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Orgulho: as maiores personalidades negras da arte e cultura brasileiras

Jupiterimages/Stockbyte/Getty Images

Introdução

A arte e a cultura brasileira resultam da soma de antigas tradições populares com o surgimento de grandes personalidades, que atingiram o status de gênios pelo seu trabalho. Na música, literatura, artes plásticas, dramaturgia e também no esporte, alguns superaram todas as expectativas e cravaram seu nome na história. Muitos conquistaram grande reconhecimento mundial por meio de artigos e, até mesmo, prêmios internacionais. Outros se tornaram ícones em seus segmentos, mas sua fama se restringiu ao território nacional. Conheça algumas dessas personalidades da raça negra que enchem o Brasil de orgulho.

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Lima Barreto

O escritor Alfonso Henriques Lima Barreto nasceu no Rio de Janeiro e sofreu discriminação ao longo da vida por ser mestiço. Ficou órfão de mãe e teve de abandonar a faculdade de Engenharia quando o pai foi internado vítima de loucura. Era ávido leitor e escrevia bem, o que o fez iniciar a carreira de jornalista. Também era escrevente na Secretaria de Guerra. Era alcoólatra e chegou a ser internado por ter alucinações. Lima Barreto não teve sua literatura reconhecida em vida. Hoje, no entanto, seus livros são leitura obrigatória, como "Triste Fim de Policarpo Quaresma" e "Clara dos Anjos".

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Cartola

O compositor carioca Angenor de Oliveira entrou para a história como Cartola. Expoente do samba carioca, compôs preciosidades, como "As Rosas Não Falam", "O Mundo É um Moinho" e "Alegria". Nascido no Catete, mudou-se com a família para a Mangueira. Foi lá que fez amizades que o levaram a uma vida boêmia, de malandragem e muito samba. Cartola é um dos responsáveis pela fundação da Estação Primeira de Mangueira, compondo o primeiro samba-enredo da agremiação. Depois de um período desaparecido, foi encontrado por Sérgio Porto. Na época, lavava carros para sobreviver. Com a ajuda do jornalista, voltou à cena musical.

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Pixinguinha

Um dos maiores flautistas que o Brasil já teve, Alfredo da Rocha Vianna Júnior, o Pixinguinha, foi também um compositor notável, que deixou para a nação músicas como "Carinhoso". Era maestro e arranjador e conseguiu sobreviver de seu trabalho como músico profissional. Em sua época, sambistas e outros músicos tocavam apenas como hobby ou lazer, mantendo seus empregos, muitos no Poder Público. Em 1922, Pixinguinha passou seis meses em Paris, onde teve contato com novos ritmos e com o jazz americano. Entre as inovações que trouxe à música brasileira, estão a mistura entre os ritmos nacionais e estrangeiros.

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Aleijadinho

As obras do mestre Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho, podem ser vistas por turistas em diversas cidades de Minas Gerais, como Ouro Preto e Congonhas do Campo. São fachadas e altares de belas igrejas barrocas. Filho de um português com uma escrava, nasceu na cidade de Vila Rica (hoje Ouro Preto) em 1730 e aprendeu o ofício do pai, que era entalhador. Quanto tinha 40 anos, teve uma doença degenerativa que lhe tirou os movimentos das articulações. A cidade onde nasceu conta com um museu em sua homenagem. Aleijadinho é considerado um dos maiores artistas brasileiros.

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Abdias do Nascimento

Um dos maiores defensores da cultura negra e da igualdade para negros e seus descendentes, Abdias do Nascimento atuou em diversas frentes. Foi professor, artista plástico, escritor, escultor, poeta e político. Exilado entre 1968 e 1978, retornou ao Brasil e ingressou na política. Foi deputado federal e senador. Como ator, fundou o Teatro Experimental do Negro em 1944. Como escritor, lançou livros como "Sortilégio", "Dramas para Negros e Prólogo para Brancos" e "O Negro Revoltado". Levou o nome do Brasil e sua luta pela igualdade racial para o mundo, tendo sido também professor benemérito da Universidade do Estado de Nova Iorque.

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Grande Otelo

Sebastião Bernardes de Souza Prata, o Grande Otelo, era mineiro. Foi em uma companhia de teatro mambembe que se encontrou. Por ela, deixou Minas Gerais e foi embora para São Paulo. Na cidade grande, foi adotado pela família de um político. Em 1920, fez parte da "Companhia Negra de Revistas", que tinha Pixinguinha como maestro. Participou da "Companhia Jardel Jércolis", pioneira em teatro de revista. Fez carreira no cinema, tendo participado, em 1942, do filme "It’s All True", de Orson Welles. Na década de 1960, Grande Otelo foi contratado pela TV Globo. Entre outros trabalhos, participou da "Escolinha do Professor Raimundo".

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Milton Santos

O geógrafo, professor, jornalista e advogado brasileiro se dedicou aos estudos de urbanização dos países pobres e à geografia. O intelectual foi perseguido por suas atividades políticas de esquerda e se exilou na França, onde fez doutorado. De volta ao Brasil, manteve o intercâmbio com os franceses ao criar o Laboratório de Geomorfologia e Estudos Regionais. Um homem visionário, falava da globalização quando o conceito ainda não existia da forma que é hoje. Seu livro "Por uma Outra Globalização" é exigido em diversos cursos de graduação pelo País.

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Carolina Maria de Jesus

As adversidades não esconderam o talento da escritora Carolina Maria de Jesus, nascida em 1914, em Minas Gerais. Mulher, semi-analfabeta, negra e pobre, ela tinha todos os requisitos para passar desapercebida pela vida. Ainda assim, lutou contra todos os preconceitos e se tornou uma escritora que deixou um valioso legado literário. Sua obra mais famosa, "Quarto de Despejo" teve oito edições quando foi lançada, em 1960. Foram mais de 100 mil exemplares vendidos. O livro foi traduzido para 29 idiomas. A obra também virou filme, produzido por uma televisão alemã. A autora chegou a atuar no longa-metragem.

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Machado de Assis

Machado de Assis, considerado um dos maiores escritores brasileiros, era mulato. Perdeu a mãe cedo e foi criado pela madrasta. Foi cronista, jornalista, ensaísta, romancista, um mestre das letras. Tinha saúde frágil e chegou a vender doces para ajudar nas finanças da família, após a morte do pai. Aos 16 anos, publicou seu primeiro trabalho literário, o poema "Ela". Seu primeiro livro foi impresso em 1861. Suas obras mais famosas são "Dom Casmurro" e "Memórias Póstumas de Brás Cubas". A Academia Brasileira de Letras do Brasil é chamada de Casa de Machado de Assis.