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Os principais blocos de rua do Carnaval do Recife

Reprodução Fickr|Prefeitura do Recife Oficial

Introdução

A palavra "folia" vem do francês e quer dizer "loucura". Quem criou essa palavra deve ter passado o Carnaval no Recife, porque são tantos ritmos, tantas orquestras, tantas fantasias, que parece, mesmo, que o mundo enlouqueceu. São centenas de milhares de pessoas com sorriso no rosto e frevo no pé dançando pelas ruas na maior expressão cultural da cidade. Seja para relembrar os velhos tempos, satirizar a política do País ou somente para encontrar os amigos e dar boas risadas, venha com a gente conhecer um pouco dos principais blocos de rua do Carnaval recifense!

Reprodução Ormuzd Alves|www.ormuzd.com.br

Galo da Madrugada

No Sábado de Zé Pereira, de manhã cedinho, os foliões começam a lotar as ruas do Bairro de São José; é que o Carnaval começou com o canto do Galo da Madrugada! Até o final da tarde, milhões de pessoas passam pelas ruas do Recife atrás das bandas de frevo e trios elétricos. Além do asfalto, as águas do Rio Capibaribe também são tomadas por embarcações que formam o Galinha D'água, bloco fluvial que acompanha o desfile principal. Com 36 anos de história, o Galo é hoje Patrimônio Imaterial de Pernambuco, tendo um importante papel na divulgação da cultura do estado pelo mundo.

Reprodução Flickr|Prefeitura do Recife Oficial|Diego Nigro

Amantes de Glória

Inspirado na personagem de Victoria Abril no filme "Ninguém Falará de Nós Quando Estivermos Mortos", um grupo de amigos criou o bloco Amantes de Glória em 1997 para celebrar o prazer. Para além das origens, as lendas que relatam os poderes de conquista de Glória (personagem de Abril) são motivo de diversão entre seus amantes e se reinventam a cada encontro. A cor oficial do bloco é o verde e vale decorar qualquer parte do corpo – pés, braços, boca, olhos, cabelo e até barba! – para seguir a banda de metais. A agremiação sai durante a tarde da segunda-feira de Carnaval e esverdeia as ruas do Bairro do Recife.

Reprodução Rodrigo Pires | Agenda Cultural do Recife

Bloco da Saudade

Em 1962, o compositor Edgard Moraes escreveu uma canção relembrando os blocos de pau e corda que tiveram seu auge no começo do século 20. Na letra, ele idealizava o Bloco da Saudade, que reverenciaria uma época de tradição familiar com coros de vozes femininas e cadências mais lentas. Seu sonho foi realizado em 1973, quando um grupo de amigos criou o bloco que hoje é seguido por mais de 5 mil saudosistas. As músicas são entoadas por "pastoras" em fantasias luxuosas nas cores azul, branco e vermelho, acompanhadas por banjos, flautas e pandeiros, entre outros instrumentos. O Bloco da Saudade enche o Recife de nostalgia nas segundas e terças-feiras de Carnaval, além de relembrar os velhos carnavais também em Olinda, nos domingos.

Reprodução www.blocodasflores.org.br

Bloco das Flores

Criado em 1920, o Bloco das Flores é o mais antigo e um dos mais homenageados blocos líricos do Recife por sua tradição. Cada detalhe das fantasias de suas pastoras é projetado e modelado meses antes, para que o desfile fique irretocável. Sempre carregando muitas flores para perfumar a capital pernambucana, a agremiação é umas das mais seguidas por turistas e moradores que querem reverenciar o frevo de bloco. É possível apreciar o Bloco das Flores nas segundas-feiras de Carnaval, quando acontece o Encontro de Blocos de Pau e Corda, no Bairro do Recife, e nos outros dias nos polos descentralizados da cidade.

Reprodução www.3deagostofalandoparaomundo.blogspot.com

Madeira do Rosarinho

"Nós somos madeira de lei que cupim não rói"; assim termina um dos mais cantados hinos do Carnaval recifense. Trata-se de uma canção composta em 1963 por Capiba, que protestava a perda do título do concurso de blocos daquele ano para os rivais Batutas de São José. Madeira do Rosarinho pode ter perdido para os juízes, mas não para a multidão que desde 1926 segue a banda de pau e corda pelas ruas do bairro que o criou. Hoje, a agremiação desfila no bairro do Rosarinho durante as Quartas-feiras de Cinzas e participa do Concurso de Agremiações Carnavalescas. O bloco também se apresenta com uma orquestra e várias alas fantasiadas nos polos descentralizados do Carnaval do Recife.

Reprodução ANTÔNIO TENÓRIO/Prefeitura do Recife

Nem Sempre Lily Toca Flauta

Reza a lenda que Lily era uma famosa prostituta francesa que, no começo do século 20, vivia em um casarão no Recife. Quando não estava trabalhando, Lily sentava-se no parapeito da sacada e tocava flauta doce divinamente. Claro que essa é só uma das versões que encantam a imaginação dos foliões. Em 1914, existia uma troça carnavalesca com esse nome e, para homenagear a troça e a moça, em 1989 um grupo de professores universitários resgatou o Nem Sempre Lily Toca Flauta. Hoje, o bloco é seguido por mais de mil pessoas e tem sua concentração no Pátio de Santa Cruz, no Bairro da Boa Vista, de onde sai às sextas-feiras de Carnaval.

Reprodução edsonportfolio.wordpress.com

Bloco do Oiti

O Bloco do Oiti foi fundado em 2004 e homenageia as árvores que abundam no bairro do Espinheiro. Logo surgiram mil fantasias fazendo piadas de duplo sentido com o nome, que em algumas lugares do Brasil é sinônimo de "fiofó". Além das orquestras de frevo, passistas, estandartes, rainhas e trios elétricos, o bloco conta com um desfile de carros antigos, para frisson dos aficionados. Apesar de nova, a agremiação já arrasta mais de 15 mil foliões pelas ruas do bairro da Zona Norte do Recife e a cada ano cresce mais! Quem brincar no Oiti? Então, esteja na rua da Hora, a partir das 10h no Sábado de Zé Pereira.

Reprodução www.geleiageneral.blogspot.com

Batutas de São José

Com 80 anos completados em 2012, o bloco Batutas de São José é o mais antigo a desfilar ininterruptamente no Recife. Seu hino termina com um convite que descreve bem o Carnaval recifense: "vamos cair no passo e a vida gozar!"; não é à toa que ele é cantado por praticamente todos os blocos durante a folia. Hoje, o Batutas passa por dificuldades financeiras, mesmo arrecadando fundos com os bailes dominicais que acontecem na sua sede, no bairro de Afogados. Apesar disso, o bloco pode ser visto seguindo seu flabelo com a mesma alegria no Encontro de Blocos de Pau e Corda na segunda-feira de Carnaval e nos polos descentralizados do Recife.

Reprodução Flickr|Prefeitura do Recife Oficial

Nóis Sofre Mas Nóis Goza

O Nóis Sofre Mas Nóis Goza foi criado em plena ditadura militar para debochar das duras imposições que o governo infligia à população. Em 1976, um grupo de artistas e intelectuais frequentava uma extinta livraria na rua Sete de Setembro e decidiu que ali se reuniria a nova agremiação. Os foliões se concentram no local a partir do meio-dia do Sábado de Zé Pereira, sem ter hora para sair. Pulam muito ao som da orquestra de frevo e dão muitas gargalhadas com o concurso de fantasias, todas cheias de crítica política e social. Afinal, mesmo vivendo em uma democracia, tem sempre um que grita: "Nóis sofre, mas nóis goza"!