René Spitz e a depressão anaclítica

Escrito por patrick gleeson, ph. d., registered investment adv | Traduzido por giovana moretti
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René Spitz e a depressão anaclítica
O estudo de Spitz verificou a importância de um cuidador significante para crianças pequenas (crying kid image by Roman Barelko from Fotolia.com)

Em 1946, o psiquiatra americano René Spitz escreveu "Hospitalismo", um relatório de sua experiência com crianças em dois ambientes institucionais. Ele concluiu que crianças que não tenham um relacionamento significativo com um cuidador sofrerão do que ele chamou de "depressão anaclítica", uma doença debilitante e potencialmente fatal. As descobertas seminais de Spitz continuam válidas até hoje. Sociólogos e psicólogos contemporâneos consideram o "hospitalismo" como uma forma de distúrbio de separação pediátrico.

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Estudos prévios relacionados

Muitos outros pesquisadores já tinham publicado relatórios anteriormente que apontavam os efeitos adversos em crianças quando separadas de suas mães. Esses estudos, que foram feitos de 1937 a 1943, geralmente caracterizavam o distúrbio como "privação maternal".

O significado do estudo de Spitz

O estudo de Spitz, em geral, concordou com esses estudos anteriores, mas foi diferente em dois aspectos. Spitz deu um novo nome ao distúrbio, "depressão anaclítica", o que efetivamente definiu o problema como um distúrbio psiquiátrico específico, em vez de uma descoberta sociológica. Sua técnica de estudo chegou o mais perto possível de ser um estudo em dupla ocultação. Os cientistas e outros pesquisadores acadêmicos veem as descobertas desse tipo de estudo como inerentemente mais confiáveis que as descobertas de estudos com fontes únicas.

Metodologia de Spitz

Um problema com os estudos em dupla ocultação envolvendo humanos tem a ver com a propriedade ética de sujeitar um grupo de humanos a uma condição ou tratamento conhecido por ser mais prejudicial, ou até menos efetivo, que outro. Spitz encontrou uma forma de aproximar bastante de um estudo em dupla ocultação sem compromisso ético. Ele estudou dois grupos de crianças em dois ambientes institucionais: uma prisão e um orfanato. Ambas as instituições forneceram crianças com cuidados institucionais rigorosos. As crianças da prisão recebiam os cuidados das mães presas e as crianças do orfanato recebiam os cuidados das enfermeiras profissionais.

Os resutlados

Spitz e sua parceira de pesquisas, Katherine Wolf, estudaram 123 "crianças não selecionadas" nestes dois ambientes institucionais por um período de 12 a 18 meses. Eles observaram que, enquanto as crianças do orfanato recebiam um tratamento melhor, as crianças da prisão tinham taxa de mortalidade menor. Embora, no começo do estudo, as crianças do orfanato exibissem desenvolvimento superior, ao fim do estudo elas ficaram para trás das crianças da prisão. Dentro de dois anos, mais de 1/3 das crianças do orfanato haviam morrido. Cinco anos depois, todas as crianças da prisão continuam vivas.

As implicações

Spitz e Wolfe concluíram que a presença de um cuidador significante, as mães das crianças na prisão, foi responsável por esses resultados muito diferentes. Eles diagnosticaram as crianças do orfanato como vítimas de depressão anaclítica. Ao dar um nome à síndrome e elevá-la de um problema a um distúrbio definível, eles fizeram um avanço na pesquisa psicológica pediátrica. Cinquenta anos depois, o estudo ainda recebe citações extensivas em estudos pediátricos psiquiátricos e sociológicos.

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