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Os presidentes latinoamericanos que fizeram história

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Introdução

No início do século 19, os países latino-americanos começaram a obter sua independência e quebrar o jugo das nações europeias. Desde então, vários líderes políticos importantes surgiram nestes países, mudando o cenário político e/ou econômico e influindo inclusive na política externa. Alguns deles foram grandes estadistas, aperfeiçoando os fundamentos da democracia. Outros, por sua vez, foram ditadores cruéis, que mataram e perseguiram impiedosamente seus opositores. Outros ainda se destacaram pela controvérsia, obtendo grandes avanços sociais para os mais necessitados, mas entrando em conflito com alguns segmentos da sociedade. Do Caribe ao Cone Sul, conheça alguns presidentes que fizeram história na América Latina.

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Simón Bolívar

Nascido em 1783, é considerado o grande libertador da América Latina, ao lado de José de San Martín. Foi o líder de vários movimentos de independência contra a Coroa Espanhola, no início do século 19. Colaborou decisivamente para a emancipação de vários países, como Bolívia, Peru e Venezuela. Seu grande sonho era reunir todos os vice-reinos em uma única grande nação de língua espanhola, que certamente se tornaria uma potência continental. No entanto, os países se fragmentaram, restando somente a ele a oportunidade de governar a Grã-Colômbia (que na época compreendia ainda o Panamá, o Equador e a Venezuela). Foi presidente desta nação entre 1819 e 1830, mesmo ano em que morreu. Até hoje é reverenciado pelos latino-americanos.

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Júlio Roca

As primeiras décadas da Argentina como nação independente, no início do século 19, foram marcadas por pesados conflitos político-ideológicos. Os frequentes embates entre federalistas e centralizadores minaram o crescimento do país. A partir dos anos 1970, porém, houve a estabilização política e econômica. Parte deste legado pertence a Júlio Argentino Roca. Nascido em 1843, esteve à frente da presidência em dois mandatos: 1880-1886 e 1898-1904. Por um lado, deu impulso às exportações e incentivou o crescimento agropecuário e industrial do país. No entanto, é lembrado por seus opositores por ser um genocida: teria ordenado o massacre de povos indígenas e também de provincianos que se opunham a seu projeto centralizador de governo. Morreu em 1914.

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Francisco Madero

Durante todo o século 19, o México foi dominado por oligarquias rurais. Para quebrar essa cadeia dominante, um grande movimento revolucionário surgiu em 1910. A chamada Revolução Mexicana (foto) foi gestada por Francisco Madero para derrubar o grande caudilho Porfírio Paz, que dominava o país por décadas. A vitória resultou no exílio do governante e na realização de novas eleições. Como grande líder político em ascensão, Madero assumiu a presidência em 1911. Inicia um governo democrático, abrindo espaço para o diálogo com outros segmentos da sociedade. É alvo de um golpe de estado perpetrado pelos antigos governantes e acaba assassinado em 1913.

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Juan Domingo Perón

Juan Domingo Perón foi presidente da Argentina pela primeira vez entre 1946 e 1955. Mais que isso, foi o pai de um movimento político: o peronismo. Pautado pelas ações populistas, implantou uma reforma trabalhista, garantindo direitos como o 13º salário, férias e folgas, além de dificultar as demissões. No entanto, com o aumento do consumo, fez subir fortemente a inflação. De formação militar, chegou ao poder graças a um golpe de estado, mas também foi alvo de insurreições. Até hoje é reverenciado por setores da esquerda argentina, assim como sua primeira esposa, Evita Perón, que ganhou a alcunha de "mãe dos pobres". Foi eleito mais uma vez em 1973, mas morreu no ano seguinte.

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Bartolomé Mitre

Nascido em 1821, este jornalista e escritor argentino teve entre seus feitos a fundação do jornal "La Nación". Como político, também participou de momentos importantes da história de seu país. Foi em seu governo, de 1862 a 1868, que o país passou a se unificar de fato, com o fim dos conflitos entre Buenos Aires e as províncias. Também neste período ocorreu a Guerra do Paraguai, na qual Brasil, Argentina e Uruguai se uniram contra o ditador paraguaio Solano López. Também durante seu mandato, o país passou a contar com uma justiça efetiva. Antes, ela era regional, decidida pelo caudilho local. Bartolomé Mitre Martinez morreu em 1906.

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Fidel Castro

Uma das mais importantes biografias mundiais do século 20, Fidel Alejandro Castro Ruz virou a geopolítica latino-americana de cabeça para baixo. Nascido em Cuba, em 1926, formou-se advogado e passou a enfrentar o governo do ditador Fulgêncio Batista. Comandou uma pequena guerrilha, que acabou tomando o poder em 1959. A partir de então, criou o único regime comunista das América, sob as barbas dos Estados Unidos. Promoveu profundas mudanças sociais, erradicando a fome, a mortalidade infantil e o analfabetismo. No entanto, implantou um regime ditadorial, sem eleições diretas, com cerceamento à liberdade de imprensa e perseguição a opositores. Deixou o governo em 2008, em favor de seu irmão Raúl Castro.

