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Qual é a origem do idioma português

A história da língua portuguesa não pode ser separada da história de Portugal e, até mesmo, de toda a Europa. Das origens mais remotas do idioma até a consolidação do português moderno, no século 16, ocorreram guerras, invasões, quedas de impérios e formação de países, fatos que, de uma forma ou de outra, se refletem na formação do nosso idioma.

A história da língua portuguesa se confunde com a história da Europa (Tashatuvango/iStock/Getty Images)

No princípio era o latim

O português, assim como o francês, o espanhol, o italiano e outras línguas chamadas de "neolatinas", deriva do latim, língua falada pelos habitantes do Império Romano e surgida na região do Lácio, na Itália.

A Península Ibérica, região onde se situa Portugal, havia sido habitada por diversos povos, com línguas e culturas distintas, ao longo dos séculos: iberos, celtas, fenícios, gregos. Assim, não havia uma língua padrão na região quando os romanos a invadiram, no século 3 a. C. Depois de mais de cem anos de guerras e resistências, os romanos finalmente anexaram a península a seu Império em 197 a.C. e a ela impuseram sua cultura e sua língua, o latim, que passou a ser usado obrigatoriamente em todas as transações comerciais e atos oficiais. Assim, no século 5 d. C. toda a região falava latim.

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Latim clássico e latim vulgar

Mas o latim falado na Península Ibérica diferia muito daquele usado na escrita. Em primeiro lugar, os principais falantes da língua na península eram os soldados das legiões romanas, que falavam uma língua bastante diferente da dos aristocratas educados. Assim, considera-se que esse latim era o o latim vulgar, em contraposição ao latim clássico, ornamentado, usado na escrita das pessoas cultas. Além disso, essa língua recebeu diversas influências, sobretudo em termos de vocabulário e fonética, das línguas que eram mais faladas na região, o ibero e o céltico.

Invasões territoriais e linguísticas

Quando o Império Romano se dissolveu, no século 5, a Península Ibérica foi invadida e conquistada por uma série de povos germânicos, os chamados "povos bárbaros". Eles se romanizaram, tornaram-se cristãos e adotaram o latim como língua; no entanto, contribuíram para o latim falado na região com uma série de características de suas próprias línguas. O domínio germânico durou até 711, quando a península foi conquistada pelos árabes. Embora eles tentassem impor sua língua e seus costumes, os habitantes continuaram a falar uma versão modificada do latim. O árabe, no entanto, deixou diversos traços no português, como as palavras arroz, azeite e açúcar.

A fundação de Portugal

Durante o período de dominação árabe, os cristãos se refugiaram no norte da Península, dando origem ao reino de Castela. Dali eles partiram para a reconquista gradual de todo o território por meio da guerra, num processo conhecido como "reconquista cristã". Assim, no início do século 12, dois guerreiros que haviam se destacado nessa guerra, D. Raimundo e D. Henrique, receberam como prêmio, respectivamente, a administração das terras da Galiza e do Condado Portucalense, partes da península. No entanto, rapidamente a Galiza tentou se impor sobre o Condado Portucalense, anexando-o. Em resposta a isso, D. Afonso Henriques, filho de D. Henrique, declarou guerra à Galiza, saindo vitorioso e, em 1139, sagrou-se rei de Portugal.

O nascimento do Português

Em 1249, as fronteiras de Portugal, que até então haviam sido motivo de guerra, foram fixadas. Nessa época, falava-se ali uma língua conhecida como galego-português ou português antigo, idioma de transição entre o latim e o português moderno, mas estavam ocorrendo dois processos que alteraram fundamentalmente a língua falada em Portugal. Em primeiro lugar, a continuação da reconquista cristã, que só terminaria em 1492, provocou o aumento da convivência com os árabes e a influência da língua deles no português. Em segundo lugar, com o tempo aumentou a influência cultural dos dialetos do sul de Portugal, sobretudo da cidade de Lisboa. Com isso, os português e o galego foram se diferenciando e, no século 16, considerado o período de consolidação do português moderno, já eram dois idiomas distintos.

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Referências

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