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Quem é Papa Francisco

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Introdução

O mundo se surpreendeu com a notícia, divulgada no dia 28 de fevereiro de 2013, de que o papa Bento 16 renunciaria ao cargo de Sumo Pontífice. Semanas depois, no dia 13 de março, o mundo conheceria seu sucessor. E a notícia não seria menos surpreendente. Ninguém esperava que o Papa escolhido seria o argentino Jorge Mario Bergoglio. Primeiro sul-americano a ocupar o Trono de Pedro, sua origem geográfica é apenas uma das muitas diferenças entre seus antecessores. De hábitos simples, originário das hostes jesuítas, escolheu o nome de Francisco, até então inédito, como sua identidade papal. Conheça um pouco mais sobre este curioso e fascinante personagem.

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Infância e juventude

Filho de imigrantes italianos, Jorge Mario Bergoglio nasceu em Buenos Aires, Argentina, em 17 de dezembro de 1936. Seu pai era um trabalhador ferroviário e a mãe, dona de casa. Criou-se no bairro de Flores, onde teve uma infância típica das crianças daquela época, entre muitas brincadeiras. No entanto, enfrentou dificuldades na juventude: sofreu com uma grave doença respiratória que fez perder um pulmão. Anos depois, se graduou em química e, mais tarde, concluiu também o mestrado, sempre na Universidade de Buenos Aires. No entanto, Bergoglio não teria muito tempo para seguir nesta profissão. Em breve, os rumos de sua vida mudariam para sempre.

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Início da carreira clerical

Durante a adolescência, Bergoglio teve apenas uma namorada, chamada Amalia. Ela afirmou que, naquela época, o jovem chegou a pedi-la em casamento e, se ela não aceitasse, se tornaria padre. Talvez, essa seja realmente a origem de sua história na Igreja. O fato é que ingressou pouco depois no seminário de Villa Devoto. Em março de 1958, integrou o noviciado da Companhia de Jesus. Era o início de sua trajetória jesuítica. Mas nunca se descuidou dos estudos: em seguida obteve a licenciatura em Filosofia no Colégio Máximo São José, em San Miguel. Também deu aulas de Literatura e Psicologia em colégios cristãos. Em 1969, foi finalmente ordenado sacerdote.

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Novas graduações

Já como sacerdote, Bergoglio concluiu o curso de Teologia, também no Colégio Máximo. Ali, obteve a licenciatura. Após realizar a “profissão perpétua”, rito especial para os sacerdotes, tornou-se professor de noviços em Villa Barilari. Ali, permaneceu entre 1972 e 1973. Na mesma instituição onde obteve suas graduações, tornou-se professor da Faculdade de Teologia. Em julho de 1973, foi eleito consultor Provincial de Argentina, cargo que exerceu durante seis anos. Em 1980, retornou à antiga universidade, onde foi escolhido reitor. Manteve-se nesta cadeira até 1986. Comandou ainda a paróquia do Patriarca São José, localizada na diocese de São Miguel.

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Viagens e episcopado

Bergoglio seguiu para a Europa em março de 1986. Na Alemanha Ocidental, concluiu seu doutorado. Foi enviado para igreja da Companhia de Jesus, na cidade de Córdoba, onde atuou como “diretor espiritual” e confessor. Em maio de 1992, foi nomeado bispo titular de Auca e auxiliar de Buenos Aires pelo Papa João Paulo 2°. A ordenação episcopal veio no mês seguinte. Cinco anos depois, tornou-se arcebispo coadjutor da capital argentina e, em fevereiro de 1998, arcebispo de Buenos Aires, após a morte do cardeal Quarracino. Era o primeiro jesuíta de seu país a ser primaz.

