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Os principais ritmos brasileiros

Conheça os principais ritmos brasileiros de todas as regiões
Reprodução Fotos Públicas|Sérgio Bernardo/ PCR

Introdução

O Brasil abriga uma cultura vasta e variada. A música brasileira não seria diferente: uma mistura das influências africana, indígena e portuguesa, com algumas pitadas da cultura espanhola no Sul, dos bolivianos no Centro-Oeste e marcadamente indígena no Norte. A partir do século 19, a música local começou a ser cada vez mais valorizada pelos intelectuais e eruditos, que passaram a estudar os diferentes ritmos para usá-los em suas composições. Conheça alguns dos sons típicos de cada uma das regiões do Brasil.

Não há ritmo brasileiro mais conhecido que o samba, até mesmo fora do Brasil
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Samba

O samba é o mais conhecido dos ritmos brasileiros. Sua origem remete aos escravos africanos, instalados na Bahia e no Rio de Janeiro, que faziam música para a capoeira e suas cerimônias religiosas nos terreiros. O samba se torna cada vez mais popular durante o século 20 e surgem variações: samba-canção, de roda, de breque, partido alto e samba rock são algumas das novidades musicais que saem dos morros do Rio e se tornam populares por todo o País. Em 1984, é organizado o primeiro desfile de escolas de samba, nos moldes atuais, no Sambódromo do Rio de Janeiro.

O carimbó é um ritmo típico do Pará, com influência indígena e portuguesa
Reprodução Flickr|Wellington Maciel|Attribution 2.0 Generic (CC BY 2.0)

Carimbó

Ritmo de origem indígena, tipicamente paraense, o carimbó se misturou com o batuque de influência dos africanos instalados no Brasil e com as palmas e estalar dos dedos, típicos dos portugueses. Até hoje a cidade de Marapanim, no Pará, recebe anualmente o "Festival de Carimbó — O canto mágico da Amazônia". A palavra "carimbó", em tupi, significa tambor. O ritmo ganhou esse nome pois esse tipo de percussão marcava o tom da música. Posteriormente, o carimbó acabou influenciando também ritmos populares como a lambada. Nas apresentações tradicionais, as mulheres dançam descalças, com arranjos de flores nos cabelos.

Pixinguinha e Chiquinha Gonzaga foram alguns dos músicos que tiveram forte influência do choro
Reprodução Flickr|Julio Pinto|Attribution-NonCommercial 2.0 Generic (CC BY-NC 2.0)

Chorinho

O choro foi criado com a mistura da música popular portuguesa, já permeada no Brasil pela influência africana, com as danças de salão vindas da Europa. O choro também tem influência direta do lundu, considerado o primeiro gênero afro-brasileiro de canção popular, que se originou no final do século 18. O ritmo "desce o morro" e é adotado pelas elites do Rio de Janeiro. Os principais nomes do "chorinho" no Brasil foram Pixinguinha e Waldir Azevedo, mas a responsável pela popularização foi mesmo a pianista Chiquinha Gonzaga.

O fandango é uma das danças mais representativas da cultura sulista até hoje
piratedub/iStock/Getty Images

Fandango

O fandango é um ritmo tipicamente ibérico que chegou ao Sul do Brasil ainda no século 19, trazido pelos imigrantes e pelo contato com os países vizinhos, como a Argentina e o Uruguai. Ganhou espaço nas fazendas sulistas, isoladas das vilas e cidades, onde se faziam grandes bailes com rodas de dança e instrumentos musicais como violas e castanholas. Essas grandes festas têm como origem as "fiestas gauchescas" nas colônias espanholas da fronteira. O ritmo é popular do extremo sul do estado de São Paulo até o Rio Grande do Sul e inclui centenas de denominações: recortado, tontinha, volta-senhora e chico-de-roda.

A bossa nova ainda está presente na música popular brasileira atual
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Bossa nova

A bossa nova foi um movimento musical lançado por Tom Jobim, João Gilberto e Vinícius de Moraes no fim dos anos 1950. Ao propor um encontro entre o samba e o jazz, os jovens da zona sul do Rio de Janeiro encontraram uma fórmula para consolidar a bossa como um dos mais conhecidos ritmos brasileiros no exterior. Mais adiante, os músicos buscam uma reaproximação com os sambistas do morro, como Cartola, Zé Keti e Baden Powell — a parceria deste último com Vinícius deu origem ao antológico álbum "Os Afro-Sambas", de 1966. O disco influencia compositores e intérpretes até hoje.

