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O que não perder no Carnaval de Pernambuco

André Nery/ PCR|Fotos Públicas

Introdução

Para muitos, o Carnaval é a festa mais esperada do ano. São quatro dias de muita alegria e diversão em praticamente todo o País. Mas tem um lugar em especial que basta passar o Réveillon e já se começa a falar “é Carnaval!”. Sabe onde é? Acertou se você pensou em Pernambuco. O clima carnavalesco começa a esquentar desde cedo, mais especificamente nas duas últimas semanas antes da data oficial dos festejos momescos – a depender do calendário, claro – com as prévias, os ensaios de blocos e os bailes. A animação também vai do litoral ao sertão pernambucano, atendendo a todos os gostos e programações. E o melhor de tudo: diversão garantida sem pagar praticamente nada! Confira, nos próximos slides, o que você não pode perder no Carnaval de Pernambuco.

Flickr I Love Cafusú/Beto Figueiroa/Santo Lima

Tudo começa com as prévias

A pouco menos de um mês do sábado de Zé Pereira, quem anda pelas ruas pernambucanas pode acabar esbarrando com algum ensaio de bloco para o Carnaval. Não se assuste. De preferência, entre na brincadeira e aproveite! Se não curte muito as festas na rua, pode optar pelos bailes carnavalescos – nesse caso, você paga um determinado valor pela entrada. Muitos acontecem uma semana antes da data oficial do Carnaval e outros são prévias de blocos de rua tradicionais do Recife e de Olinda. A lista é grande: Baile Municipal do Recife, Baile dos Artistas, Bal Masqué, I Love Cafusú, Enquanto Isso na Sala da Justiça, Guaiamum Treloso, Eu Acho É Pouco... Escolha um (ou vários), vista sua fantasia e divirta-se!

Flickr Visit Brasil

O Galo madruga e acorda os foliões

De um grupo de amigos e familiares no bairro de São José, no centro do Recife, em 1978, para dois milhões de pessoas que fazem do Galo da Madrugada o maior bloco de Carnaval de rua do mundo. Todos os anos, no Sábado de Zé Pereira, a agremiação – também Patrimônio Imaterial de Pernambuco – arrasta multidões com muito frevo em vários trios elétricos com artistas locais e convidados. Sua marca registrada é o Galo Gigante que é reverenciado pelos foliões na Ponte Duarte Coelho. A brincadeira rende o dia inteiro e se espalha pelas principais ruas do Centro do Recife, onde muitos foliões desfilam suas fantasias criativas e irreverentes. Então, ainda duvida que o Carnaval não começa no Galo da Madrugada?

Flickr Prefeitura de Olinda/Jan Ribeiro

Subindo e descendo as ladeiras de Olinda

A folia na Cidade Patrimônio Histórico e Cultural da Humanidade começa logo cedo. Os blocos e troças carnavalescas, com seus bonecos gigantes, se aquecem para o Carnaval semanas antes. A animação está em praticamente todas as ladeiras e ruas históricas da Cidade Alta de Olinda, tomadas por foliões que não se cansam de frevar durante todo o dia. Pitombeiras dos Quatro Cantos, Homem da Meia Noite, Marim dos Caetés e Vassourinhas são algumas das agremiações que arrastam multidões. Os bonecos gigantes também são a marca registrada do Carnaval de Olinda, representando personalidades pernambucanas, brasileiras e até internacionais. Outra irreverência de Olinda são os criativos e divertidos blocos, como Eu Acho é Pouco, Enquanto isso na Sala da Justiça e I Love Cafusú.

Flickr Prefeitura do Recife

Folia descentralizada no Recife

A marca registrada do Carnaval na capital pernambucana é a descentralização multicultural. Objetivo: atender todos os gostos. Oficialmente, a folia no Recife começa na sexta-feira de Carnaval, com uma grande festa de abertura e os tambores de Naná Vasconselos que reúnem milhares de pessoas no Bairro do Recife, mais conhecido como Recife Antigo. Um grande palco concentra as principais atrações locais e nacionais no Marco Zero. Ainda no bairro, estão espalhados outros palcos com atrações para um Carnaval mais tradicional ou até alternativo ao som de mangue beat. Ao todo, são 17 polos espalhados pelo Recife, sendo oito centralizados e nove descentralizados. Além disso, a festa conta com centenas de shows e agremiações culturais com muito maracatu, caboclinhos, coco e ciranda que fazem da festa uma das maiores do Brasil.