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Cardeal da Igreja

Em fevereiro de 2001, participou do Consistório Ordinário Público, presidido pelo Papa João Paulo 2°. Nesta ocasião, Bergoglio recebeu o título de cardeal-presbítero de São Roberto Belarmino. A partir de então, tornou-se um dos homens de confiança do Sumo Pontífice. Integrou vários dicastérios na Cúria Romana, como as congregações para o Clero, para o Culto Divino e Disciplina dos Sacramentos e dos Institutos de Vida Consagrada e Sociedades de Vida Apostólica. Assumiu ainda as pontifícias comissões da América Latina e da Família. Teve atuação de destaque em todos estes cargos, ajudando a moldar a imagem atual da Igreja Católica.

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Escolha para Papa

Bergoglio foi eleito Papa aos 76 anos, sucedendo a Joseph Ratzinger, que ocupava o cargo com o nome de Bento 16 e optou por renunciar em 2013. A escolha ocorreu por meio do conclave, formado por todos os cardeais da Igreja Católica. Eles se enclausuram e permanecem sem contato com o mundo exterior até escolher o Sumo Pontífice. Cinco eleições foram realizadas em apenas dois dias, em um dos mais rápidos processos de escolha da história do Cristianismo. No dia 13 de maio, o carmelengo Jean-Louis Tauran fez o célebre anúncio: “habemus papam” (“temos Papa”). Ele é o primeiro das Américas a ocupar o Trono de Pedro e o 12º não-europeu.

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A primeira aparição como Papa

Assim que seu nome foi anunciado, o Papa Francisco apareceu na sacada central da Basílica de São Pedro, diante de milhares de pessoas que aguardavam na gigantesca praça. Após a execução da Marcha Pontifical, saudou a multidão e fez um discurso marcante: “Vós sabeis que o dever do Conclave era dar um Bispo a Roma. Parece que os meus irmãos Cardeais tenham ido buscá-lo quase ao fim do mundo… eis-me aqui!”. Em seguida, pediu uma oração a Bento 16, agora bispo emérito. Antes de abençoar o público, surpreendeu mais uma vez, pedindo para que o povo orasse para que ele fosse um bom Sumo Pontífice.

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A escolha do nome

Uma das primeiras surpresas do cardeal Bergoglio foi a escolha do nome. Em vez de optar por nomes já utilizados anteriormente, resolveu se denominar Francisco, uma alusão a São Francisco de Assis, padroeiro da Itália e que viveu entre 1182 e 1226. Ao contrário do que muitos imaginam, o cardinal I (primeiro) não é utilizado. Essa numeração só será adotada quando os próximos Papas escolherem o mesmo nome. “Pelos pobres que pensei em Francisco. Pensei nas guerras, e assim surgiu o homem da paz, o homem que ama e protege a criação, com o qual hoje temos uma relação que não é tão boa”, afirmou o novo Papa.

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Hábitos simples

O novo Papa é conhecido pelos seus hábitos simples e pelo discurso de humildade. A própria escolha de seu nome papal faz parte desta filosofia. Afinal, São Francisco de Assis ficou conhecido por se desfazer de todos os seus bens em prol dos miseráveis. Quando foi nomeado cardeal, centenas de argentinos organizaram uma caravana para Roma. Bergoglio pediu que não fossem e dessem o dinheiro da viagem aos pobres. Já como supremo líder da Igreja Católica, fez discursos contundentes contra o culto ao dinheiro. “Ele deve servir e não governar”, afirmou. Para ele, a obsessão pelo dinheiro fez com que os homens esquecessem a solidariedade.

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Um amante do futebol

Como todo argentino que se preze, o Papa Francisco nutre um amor antigo e intenso pelo futebol. Desde criança, manteve contato com o San Lorenzo, clube do bairro de Flores, onde viveu. Em pouco tempo, o pequeno Jorge se tornaria um ardoroso torcedor. Mesmo ao seguir a carreira eclesiástica e viajar pelo mundo, nunca perdeu o contato com o esporte. Ao ser escolhido Sumo Pontífice, bradou aos quatro cantos do mundo sua paixão. Foi inclusive visitado pelos dirigentes do clube semanas depois e recordou os felizes momentos da infância. “Segui, aos dez anos, a gloriosa campanha de 1946. Aquele gol de Pontoni!", afirmou.