileira não nasceu aqui: a dança teve suas origens no Velho Mundo.

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Origem na Europa

É difícil determinar a origem exata da quadrilha. De acordo com Carmem Lélis, historiadora e pesquisadora da Fundação de Cultura da Cidade do Recife, ela remonta às danças agrícolas da Europa antes do cristianismo, que celebravam a chegada do período de colheita. Os primeiros registros que mencionam a dança vêm da Normandia e da Inglaterra. O nome vem do francês quadrille, que por sua vez tem origem no termo italiano squadro, que significa uma companhia de soldados dispostos em quadrado. Nos séculos 18 e 19, a dança se espalhou pela aristocracia de vários países europeus.

Chegada ao Brasil

Essas danças, que eram comuns nos âmbitos aristocráticos europeus, chegaram ao Brasil através da família real portuguesa. Isso aconteceu ao redor da década de 1820 e inicialmente a penetração ocorreu no Rio de Janeiro. De acordo com estudiosos de cultura popular, a quadrilha chegou com o nome "pas de dance", contradança de salão da corte francesa. Durante o período do Império, a dança era restrita à aristocracia, sendo usada para abrir os bailes da Corte. Nessa época, os vestidos usados para a dança eram os típicos da nobreza, estruturados e com anáguas, enquanto os homens vestiam roupas de gala.

A história da quadrilha junina
Ao chegar no Brasil, a dança mantinha traços da nobreza (Photos.com/Photos.com/Getty Images)

Classes populares

No início da República, a quadrilha começou a ser praticada pelas classes populares, principalmente nas áreas rurais. Ao chegar às ruas e clubes, a dança começou a assimilar características regionais e passou a fazer parte dos casamentos rurais. Os fazendeiros contratavam os grupos para se apresentarem nos casamentos dos seus filhos. Foi daí que surgiu a tradição da encenação do casamento matuto. Com a popularização, foram introduzidos instrumentos como sanfona, triângulo e zabumba. Os nomes das coreografias, que eram ditos em francês, foram aportuguesados: "en arrière" (atrás) virou "anarriê", e assim por diante.

Centros urbanos

No século 20, as quadrilhas se espalharam do interior para os centros urbanos e começaram a ganhar traços caricaturais. A caracterização típica dos participantes da dança é fruto de uma visão estereotipada do homem urbano em relação ao meio rural. Alguns exemplos são as roupas remendadas e os homens desdentados. Para a pesquisadora Carmem Lélis, a quadrilha não é só uma dança junina, mas também um movimento social, que envolve principalmente os jovens. Nos lugares onde ela é praticada, observa-se um grande envolvimento de várias pessoas de uma comunidade, desde costureiras a profissionais de artes cênicas.

A história da quadrilha junina
Hoje em dia, a dança envolve muitas pessoas das comunidades onde é praticada (Jupiterimages/Polka Dot/Getty Images)

Os passos

A quadrilha costuma ser uma grande diversão por causa dos irreverentes passos que a compõem. Eles são enunciados pelo marcador, que pode ou não fazer parte da dança. As mulheres e os homens ficam em fila, vestindo roupas típicas do interior, em pares alternados. Ao som da sanfona, da zabumba e do triângulo, eles seguem passos básicos como balancê, anavantú e anarriê, além de outros mais divertidos como "Olha a chuva! É mentira" e "A ponte quebrou!". Outro traço típico da quadrilha é o casamento matuto, já que a dança representa o baile em comemoração ao matrimônio.

A história da quadrilha junina
O casamento é o ponto central da dança (Creatas Images/Creatas/Getty Images)

Transformações

Nos últimos anos, a quadrilha passou por muitas mudanças. Hoje as mais tradicionais, também chamadas de matutas, convivem com quadrilhas estilizadas ou recriadas. Os figurinos estão cada vez mais luxuosos, especialmente porque muitos grupos tentam destacar-se ao participar de competições. Os mais puristas criticam tais mudanças, afirmando que se está perdendo a essência da tradição. Outros estudiosos, como Carmem Lélis, defendem as transformações. Ela afirma que esse é um processo natural, principalmente porque envolve jovens. Além disso, as roupas e outras características variam de uma região para outra, assumindo traços da cultura local.

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