Mitos e lendas sobre ervas e temperos

Escrito por donna bogren | Traduzido por rayssa amorim
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Mitos e lendas sobre ervas e temperos
Alecrim (Ryan McVay/Photodisc/Getty Images)

Ervas e temperos têm sido usados com propósitos medicinais e para condimentar comidas desde antes da escrita. Antigamente, eles eram mercadorias caras e escassas e não eram normalmente destinados a pessoas comuns. As ervas e temperos foram descobertas por exploradores, negociadas e roubadas. Guerras foram lutadas por causa delas. Agora que são em sua grande maioria baratas e muito utilizadas, o que realmente sabemos sobre as ervas na nossa despensa? Sim, manjericão e tomates ficam ótimos juntos, mas o manjericão já foi considerado ser capaz de afastar dragões. Cada erva ou tempero não tem somente uma história, mas são associados com mitos, folclore e lendas.

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Manjericão

O manjericão é nativo da Ásia, África, América Central e do Sul. Provavelmente foi cultivado primeiramente na Índia, onde é considerado uma erva sagrada e associada ao amor e a lealdade. O manjericão é por vezes cultivado em casas Hindus a fim de trazer felicidade à família. Ser enterrado com uma folha do manjericão era considerado um passaporte para o Paraíso. A palavra "manjericão" (ocimum basilicum) é derivada da palavra grega para "rei" (basileus), uma referência a sua fragrância nobre. Alexandre, O Grande, possivelmente levou a erva para a Grécia, onde antes se pensava que escorpiões acasalavam embaixo de vasos da erva. Antigos romanos chamavam a erva de "basiliscus", em referência ao basilisco, um dragão feroz e perigoso que podia matar com o olhar. Acreditavam então que comer a erva servia como proteção contra esse dragão, assim como uma cura para seu veneno. Os romanos também ligavam o manjericão ao amor e a fertilidade. Os franceses o chamam de "herbe royale". Europeus medievais o consideravam uma erva de feiticeiros. O manjericão tem uma associação à Santa Cruz. Uma lenda cristã conta que a Cruz de Cristo foi encontrada sob plantas de manjericão. De acordo com o Padre Mark, do blog Vultus Christi, (veja abaixo), "Lendas dizem que plantas de manjericão surgiram aos pés da cruz onde sangue e água jorraram do coração de Cristo. Supostamente, um raminho de manjericão foi encontrado crescendo da madeira da cruz." Mas para provar que o manjericão não é o tempero favorito, ele também é associado com Erzulie, uma deusa pagã venerada no Haiti. Italianos consideram o manjericão um símbolo de amor. Na Romênia, se um homem aceita um ramo de manjericão de uma mulher, eles estão noivos.

Canela

Existem dois tipos de canelas. Cinnamomum zeylanicum é conhecida como canela verdadeira e é nativa do Sri Lanka, antes Ceylon. O outro tipo vem da cássia, árvore que cresce no Vietnam, China Indonésia e América Central. Essa canela é usada na América do Norte, e tem gosto mais amargo que a canela verdadeira. Canelas eram usadas na medicina pelos antigos Chineses, para o tratamento de febre, diarreia e cólicas. Também era usado como incenso em tempos chineses. Quando os egípcios a descobriram, a canela passou a ser usada em seus processos de embalsamamento. O óleo da canela era usado entre os antigos povos hebraicos em seus rituais de unção. Em tempos bíblicos, a canela era usada como perfume, como tempero e para tratar indigestões. Na Idade Média, os Árabes levaram canelas e outros temperos da Ásia para o Egito em caravanas. Eles planejavam histórias para esconder a fonte de canela e explicar sua escassez e preço. A ave mística cinnamologus originou-se dessa prática. Os árabes afirmavam que esse pássaro fazia ninhos de paus de canela na Arábia, mas eles não sabiam de onde eles tiravam a canela. Obtê-la exigia desalojar as aves de seus ninhos pendurados em arriscados penhascos. No começo da Idade Média, Plínio, O Velho, escreveu que 350 gramas de canela equivaliam a 5.000 gramas de prata. Apenas os mais ricos e poderosos tinha acesso a essa especiaria. Em 65 D.C, acredita-se que o O Imperador Romano Nero queimou o abastecimento de um ano no funeral de sua mulher, possivelmente em remorso por ter causado sua morte. A canela era usada para preservar carnes e mascarar o odor de podridão. Ela, junto com as uvas e heras, são plantas sagradas de Dionísio, o deus grego. A fênix, pássaro mitológico que renasce de suas cinzas, usa canela, mirra e nardo para fazer as chamas mágicas que usa para renascer. Medicinalmente, a canela é às vezes usada como remédio para tosse e garganta inflamada, para a gripe, problemas uterino e para o que Hildegarda de Bingen, teóloga alemã do século 12, chamava de "decadência interior de lodo". Cleópatra era famosa por seus óleos de sedução e aromas, e sem dúvida tinha canela em seu arsenal. Canela também era conhecida por ser usada em poções do amor.