Flickr Lia de Itamaracá/Rogério Réis

No ritmo da ciranda

Quem não dispensa uma boa praia em pleno Carnaval pode ir até a Ilha de Itamaracá, a cerca de 40 quilômetros do Recife, no Litoral Norte. Por lá, você pode curtir o clima praieiro dançando ao som da ciranda, ritmo criado pelas mulheres dos pescadores da região que os esperavam voltar do mar cantando e dançando em uma grande roda. A abertura do Carnaval em Itamaracá acontece no sábado de Zé Pereira, no Polo Pilar, contando sempre com a participação de Lia de Itamaracá, sua maior representante. Na terça-feira de Carnaval é dia das Catraias. Aproveite e curta as águas calmas e mornas do lugar, além de visitar o Forte Orange, monumento histórico da cidade. O acesso à ilha é pela BR-101 norte.

Flickr Turismo Pernambuco

Carnaval na praia

Ainda falando de Carnaval na praia, você também pode optar pelo Litoral Sul, mais especificamente por Ipojuca. Lá, a folia divide espaço com as lindas e paradisíacas praias do município: Porto de Galinhas, Maracaípe, Muro Alto, Cupe, Serrambi e Toquinho. Para alguns, pode ser uma fuga da agitação que acontece em outras cidades, mas nem tanto. Está enganado quem pensar assim. Durante os dias de Carnaval, as ruas dos distritos de Camela e Nossa Senhora do Ó recebem apresentações de frevo, maracatu e caboclinhos. Além disso, os pernambucanos que preferem passar a temporada por lá também fazem sua própria folia. O caminho do paraíso praieiro é feito pela BR-101 e PE-60.

Flickr Turismo Pernambuco/Juarez Ventur

A tradição do maracatu rural

Na Zona da Mata, o que mais chama a atenção é a cidade de Nazaré da Mata com os tradicionais desfiles dos maracatus rurais, também conhecidos como maracatus de baque solto. A manifestação cultural é uma reverência a uma herança secular da cultura pernambucana. O destaque vai para os caboclos de lança, um dos símbolos do Carnaval pernambucano. Anote na agenda: toda segunda-feira de Carnaval acontece o grande encontro de maracatus que reúne o colorido de 32 grupos. Nazaré da Mata fica a 50 quilômetros do Recife e, para chegar lá, basta acessar a BR-408.

Flickr Fundarpe/Isabella Valle

Encontro dos caboclinhos

Ainda na Zona da Mata, você pode se deparar com outra forte manifestação cultural de Pernambuco: os centenários caboclinhos, constituídos por índios caetés e tupinambás. A festa acontece no município de Goiana, a 62 quilômetros da capital pernambucana. É lá que acontece a Caçada do Bode, quando as tribos de caboclinhos saem na madrugada do domingo de Carnaval pelos canaviais da região para caçar um bode. É um ritual religioso e gastronômico que acontece até a quarta-feira de cinzas. Além disso, é em Goiana onde estão as duas bandas mais antigas da América Latina: Saboreia e Curica. Desde o século 19, elas saem pelas ruas desfilando a sua antiga rivalidade. Para chegar, pegue a BR-101.

Flickr Turismo Pernambuco/Paloma Amorim

Papangus de Bezerros

Não tão longe do Recife, uns 100 quilômetros no Agreste pernambucano, estão os papangus de Bezerros. A tradição começou no final do século 19, com foliões fantasiados e usando uma espécie de máscara, chamada cafta, que são costuradas nas laterais e com pequenos orifícios nos olhos, na boca e no nariz. O nome “papangus” foi dado a esses personagens porque, antes da brincadeira, eles comem um prato de angu, comida à base de milho introduzida na culinária brasileira pelos negros vindos da África no período colonial. A dica é dar uma passada por Bezerros no domingo de Carnaval, quando os papangus mais irreverentes desfilam pelas ruas da cidade. Para chegar lá, basta pegar a BR-232.

Flickr Fundarpe/Renato Spencer/Santo Lima

Carnaval + folclore

Vestidos de paletós coloridos e sacos de estopa na cabeça, os caiporas fazem a festa dos foliões em Pesqueira, Agreste pernambucano. Esses personagens são a marca registrada do Carnaval da cidade desde 1962, quando a troça foi criada pelo imaginário folclórico pernambucano. Reza a lenda que tochas sobrenaturais surgiam em cima de árvores com o objetivo de assustar os caçadores do lugar. Para ver de perto as caiporas, é preciso pegar a estrada pela BR-232 e enfrentar um pouco mais de 215 quilômetros de estrada, saindo do Recife.

Flickr Fundarpe/Rafa Medeiros

O mistério dos caretas

Se você está disposto a ir ainda mais longe, pode pegar a BR-232 e a PE-365 para tentar desvendar o mistério dos caretas em Triunfo, Sertão pernambucano. Essa tradicional brincadeira reúne esses personagens meio sátiros e com expressões mal humoradas que circulam pela cidade assustando os foliões estalando no chão os seus relhos (chicotes com ponteiras). Assim, iniciam as batalhas entre as trecas, como são chamados os grupos de caretas. Na segunda-feira de Carnaval, os melhores caretas são eleitos por um júri. Caso descubra a identidade de algum dos caretas, por favor, é só nos dizer.