Provocações: Quando as palavras machucam

Escrito por shannon philpott Google | Traduzido por ninah coracini
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Ajude seu filho a diferenciar palavras maldosas de brincadeiras

Provocações: Quando as palavras machucam
Mesmo provocações inocentes podem ser dolorosas para crianças sensíveis (BananaStock/BananaStock/Getty Images)

Se o receptor for uma pessoa extremamente sensível, ele pode se sentir profundamente ferido por brincadeiras inocentes.

— Dr. Fran Walfish, psicoterapeuta infantil e autor do livro "O pai consciente" ("The Self-Aware Parent", sem tradução para o português)

Todos sabemos que a provocação é uma parte natural da vida das crianças. Mas quando a provocação vai longe demais, é difícil para seu filho diferenciar palavras maldosas de meras brincadeiras. O temperamento e estilo de personalidade do receptor são fatores importantes na equação, segundo o Dr. Fran Walfish, psicoterapeuta infantil e autor de "O Pai Consciente". "Se o receptor for uma pessoa extremamente sensível, ele pode se sentir profundamente ferido por provocações inocentes", disse Walfish. Ensinar seu filho a avaliar as provocações e resolver o comportamento por conta própria pode moldar a sua capacidade de enfrentar conflitos em situações sociais.

Tipos de provocação

Discernir entre provocação e intimidação (bullying) é muito provavelmente o passo mais difícil do desenvolvimento social que as crianças fazem durante o ensino fundamental, especificamente do primeiro ao terceiro ano, diz Marie Newman, advogada anti-bullying de família e co-autora de "Quando seu filho está sofrendo bullying: soluções reais" ("When Your Child Is Being Bullied: Real Solutions", sem tradução para o português).

"Os pais devem orientar seus filhos sobre como identificar se as ações de uma outra criança são provocação, provocação em excesso ou intimidação", disse Newman.

Newman define provocações como observações despreocupadas sobre o outro que não diminuem ou humilham uma criança. Em alguns casos, a provocação, também conhecida como gozação, é uma maneira natural de crianças e adultos fazerem uma ligação um com um outro. Por exemplo, uma criança pode dizer de outra criança, "Quando você chutou forte a bola de futebol no jogo, sua língua estava tão pendurada, que eu pensei que ela ia cair no chão!"

A provocação excessiva vai um pouco além de um comentário inocente. Por exemplo, se a criança acrescenta: "Sua língua estava tão para fora, que você parecia um idiota", isso muda o tom e a interpretação do comentário, Newman diz. No entanto, a gozação constante pode ser tão prejudicial quanto o bullying.

O bullying evolui quando uma criança pede ao outro para parar com um comportamento específico ou demonstra que está chateada, mas o comportamento continua, diz Newman. Na segunda vez, torna-se bullying.

Avaliar a situação

Independentemente de a gozação ou o bullying serem intencionais ou não, a experiência faz com que seu filho enfrente seus sentimentos. Então não se trata apenas de ajudar seu filho a diferenciar entre gozação e intimidação, mas também, tão importante quanto, de ensiná-lo a entender esses sentimentos.

Segundo o Dr. John Carosso, um psicólogo escolar de educação infantil da Pensilvânia, quando a gozação está ocorrendo vários dias por semana e faz a criança se sentir mal consigo mesma, ela precisa se sentir à vontade para falar com um dos pais ou professor. Mas quando a provocação é totalmente lúdica, os pais precisarão ensinar às crianças a desenvolverem uma "casca mais grossa" e ter senso de humor sobre si mesmos.

"Meu objetivo é que a criança que é provocada desarme rapidamente o gozador e que possivelmente até mesmo forme um vínculo que limite a provocação no futuro", disse Carosso.

Ao invés de ficar na defensiva e emocional, Carosso recomenda aos pais que ensinem seus filhos a responder com comentários alegres, tais como: "Você está certo, às vezes eu tropeço em cima de meus próprios pés. Preciso praticar mais para que algum dia eu possa correr como você."

Carosso diz que esta abordagem pode ser extraordinariamente eficaz. "É difícil para o provocador continuar sendo rude depois de ouvir uma resposta tão alegre e educada."

Administrar o conflito

É inevitável que seu filho venha a enfrentar conflitos em sua vida. Ensinar-lhe estratégias para enfrentar o conflito ou procurar ajuda podem reduzir os danos da provocação excessiva ou bullying. "Ajude seu filho a entender que as crianças que provocam estão sedentas de atenção", disse Walfish. "Ajude o seu filho a saber que ele não é ele o problema, mas sim o provocador."

Os pais precisam instruir seus filhos com frases para usar quando provocados. Walfish afirma: "Ensine-os a dizer: 'Quando há dois de nós, é apenas engraçado se nós dois pensarmos assim', ou simplesmente, 'Isso me deixa triste.' "

Newman recomenda que as crianças riam do fato e vão embora, dando um olhar de advertência para o provocador na primeira vez para que ele saiba que a provocação é indesejada. Se a provocação continuar, a criança deve chamar o gozador de lado quando os outros não estão por perto e pedir a ele que pare.

"Se a brincadeira fizer com que se sinta mal, é provável que seja bullying", afirma Newman. "Faça com que seu filho saiba que bullying não é um comportamento normal, não é aceitável e não deve ser tolerado."

O objetivo principal é fornecer um escape ou um ambiente que promova uma comunicação aberta. "Os pais podem ensinar seus filhos a dizer a eles ou a um professor, se eles sentirem que a brincadeira foi longe demais ou se alguém os está ameaçando, batendo neles ou fazendo com que se sintam intimidados", disse Carosso. "Normalmente, isso é relativamente óbvio: a criança sabe quando sente medo."

Muitas escolas têm feito grandes esforços para criar um ambiente livre de bullying em sala de aula, concentrando-se na natureza inaceitável da provocação e do bullying, observa Carosso.

"Ele incentiva os outros a não contribuir e incentiva a vítima e colegas a procurar ajuda com um pai, professor, diretor ou orientador", disse Carosso. "As crianças também podem ser ensinadas a não reagir de forma exagerada, a ficar em grupos e longe do valentão e a aprender estratégias de enfrentamento para evitar se tornar uma vítima."

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