Mudanças nas relações familiares e de gênero durante a Revolução Industrial

Escrito por will milner | Traduzido por raissa oliveira
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Mudanças nas relações familiares e de gênero durante a Revolução Industrial
O crescimento da indústria mudou a forma como a família era organizada (Jupiterimages/Photos.com/Getty Images)

A Revolução Industrial trouxe uma mudança sem precedentes para o curso da história mundial. Começando na Grã-Bretanha, na segunda metade do século 18, a aplicação de processos mecânicos e energia de combustíveis fósseis aumentou como nunca os níveis de produção. Isso significou a expansão do império britânico, com a Grã-Bretanha levando seus bens e armas para todo o mundo. Mas também significou mudanças igualmente significativas na forma como a família se organizava e na maneira como os homens e as mulheres se relacionavam.

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A economia e a família

Na sociedade pré-industrial, a unidade econômica básica em que a maioria das pessoas trabalhava era o ambiente familiar. As famílias possuíam, ou pelo menos tinham, direitos sobre pequenas quantidades de terra, na qual trabalhavam, assim como pequenas manufaturas dentro de casa, como as de fiação e tecelagem. As famílias trabalhavam juntas como membros autônomos dessa unidade econômica. Com a Revolução Industrial, a família como unidade básica da produção econômica foi substituída pelas grandes empresas de capital intensivo, onde empregados trabalhavam por um salário. Assim, as esferas doméstica e econômica se divorciaram e a ideia de família, assim como sua função, foi alterada.

O mito da família grande e abandonada

Acredita-se, geralmente, que as famílias pré-industriais eram caracterizadas por um grande número de crianças e uma extensa estrutura familiar, com avós, tios e tias, todos vivendo na mesma casa. O corolário disso é que a Revolução Industrial teria sido o início de um declínio no tamanho da família e de uma mudança em sua estrutura, prevalecendo no mundo ocidental de hoje. No entanto, evidências históricas de registros paroquiais mostram que, pelo menos na Europa, a família nuclear foi o modelo dominante de família, desde o início dos registros. De fato, o declínio da mortalidade infantil na Revolução Industrial levou a um crescimento do tamanho da família, embora a probabilidade de sobreviver até a idade adulta tenha aumentado muito mais lentamente que as taxas de mortalidade infantil.

O nascimento do chefe de família

Na maioria das famílias durante a Revolução Industrial, principalmente em seus estágios iniciais, todos os membros, incluindo as crianças, trabalhavam nas usinas e fábricas. De fato, em muitas crianças formavam o grosso da força de trabalho, sendo mais fáceis de controlar e custando menos como empregados. Embora durante a maior parte da Revolução Industrial as mulheres tenham assumido uma quantidade de trabalho remunerado igual a dos homens, as desigualdades salariais formularam as ideias dos papéis de homem provedor e mulher doméstica, cujo papel era o dar suporte à capacidade do homem de conquistar a renda principal. A separação de mulheres e homens nos âmbitos doméstico e de trabalho começou nas classes médias e lentamente chegou às classes operárias. Na realidade, as mulheres fossem, muitas vezes, sobrecarregadas com a dupla jornada de trabalho doméstico e um emprego remunerado integral.

A criação da infância

Embora muitas crianças trabalhassem nas fábricas e minas das novas indústrias, muitas vezes em condições deploráveis​​, não deve ser esquecido que a Revolução Industrial também foi marcada pelo incrível crescimento do tamanho e da influência das classes médias. Muitas profissões de classe média requeriam educação para o sucesso, e o novo clima econômico significava que havia mais opções em termos de escolha de carreiras nas quais os jovens poderiam ingressar. Isso significou que um número crescente de crianças não trabalhavam e nem estavam sendo treinadas para uma atividade profissional que seguiriam para o resto de suas vidas, mas, em vez disso, recebiam uma educação geral. Em certo sentido, as crianças eram vistas, cada vez mais, como investimentos a longo prazo e não como fornecedoras de trabalho assalariado a curto prazo. Essa dissociação de infância e mundo do trabalho criou novas visões sobre a infância. A Lei das Fábricas de 1833 visou limitar o trabalho de crianças em fábricas e tentou introduzir duas horas de escolarização obrigatória para todas elas.

Algumas famílias que trabalhavam rejeitaram o ato, uma vez que este lhes negava uma fonte crucial de renda. Então, pode-se argumentar que o ato é, discutivelmente, um exemplo de pensamento da classe média sobre a santidade da infância sendo projetado sobre a classe trabalhadora.

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