A catira é um grande representante da cultura do Centro-Oeste brasileiro
Reprodução Wikimedia Commons|Ministério da Cultura|Attribution 2.0 Generic (CC BY 2.0)

Catira

A catira é um ritmo folclórico típico do Centro-Oeste e teve influência mista, de portugueses, índios e africanos. Nas apresentações, alguns violeiros tocam e cantam a moda de viola enquanto os dançarinos batem palmas no ritmo da música. É popular nos estados do Centro-Oeste (Mato Grosso, Goiás e Mato Grosso do Sul) e também na cultura "caipira" do interior de São Paulo, Paraná e Minas Gerais. Historiadores acreditam que a catira é uma herança dos bandeirantes difundida pelos peões do interior. O ritmo, que tem como base as modas de viola, influenciou o sertanejo que ouvimos hoje.

Maracatu e frevo: a cara de Pernambuco
Reprodução Fotos Públicas|Sérgio Bernardo/ PCR

O maracatu e o frevo

O folclorista Câmara Cascudo, que estudou profundamente os ritmos musicais vindos do Nordeste, chamava o frevo de "a grande alucinação do carnaval pernambucano", por conta do ritmo frenético da dança. Ganhou popularidade nos anos 1960 e 1970, com a Tropicália, quando Caetano e Gil compuseram diversos frevos que chegaram a ser executados até em trios elétricos do carnaval baiano! Já o maracatu tem origem africana e religiosa. Os escravos elegiam e acompanhavam os "Reis do Congo", que eram coroados nas igrejas durante as Congadas, festas de sincretismo africano e católico, ao som da batida do maracatu.

O forró se originou no sertão e é hoje um dos ritmos mais conhecidos do Nordeste
Reprodução Flickr|Turismo Bahia|Attribution-NonCommercial-ShareAlike 2.0 Generic (CC BY-NC-SA 2.0)

Forró

O folclorista potiguar Câmara Cascudo apurou as origens da palavra "forró", derivada de "forrobodó", que significa um divertimento leve e despachado. No passado, o forró era um baile no qual se tocavam outros tipos de música tipicamente nordestina, como o baião, o xaxado e o xote. A partir daí, os músicos utilizaram essas referências para criar um ritmo novo com a sanfona, o acordeão, a zabumba e o triângulo. Na década de 1990, o ritmo foi moda no Sul e Sudeste e era comum encontrar grandes bailes e shows que privilegiavam o forró.

O baião foi o ritmo que deu origem a uma parte significativa da música do sertão nordestino
Reprodução Flickr|Eder Capobianco|Attribution-NonCommercial-ShareAlike 2.0 Generic (CC BY-NC-SA 2.0)

Baião

O baião foi o primeiro ritmo tipicamente nordestino e influenciou diretamente tudo o que veio depois. De acordo com o estudioso Câmara Cascudo, o nome surgiu da mistura entre os termos "baiano" e "rojão", que seria um trecho curto de viola, tocado nos desafios entre os improvisadores. O baião ganhou o Brasil com a popularização de Luiz Gonzaga, saudoso sanfoneiro pernambucano que até hoje é conhecido como "Rei do Baião", ainda nos tempos do rádio. Alguns dos principais representantes do ritmo são o filho de Gonzaga, Gonzaguinha, morto em 1991, e músicos como Moraes Moreira e Alceu Valença.

A cultura brasileira conta com centenas de ritmos e estilos musicais
Reprodução Flickr|TV Brasil - EBC|Attribution-NonCommercial-ShareAlike 2.0 Generic (CC BY-NC-SA 2.0)

A cultura e a música brasileiras

O Brasil também foi palco do surgimento de diversos outros ritmos musicais de grande importância para a cultura nacional. Alguns exemplos são a música sertaneja, o rock e o pop nacionais e o axé, muito populares por todo o País, e o bumba meu boi, de origem amazônica, celebrado anualmente em um festival na cidade amazonense de Parintins. Além destes, o caboclinho, de origem pernambucana, e caxambú, coco, congo e maculelê, também de origem nordestina, que ressaltam a mistura étnica e cultural entre os povos indígenas, africanos e europeus que se instalaram no Brasil ao longo da história.