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Principais doenças que afetam os trabalhadores brasileiros

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Introdução

O trabalho é a forma mais comum de um cidadão obter o seu sustento e de sua família. Por meio do esforço físico ou intelectual, ele ajuda a sociedade e é recompensado com a remuneração, seja em dinheiro, produtos ou benefícios. No entanto, nem todo emprego é digno e seguro e há o risco de sofrer acidentes ou contrair doenças. Em alguns casos, o problema é a própria natureza da função. Mas em outros, a culpa é da falta de equipamentos e condições de segurança, negligenciados por patrões e altos funcionários. Conheça algumas das principais doenças ligadas ao trabalho, também conhecidas como laborais ou ocupacionais.

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LER

Algumas das doenças laborais mais comuns são causadas pelo intenso trabalho físico. Destacam-se, neste campo, as LER (Lesões por Esforço Repetitivo). Trata-se, na verdade, de uma série de males físicos, como a tendinite, tenossinovite e também a bursite. Geralmente, os mais propensos a enfrentarem estes problemas são operários de fábricas, que lidam diariamente, por anos a fio, com movimentos idênticos em uma linha de montagem, por exemplo. Mas também estão sujeitos a complicações os profissionais que passam horas em frente a um computador. A recomendação é que os trabalhadores façam várias pausas durante o expediente e realizem exercícios de alongamento nestes intervalos.

Adam Gault/Digital Vision/Getty Images

Lombalgia

Também conhecido como lumbago, esse é outro caso muito comum de doença ocupacional provocada por excesso de esforço físico. No entanto, aqui a principal causa é a forma inadequada de se realizar as atividades. Um exemplo típico é carregar peso sem tomar os devidos cuidados na hora de erguer, mover ou descer um determinado objeto. Os sintomas mais nítidos são dores na região lombar, que podem se espalhar para as pernas. Há dois tipos de lombalgia, a aguda, que é intensa e surge logo após uma atividade física, e a crônica, que geralmente acomete pessoas mais velhas. Nesses casos, as dores são mais brandas, porém quase permanentes.

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Problemas de visão

Complicações visuais são comuns na grande maioria dos trabalhadores que atuam no período noturno. Esse tipo de doença ocupacional ocorre porque, durante a noite, o corpo humano altera sua produção de hormônios. Neste período, ocorre a redução na capacidade de algumas funções corporais. Se essas horas não forem destinadas ao sono, pode haver um desgaste excessivo. A visão é um dos pontos mais frágeis deste elo e, infelizmente, trocar a noite pelo dia não resulta em uma recuperação adequada. Por isso, o trabalhador corre o risco de ser afetado por várias moléstias como conjuntivite e catarata ou até mesmo ficar totalmente cego.

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Câncer e males de radiação

As mais graves doenças ocupacionais são as relacionadas às radiações. A exposição a raios X e gama podem causar alteração na produção de células. As ondas ultravioleta, infravermelha, de rádio e micro-ondas, por sua vez, podem até mesmo afetar órgãos internos, como os testículos, comprometendo a fertilidade ou a potência sexual. Outro mal muito comum é uma variedade de conjuntivite. Mas a mais grave doença é, sem dúvida, o câncer, que pode afetar a pele, os pulmões ou outros órgãos. Estão sujeitos ao risco trabalhadores da construção civil, que lidam com aparelhos de solda e similares, ou profissionais que lidam com equipamentos radioativos sem a devida proteção.

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Asma ocupacional

Grave doença respiratória, a asma ocupacional pode ser adquirida pela inalação de várias partículas, como madeira, algodão, produtos pesados e couro. Os mais vulneráveis a esse tipo de complicação são funcionários de indústrias têxteis e químicas, construção civil e aterros sanitários. Quem lida com lixo hospitalar também corre graves riscos. Fique atento caso apresente sintomas - tosse constante, chiados no peito e falta de ar – e procure atendimento médico. A patologia pode se agravar, causando paradas respiratórias agudas. É preciso tomar vários cuidados, como o uso de máscaras e equipamentos especiais para evitar a contaminação.

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Silicose

Outra variedade perigosa de distúrbio respiratório ocupacional, a silicose é causada pela ingestão acentuada de poeira sílica, que pode se acumular perigosamente nos pulmões. Essa substância, em grandes quantidades, forma um tecido fibroso no organismo, dificultando a respiração. A moléstia exige cuidados especiais, porque é incurável. Para piorar, sua gravidade aumenta progressivamente, mesmo que o paciente abandone a atividade que o levou a ter contato com o produto. Funcionários de indústrias químicas e têxteis são os mais propensos a contrair a silicose, que pode inclusive levar uma pessoa à morte. A principal forma de prevenção é o uso de máscaras.

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Pair

A poluição sonora, que infesta as grandes cidades do mundo, é um dos maiores males do mundo moderno. No interior das fábricas e construções, ela atinge níveis preocupantes, assim como nos portos, aeroportos e outros recintos. As pessoas que trabalham nesses locais, sem a proteção necessária, estão sujeitas a uma doença chamada Pair (Perda Auditiva Induzida por Ruído). Ela é causada pela exposição, por horas a fio, a barulho em altos níveis de decibéis. Máquinas, veículos e equipamentos de todo tipo, provocando sons de forma repetitiva, são um risco ao sistema auditivo. A perda de audição pode ocorrer de forma contínua e progressiva, podendo resultar até mesmo na surdez total. O processo é irreversível.

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Doenças da pele

O contato prolongado com produtos tóxicos, como cimento, tintas e solventes, pode causar graves complicações. Por causa disso, funcionários de indústrias químicas, têxteis e metalúrgicas estão sujeitos a doenças consideráveis. Uma substância chamada bicromato é uma das mais danosas ao organismo e está presente na maioria dos produtos utilizados em fábricas e construções. Pode causar coceiras, vermelhidão e resultar no surgimento de vesículas. Dermatites, alergias e até mesmo câncer de pele atingem os trabalhadores dessa categoria. O uso de vestimentas especiais de proteção, durante o horário de trabalho, é a principal medida de prevenção.

David De Lossy/Photodisc/Getty Images

Estresse ocupacional

Talvez a mais ampla e complexa doença laboral, o estresse ocupacional é um símbolo negativo do ritmo frenético das grandes cidades e da civilização moderna. Nos dias de hoje está presente em quase todas as atividades de trabalho, menos pela função em si e mais pelas exigências infligidas aos trabalhadores, como carga horária excessiva ou horários inadequados. Some-se a isso outros problemas, como assédio moral, baixa remuneração ou falta de condições materiais para o exercício da profissão. Agressividade, ansiedade crescente e problemas gastrointestinais são os traços mais comuns, mas a doença pode ainda se manifestar de várias outras formas.

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Depressão e distúrbios mentais

Não são apenas problemas físicos, respiratórios e circulatórios os causados por inadequações no ambiente de trabalho. As doenças de ordem mental têm se tornado cada vez mais comuns e diagnosticadas com precisão cada vez maior. Esses males surgem quando as condições de trabalho, somadas às pressões psicológicas, atingem um nível de precariedade tão grande que gera um agravamento do estresse ocupacional. Desta forma, o paciente pode adquirir distúrbios ainda mais graves, como a depressão, a fobia social e a síndrome do pânico. Operadores do sistema financeiro, professores, policiais, jornalistas e atendentes de telemarketing estão entre os mais propensos a sofrer com esse terrível quadro.