Sinais e sintomas de diabete tipo 2

Escrito por jacqueline tourville | Traduzido por lara scheffer
Sinais e sintomas de diabete tipo 2
Um em cada 20 brasileiros sofre com o diabetes tipo 2 (Getty Images)

Nove de cada dez casos diagnosticados de diabetes tipo 2 poderiam ser evitados com mais exercícios, uma dieta saudável, evitando cigarros e perdendo peso.

Projeções da Federação Internacional de Diabetes apontam que os casos de diabetes devem dobrar até 2025. Mais de 12 milhões de pessoas no sofrem com a doença no Brasil atualmente, mas espera-se que esse número aumente — e drasticamente. A doença se desenvolve quando o corpo é incapaz de usar e armazenar adequadamente a glicose, uma forma de açúcar da qual as células precisam para ter energia. A diabete é uma doença complexa. Um número relativamente pequeno de pessoas — principalmente crianças — desenvolvem a diabete tipo 1, uma condição autoimune na qual o pâncreas para de produzir insulina, o hormônio que ajuda a converter a glicose em energia. A grande maioria das pessoas que desenvolve a doença é diagnosticada com diabete tipo 2. Nesse caso, a insulina ainda é produzida, mas o corpo é incapaz de usá-la adequadamente devido à "resistência à insulina", uma condição na qual as células se tornam menos sensíveis ao hormônio e menos capazes de usar a glicose da corrente sanguínea. Quando a insulina não funciona como deveria, a glicose se acumula no sangue em vez de ser utilizada pelas células. Isso causa altos níveis de açúcar no sangue. Os sinais de que alguém tem diabetes tipo 2 muitas vezes passam despercebidos, às vezes até por anos. Por isso, se você perceber um ou mais dos sintomas a seguir, procure um médico imediatamente.

Micção frequente

Quando o corpo detecta altos níveis de açúcar no sangue, os rins respondem tentando remover o excesso de glicose através da urina. Isso pode resultar em uma maior produção de urina e na necessidade de urinar com mais frequência. Se você se pegar indo ao banheiro mais frequentemente, principalmente se estiver acordando à noite para urinar, é uma boa ideia procurar um médico e ver se precisa de exames. Acordar à noite para urinar também pode indicar outros problemas de saúde.

Sede em excesso e boca seca

Produzir urina em excesso pode causar a perda de fluidos e desidratação, e por isso pessoas com diabete não diagnosticada muitas vezes apresentam muita sede ou boca seca. Elas podem perceber que estão bebendo cada vez mais água ou outros líquidos e ainda sentem muita sede.

Aumento da fome

Quando alguém desenvolve diabete tipo 2, a capacidade da glucose de entrar nas células do corpo para ser utilizada como energia é comprometida. Quando menos glicose está disponível para as células, o corpo pode reagir causando fome, mesmo que você tenha comido recentemente.

Perda de peso sem motivo

Quando pouca glicose está disponível, o corpo também é programado para começar a queimar gordura e músculos em busca de energia. Isso pode causar uma perda de peso inesperada e, às vezes, rápida.

Fadiga

O alto nível de glicose no sangue também pode desacelerar a circulação, o que reduz a quantidade de oxigênio e outros nutrientes que chegam às células. Como resultado, o paciente pode sentir cansaço extremo e fadiga.

Dores de cabeça e dificuldades de concentração

O cérebro requer uma ampla hidratação para funcionar adequadamente, então sempre que o corpo entra num estado de desidratação, como pode acontecer quando o nível de açúcar no sangue está alto e é preciso expelir a urina, o resultado infeliz pode incluir dores de cabeça e pensamentos confusos.

Visão borrada

O alto nível de açúcar no sangue pode fazer com que a lente dos olhos inche, causando visão borrada. Quando esses níveis voltam ao normal, as mudanças na visão tendem a desaparecer. Ainda assim, a Associação Americana de Diabete recomenda que as pessoas com diabete tipo 2 façam exames de vista logo após o diagnóstico.