Endro

O endro é originário da Ásia Central e é agora importado do Egito, outros países Mediterrâneos e do Leste Europeu. A variedade cultivada na Índia é menos pungente, então se estiver seguindo uma receita indiana, menos endro é necessário. O nome dessa erva veio da palavra "dilla" do antigo nórdico que significa "acalmar" ou "abrandar". Os curandeiros no Antigo Egito usavam o endro como remédio para digestão, assim como os antigos chineses usavam frequentemente para crianças. A água de endro era usada para aliviar cólicas em bebês, possuindo propriedades antigases e de sedativo leve. Em antigas culturas grega e romana, o endro era tido como sinal de riqueza, assim como era conhecido por suas propriedades medicinais. Sementes queimadas de endro eram aplicadas a ferimentos de soldados para acelerar a cicatrização por possuírem propriedades antissépticas, afastando bactérias. Folhas de endro também eram usadas nos olhos, auxiliando no sono. Escrituras Talmúdicas mostram que o endro era valioso. Na Era Medieval, o endro era utilizado tanto para bruxaria quanto para proteção contra bruxaria. Um amuleto feito de folhas de endro ou galhos era usado para isso. Beber água do endro também era considerado eficaz para se livrar de encantamentos. Outras histórias incluem adicionar o endro ao vinho para criar paixão e banhar-se em água de endro para se tornar irresistível. O endro foi trazido por colonizadores do Novo Mundo. Eles usavam a água do endro como remédio para cólicas, tosse, indigestão, gases, dores no estômago e insônia. Assim como para hemorroidas e soluços. Crianças mastigavam as sementes do endro para acalmá-las durante longos sermões.

Manjerona

Manjerona e orégano compartilham o gênero "originum", mas eles não são iguais. Embora manjerona seja um tipo específico de orégano, é mais suave. Ele desenvolve um aroma melhor em lugares mais quentes. Um tipo de manjerona que cresce na Jordânia, Líbano e Israel é chamado de "zahtar". As lendas gregas dizem que a manjerona, também conhecida como alegria-da-montanha, desenvolvia esse aroma após ser tocada pela deusa Vênus. Se uma manjerona nascia perto de um túmulo, era dito que o espírito do morto estava em paz e feliz. Para aprender a identificar seu futuro esposo ou esposa, dormia-se com a erva para sonhar com o seu ainda desconhecido amor. Coroas de manjerona eram usadas para coroar recém-casados na antiga Grécia e Roma e para lhes trazer amor, honra e felicidade. Era usada de maneira semelhante na Idade Média, carregadas em casamentos, nos buquês. Também era conhecida por suas propriedades antissépticas e usada em quartos de doentes, sendo por vezes jogada no chão em funerais. Era usada em banhos e na purificação de templos em tempos bíblicos. A manjerona também era um antídoto contra bruxaria. Dizia-se que "aquele que vendeu sua alma ao demônio não suportaria o contato com ela", de acordo com Charles Skinner, em seu livro de 1915 "Myths and Legends of Flowers, Trees, Fruits and Plants". Os usos medicinais dessa planta incluíam bebê-la em forma de chá para preservar e fortalecer a voz, como remédio para veneno de cobra, calmante, para digestão, para dor de dente e para problemas da laringe. Também era considerada boa para prolongar a vida.

Alecrim

O alecrim é nativo do Mediterrâneo, seu nome em latim significa "orvalho do mar". O nome pode ter mais ligação a cor de suas flores do que sua afinidade pelo mar. A lenda mais famosa sobre essa planta é a que as flores do alecrim eram brancas. Elas se tornaram azul após a Virgem Maria colocar seu manto azul sobre um arbusto de alecrim. Acreditava-se que o arbusto não crescia mais que 1 metro, não importando o quão velho, pois ele se recusava a ficar mais alto que Cristo. Outra lenda diz que alecrim apenas cresceriam em jardim de pessoas de bem; outra lenda conta que se o alecrim crescesse com vigor em um jardim, a mulher da casa era mais forte que o homem. A associação com a Virgem Maria também pode ser ligada a tradição de decorar casas e igrejas com a erva no natal. O alecrim é a erva da fidelidade e da memória. "Tens o alecrim para recordar", disse Ofélia em "Hamlet". Com isso em mente, o alecrim tem sido utilizado por muito tempo em casamentos, como um sinal de fidelidade e para lembrar ao novo casal de não esquecer os votos, suas raízes e famílias. Alecrim seco também pode ser usado para promover fidelidade. Como bônus, alecrins embaixo do travesseiro eram conhecidos por espantar não apenas pesadelos, mas também demônios. Alecrins são jogados em caixões como uma promessa de relembrar os falecidos. Mais sobre isso, os antigos estudantes gregos usavam alecrim no cabelo para ajudá-los na memória antes de fazer um teste. Também era prescrito para aliviar sintomas de doenças mentais. O alecrim também era considerado desinfetante, especialmente quando queimado. A igreja queimava alecrim para purificar o ambiente e antigos gregos queimavam-no para afastar maus espíritos e doenças. Os franceses queimavam alecrim em hospitais durante a Idade Média para limpar o ar. Historicamente, o alecrim tem sido usado de diversas maneiras em diversas épocas para tratar ansiedades, melancolia, depressão, dores de cabeça, tonturas, epilepsia, artrite, gota, calvície e até para reduzir varizes.

Outros mitos e lendas de ervas e temperos

Obviamente, há muito mais mitos e lendas no folclore sobre ervas e temperos do que possa ser escrito aqui. Para aqueles que gostariam de aprender mais sobre o assunto, uma boa dica é o livro de Charles Skinner, "Myths and Legends of Flowers, Trees, Fruits and Plants", previamente mencionado. Esse livro está disponível para baixar no Google Books. Veja as referências abaixo. Outro livro escrito especificamente sobre os mitos de ervas é "The Meaning of Herbs: Myth, Language and Love" de Ann Field e Gretchen Scoble. Para um olhar mais histórico há o "Spice: the History of a Temptation" de Jack Turner, que tem boas críticas online. Gernot Katzer's Spice Pages, uma referência anotada abaixo, é um incrível sumário de fatos sobre temperos, incluindo detalhes sobre as origens dos nomes. Materiais históricos e anedóticos também estão inclusos no web site, assim como links para mais informações.

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