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Salvador Allende

Salvador Allende Gossens nasceu no Chile, em 1908, e se tornou um dos maiores mitos da esquerda latino-americana. Foi o primeiro marxista a ser eleito democraticamente presidente de um país do continente americano. Grande orador, iniciou sua carreira política em 1933, sendo um dos fundadores do Partido Socialista Chileno. Elege-se deputado 1937 e 1943 e chega a ocupar o Ministério da Saúde de 1939 a 1942. Seu grande salto ocorreu em 1945, quando se elege senador e ocupa o cargo até 1970, quando finalmente vence as eleições presidenciais. Anteriormente, fora derrotado em 1952, 1958 e 1964. No poder, inicia mudanças, como reforma agrária e nacionalização de empresas. No entanto, sofre um golpe militar em 1973, quando acaba morrendo.

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Augusto Pinochet

O chileno nascido em 1915 marcou para sempre a história de seu país. Militar altamente graduado, tornou-se comandante supremo das forças armadas no governo de Salvador Allende, nos anos 1970. No entanto, em 1973, deu um golpe de estado de forma incisiva: bombardeou o palácio La Moneda, em ação que resultou na morte do presidente. Assumiu o poder e nele se manteve até 1990. Foi um ditador cruel: sob seu mandato, houve tortura, assassinatos e desaparecimento de opositores políticos. A imprensa foi censurada e toda manifestação contrária a seu poder era proibido. Após deixar o cargo, foi acusado de corrupção e de violações dos direitos humanos. Morreu durante o julgamento, em 2006.

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Alberto Fujimori

Filho de japoneses, Alberto Fujimori nasceu no Peru, em 1938. Assumiu a presidência do seu país em 1990 e permaneceu por dez anos. Se destacou por restaurar a estabilidade econômica, além de desmontar o grupo terrorista Sendero Luminoso. No entanto, chegou à mídia de forma maciça depois que seu nome foi envolvido em escândalos de corrupção. No ano 2000, renunciou e pediu asilo político no Japão. Em 2007 foi extraditado para o território peruano, onde foi julgado por abusos aos direitos humanos. Foi condenado a seis anos de prisão primeiramente e, em 2009, a 25 anos de prisão por violar os direitos humanos. Permanece preso.

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Daniel Ortega

José Daniel Ortega Saavedra sempre foi um revolucionário. Nascido na Nicarágua, em 1945, integrou desde jovem a Frente Sandinista de Libertação Nacional, movimento criado para derrubar o ditador Anastasio Somoza. Em 67, chegou a ser preso por assaltar o Bank of America. Em 1974, ganhou a liberdade junto com outros encarcerados em uma troca de prisioneiros. A derrubada do tirano ocorreu em 1979 e abriu o caminho para que ele presidisse o país pela primeira vez, entre 1985 e 1990. Tentou distribuir riquezas e fazer a reforma agrária, mas esbarrou nos Contras, grupo armado financiado pelos EUA para derrubá-lo. Voltou ao cargo em 2006, tendo sido reeleito em 2011.

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Hugo Chávez

Hugo Chávez foi o primeiro de uma série de líderes de esquerda que conquistaram o poder, por meio do voto, na América Latina do século 21. Nascido na Venezuela, em 1954, foi o líder do que chamou de Revolução Bolivariana. Em 92, havia tentado um golpe contra o então presidente Carlos Andrés Pérez, mas não obteve êxito. Foi eleito presidente pela primeira vez em 1998 e reeleito nas três eleições subsequentes. Implantou políticas de transferência de renda e distribuição de riqueza. Também causou polêmica ao proferir discursos contra os Estados Unidos. Assumiu seu quarto mandato enquanto fazia tratamento de câncer fora do País. Tomou posse, mas morreu poucos meses após o início do governo, em 2013.

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Evo Morales

Evo Morales é mais um dos esquerdistas que chegaram ao poder na América Latina no século 21. Nascido na Bolívia em 1959, é querido por grande parte da população, mas tem uma verve polêmica. Chegou à presidência pela primeira vez em 2006, após liderar os agricultores que cultivam coca no País. Seu governo prioriza a reforma agrária e a nacionalização da economia e de recursos naturais, como o gás e o petróleo. Sempre apoiou governos de esquerda da América Latina e recebeu apoio deles, como de Lula no Brasil, e Fidel Castro, em Cuba, além de Hugo Chávez, na Venezuela. Foi reeleito em 2009. Para valorizar a origem indígena, sempre veste roupas típicas.

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Lula

Primeiro presidente de origem popular do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva tem uma história fantástica. Nascido no paupérrimo nordeste brasileiro, em 1945, mudou-se com a família para São Paulo, vindo em um precário caminhão conhecido como "pau-de-arara". Trabalhando como metalúrgico, tornou-se sindicalista e liderou as históricas greves de São Bernardo do Campo, em 1978. Foi um dos fundadores do Partido dos Trabalhadores, pelo qual se elegeu deputado e se candidatou a presidente em 1989, 1994 e 1998, sempre derrotado. Venceu pela primeira vez em 2002 e foi reeleito quatro anos depois. Em seu governo, implantou programas de redução da miséria, reaqueceu a economia do país e conduziu o país à condição de potência emergente.