Raízes dos problemas de abandono

Escrito por peter evans | Traduzido por juliana s. zoccoli
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Raízes dos problemas de abandono
O medo do abandono frequentemente converte os baixos normais da vida em crises terríveis. (Hemera Technologies/AbleStock.com/Getty Images)

Pessoas com problemas de abandono frequentemente se encontram envolvidas com ansiedades terríveis quando seus relacionamentos - especialmente os seus relacionamentos próximos - entram em fases turbulentas. Na realidade, poucos, se algum, relacionamentos íntimos podem permanecer sempre estáveis. A vida joga contingências demais no caminho da maioria das pessoas para isso. Mas ansiedades de abandono pré-existentes muitas vezes podem transformar uma situação difícil em impossível. A psicanálise sugere que o medo do abandono no presente tem raízes em problemas de abandono não resolvidos e não reconhecidos do passado.

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O inconsciente nunca esquece

Ao contrário dos equívocos populares, a psicanálise não considera o inconsciente como um armazém psicológico cheio de memórias enterradas. O inconsciente vive, ativamente influenciando e fazendo desenvolver pensamentos e percepções conscientes. O psicanalista Christopher Bollas descreve-o como o "conhecido impensado", ou o lugar onde as experiências não reconhecidas ou recusadas continuam a existir sem elaboração consciente ou integração com o sentido de identidade pessoal. Crianças pequenas e bebês não têm os recursos mentais necessários para que se lembrem das primeiras experiências e contam com os pais para informá-los sobre o início de suas vidas, mas um pai problemático que abandona a criança nesta fase, pode deixar uma marca permanente no inconsciente.

Formação das experiências de abandono

Sigmund Freud argumentou que as experiências que não podem ser processadas ​​apropriadamente, ou porque ocorreram muito cedo na vida, quando as estruturas mentais ainda não tinham se desenvolvido para refletir sobre elas, ou porque eram muito chocantes e incompreensíveis, nunca desaparecem. Mas elas também não ficam armazenadas como memórias. Elas persistem na mente como ansiedades existenciais. O abandono, a partir dessa perspectiva, pode assumir muitas formas. Uma criança pequena pode se sentir abandonada pela tragédia da morte dos pais, ou pela separação e divórcio. Ela também pode se sentir abandonada por um pai se afogando em depressão pessoal, por exemplo, ou por um pai que é emocionalmente incapaz de se sintonizar com o mundo interno da criança.

Revivendo o abandono primário

Na leitura de Bollas dos conceitos de Freud, um medo de abandono que parece estranhamente familiar, mas ao mesmo tempo indescritível é existencialmente conhecido, porque em algum momento durante o desenvolvimento ele foi vivido, mas "impensado" conscientemente. Pensar a partir dessa perspectiva, envolve abraçar e integrar estados emocionais perturbadores usando os recursos da mente mais avançados cognitivamente. Mas os mecanismos de defesa impedem esse processo - se algo parece potencialmente avassalador ou insuportável, a mente o bloqueia do processamento consciente. Freud chamou isso de "repressão", mas é um mecanismo que as vezes falha, não sendo capaz de proteger a mente da ansiedade. Antecipar o abandono sinaliza que a repressão falhou - o conhecido impensado do abandono primário se transfere poderosamente para relacionamentos do presente.

Uma base segura

Teóricos do apego, como John Bowlby, meticulosamente observaram respostas emocionais e comportamentais de crianças pequenas à separação dos pais. Se a separação não foi negociada com sensibilidade entre pai e filho, ou o filho era muito jovem para sustentar em sua mente uma imagem interior confortante do pai durante a separação, uma angústia enorme e inconsolável aconteceria. Bowlby argumentou que as crianças precisavam de uma "base segura" de apego seguro e contínuo a um pai amado, como uma condição prévia para explorar o mundo de forma mais independente. Ele também viu a terapia psicanalítica como a fonte de uma base segura para os adultos explorarem suas ansiedades de abandono primário e se curar delas.

Consequências do medo do abandono

As crianças que sofrem ansiedades de separação incontroláveis ​​no início do desenvolvimento, inevitavelmente desenvolvem uma série de defesas que visam protegê-los de mais sofrimento. Uma defesa forte, que Bowlby chamava de "desapego defensivo" envolve uma busca impossível em ficar totalmente independente de todas as relações com os outros. Tais pessoas podem parecer distantes ou superficialmente charmosas, mas nunca arriscam aprofundar a sua ligação por medo do abandono. Um desenvolvimento mais penoso ocorre com as pessoas que anseiam por intimidade mas a temem em igual medida. O paradoxo é que a intimidade é desesperadamente necessária, mas uma vez experimentada, evoca, de imediato, o medo do abandono, transformando o amor em ódio no processo. O psicanalista Eric Brenman descreveu este impasse agonizante como "apego e ódio."

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