Cicatrização lenta e aumento do risco de infecção

Os altos níveis de açúcar no sangue podem prejudicar o processo natural de cicatrização do corpo e sua capacidade de combater infecções. Um corte ou arranhão normal, por exemplo, pode levar muito tempo para cicatrizar em alguém com diabetes e aumentar o risco de infecção. Em mulheres com diabete, infecções na bexiga e vaginais tendem a ser mais comuns.

Dor e dormência nos pés

Quando a diabete não é tratada ou diagnosticada, o alto nível de açúcar no sangue pode causar danos aos nervos em todo o corpo, em uma condição conhecida como neuropatia diabética. Quando isso acontece, as pessoas podem perceber dormência, formigamento ou dor nas extremidades, principalmente nas pernas e nos pés.

Fatores de risco da diabete

A diabete tipo 2 muitas vezes é chamada de "doença do estilo de vida", pois certos fatores que aumentam o risco de seu desenvolvimento vêm de escolhas de estilo de vida feitas pelos pacientes. Esses fatores incluem falta de atividade física e obesidade, dieta pouco saudável e tabagismo. Fumar pode ser o pior deles. Segundo pesquisadores, os fumantes têm uma chance 50% maior de desenvolver diabete do que os não fumantes. Aqueles que fumam com frequência têm um risco ainda maior.

Outros fatores que aumentam os riscos de desenvolvimento da diabete tipo 2 incluem histórico familiar da doença, desenvolver diabete gestacional durante a gravidez e pressão alta.

A raça do paciente também pode ser levada em conta. Nos Estados Unidos, por exemplo nativos americanos, afro-americanos e hispânicos são 1,5 vezes mais propensos a desenvolver a doença do que asiáticos ou caucasianos.

A idade também importa. A diabete tipo 2 é mais comumente diagnosticada em adultos com mais de 45 anos. Contudo, com as taxas de obesidade aumentando entre crianças e adolescentes, o número de casos diagnosticados de "pré-diabete" em jovens adultos também está aumentando. Quando alguém tem pré-diabete, os níveis de açúcar no sangue estão mais altos do que o normal, mas não altos o bastante para caracterizar a diabete tipo 2. Segundo a Associação Americana de Diabete, em 2012, 86 milhões de americanos com mais de 20 anos de idade tinham pré-diabete.

Diagnosticando e tratando a diabete

A diabete tipo 2 geralmente é diagnosticada com um exame de hemoglobina glicada (A1C) que mede o nível médio de açúcar no sangue nos últimos dois a três meses. Quando a doença é diagnosticada, o objetivo do tratamento é deixar a glicose no sangue em um nível normal. As opções mais comuns de tratamento inicial incluem mudanças alimentares, controle do peso e aumento de atividade física. Os pacientes podem consultar uma nutricionista para criar um plano de modificação de estilo de vida. Para ver se a administração da glicose no sangue está funcionando, seus níveis são monitorados, geralmente pela manhã, em jejum, e duas horas após a maioria das refeições, usando um pequeno aparelho chamado glicosímetro.

Se as intervenções no estilo de vida não funcionarem para controlar a glicose no sangue, outros tratamentos incluem o uso de medicamentos insulino-sensibilizantes, uma classe de remédios prescritos que ajudam as células a usar adequadamente a insulina. Outra opção é utilizar a insulina injetável. Se uma mulher com diabete tipo 2 engravidar, ou desenvolver a diabete gestacional, a insulina costuma ser prescrita.

Prevenindo a diabete tipo 2

Quer algumas boas notícias sobre a diabete? Segundo a Faculdade de Saúde Pública da Universidade de Harvard, 9 de cada 10 casos diagnosticados de diabete tipo 2 poderiam ser evitados ao se exercitar mais, alimentar-se com uma dieta saudável, não fumar e perder peso. As pesquisas mostram que perder de 7 a 10% de seu peso atual pode diminuir pela metade suas chances de desenvolver a doença.

Buscando ajuda

Nos estágios iniciais, a diabete pode só ser aparente ao se testar os níveis de glicose no sangue. Se você acha que corre risco de desenvolvê-la, ou percebeu os sintomas, converse com seu médico e faça exames para aliviar sua preocupação.

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