Mulheres da Guerra Civil Espanhola

Escrito por jason chavis | Traduzido por marcos silva
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Mulheres da Guerra Civil Espanhola
O grupo Mujeres Libres foi o mais poderoso dos grupos de mulheres organizado durante a Guerra Civil (plustwentyseven/Digital Vision/Getty Images)

A Guerra Civil Espanhola trouxe um aumento na importância da mulher dentro da sociedade. Com muitos homens lutando e morrendo, as mulheres ajudaram a coletivizar a infraestrutura do país e a mobilizar os esforços de ajuda para quase todas as facetas da cultura da Espanha. O Mujeres Libres foi o mais poderoso dos grupos de mulheres organizado durante esse tempo, com foco na igualdade entre sexos. Sem a força condutora das mulheres durante esse tempo, a Guerra Civil teria feito mais destruição ao país do que nos três anos de derramamento de sangue.

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História

Com a eclosão da Guerra Civil Espanhola em 1936, muitos homens aderiram aos nacionalistas ou republicanos na batalha pelo controle do governo espanhol. Com um governo não-funcional, a estabilidade econômica da Espanha caiu para os próprios trabalhadores. Comissões de trabalhadores coletivizaram fábricas e áreas agrárias em comunas libertárias. Organizações como a Federação Anarquista Ibérica e a Confederação Nacional do Trabalho tornaram-se posições poderosas de controle sobre os trabalhadores e suas comissões. Nesse momento, os grupos de mulheres começaram a se organizar em um esforço para lutar pela libertação do sexo feminino e práticas revolucionárias continuadas provocadas pela guerra. Lucía Sánchez Saornil, secretária-geral da versão espanhola da Cruz Vermelha, juntou-se com Amparo Poch, diretor no Ministério da Saúde e da Assistência Social, com sede em Barcelona, para o que ficou conhecido como o Mujeres Libres, uma organização que lutou pelos direitos das mulheres. Esse foi o foco para as mulheres em toda a Espanha: unir seus esforços na guerra e ajudar na coletivização do trabalhador.

Mulheres da Guerra Civil Espanhola
Lucía Sánchez Saornil (Richard Newstead/Lifesize/Getty Images)

Função

Durante a Guerra Civil, as mulheres influenciadas pela liderança das Mujeres Libres começaram a estabelecer organizações e programas para beneficiar o país como um todo. Elas montaram refeitórios para alimentar os homens nas milícias, assim como hospitais para cuidar das vítimas lesionadas. Mulheres soldados juntaram-se ao fronte dos seus iguais masculinos, estabelecendo aulas de instrução para os seus concidadãos sobre o uso correto de armas e tiro ao alvo. Para suas companheiras mulheres, elas estabeleceram hospitais especializados em partos e cuidados pós-natal. Elas colocaram uma ênfase em estudos sociais para as mulheres e treinaram centenas na área de saúde, controle de natalidade e sexualidade. O próprio Mujeres Libres estabeleceu um jornal para expressar as questões de importância para as mulheres. Defendendo os direitos do trabalhador, o jornal apresentou artigos de Emma Goldman, uma defensora dos governos anarquistas, bem como as referências culturais da época, como resenhas de filmes, fatos esportivos e de moda.

Mulheres da Guerra Civil Espanhola
Emma Goldman (Visage/Stockbyte/Getty Images)

Significância

A Guerra Civil Espanhola causou um aumento da participação das mulheres na sociedade. Não mais relegadas às tarefas domésticas e crianças de colo, no momento em que a guerra terminou, as mulheres espanholas eram parte integrante da força de trabalho. Por causa das ações do grupo Mujeres Libres, as mulheres celebraram alguns dos primeiros direitos concedidos às mulheres europeias, incluindo o direito aos seus próprios corpos na forma da legalização do aborto. Elas aumentaram a produtividade nas fábricas em 20% e serviram em comitês nas zonas libertadas das comunas controladas do trabalhador. Suas ações no movimento operário e anarquista ajudaram com que a coletivização continuasse, também adicionando uma contraparte feminina à Federação Anarquista Ibérica da Juventude, um grupo de trabalho jovem.

Mulheres da Guerra Civil Espanhola
Pós guerra (Visage/Stockbyte/Getty Images)

Considerações

Apesar do sucesso, as mulheres espanholas aceitaram uma certa quantidade de limitações às suas ações. Elas ainda não tiveram o direito de votar, mesmo quando as facções de guerra defendiam diferentes seções da nação. A orientação sexual ainda era uma questão política, independentemente do que os grupos de mulheres fizeram para defender a privacidade de um indivíduo. Muitas lésbicas foram rejeitadas pela população quando se tornou aberta sua opção sexual. Amparo Poch trabalhou incansavelmente para acabar com a prostituição, criando casas de libertação para prestar cuidados de saúde e a requalificação das mulheres para que se tornassem valiosos membros da sociedade. No entanto, com a guerra causando calamidade em todo o país, a prostituição tornou-se mais difundida do que nunca.

Mulheres da Guerra Civil Espanhola
Amparo Poch (Visage/Stockbyte/Getty Images)

Características

O movimento de mulheres na Espanha, especificamente o Mujeres Libres, não era feminista. Elas viam o feminismo como elitismo da classe alta, enquanto elas lutavam pela igualdade das mulheres dentro da sociedade estabelecida. Embora o sexismo fosse predominante em quase tudo o que elas faziam, elas não lutaram contra os homens. Elas escolheram usar suas habilidades para colocar as mulheres em novos níveis não vistos na sociedade europeia. Com a guerra em seu ápice, as mulheres eram, por vezes, a única âncora que a sociedade fraturada teve para manter-se unida. Entre o foco em soluções para a turbulência econômica ou ajudar o esforço de guerra do lado escolhido, mulheres durante a Guerra Civil Espanhola foram parte integrante da sociedade.

Mulheres da Guerra Civil Espanhola
As mulheres durante a Guerra Civil Espanhola foram parte integrante da sociedade (Visage/Stockbyte/Getty Images)

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