Sobre os jacobinos e Robespierre

Escrito por edwin thomas | Traduzido por natalia peres
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Sobre os jacobinos e Robespierre
Robespierre foi uma figura de extrema importância na Revolução Francesa e suas atitudes influenciaram os governos franceses seguintes (Hulton Archive/Hulton Archive/Getty Images)

Maximilien Robespierre foi uma figura importante no Clube dos Jacobinos e na Revolução Francesa, da qual viria a ser a figura central por um breve período. Ele estava entre os líderes dos jacobinos radicais e foi a sua combinação de crueldade, paranoia, idealismo fanático e incorruptibilidade, que deu a sua carreira o nome de "O Reino do Terror." Como a Revolução Francesa é um dos acontecimentos marcantes da história política ocidental, e o Terror um dos acontecimentos marcantes da Revolução, Robespierre e os jacobinos são base do nosso maior patrimônio político.

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Identificação

Os jacobinos eram membros do Clube dos Jacobinos, a maior e mais poderosa das facções políticas na Revolução Francesa. Mais tarde, eles se tornaram sinônimo de radicalismo de esquerda em todo o mundo. Eram um produto do Clube Benthorn, formado por delegados da Bretanha na reunião dos Estados Gerais de 1789. Logo evoluiu a partir de um grupo exclusivamente bretão para uma organização nacional. Eventualmente alcançou 420 mil membros antes de seu fim, incluindo até mesmo o anti-britânico monarca indiano Tipu Sultan. Os jacobinos eram revolucionários radicais. Lutavam por coisas como o voto universal, a separação entre Estado e Igreja, e a abolição da monarquia.

Características

A Montanha, ou "montanheses", era uma facção interna dos jacobinos. Eles foram apelidados dessa forma porque se sentavam juntos nas bancadas mais altas das reuniões da Assembleia Geral. Os montanheses eram provavelmente os mais radicais e, certamente, a facção mais impiedosa dentre os jacobinos. Entre seus membros estava Maximilien Robespierre.

História

Antes da Revolução, Maximilien Robespierre era um advogado popular em Arras. Ele foi eleito para a Assembleia dos Estados Gerais, para Assembleia Nacional Constituinte Francesa e mais tarde para os Estados Gerais de 1789. Durante os primeiros dias da Revolução, ele foi para as ruas como um demagogo e, finalmente, estabeleceu-se como a principal figura de um pequeno grupo de delegados de extrema esquerda, mesmo antes do Clube dos Jacobinos tornar-se um partido nacional. Nesse período, os objetivos de Robespierre estavam limitados a fazer sua fama e aprovar um projeto que impedisse que membros-autores da Assembleia Nacional Constituinte Francesa fossem imediatamente eleitos e, assim, chegassem à reunião dos Estados Gerais de 1789. Este ato, associado ao seu estilo de vida modesto, criou uma imagem de Robespierre como um patriota incorruptível. Em fevereiro de 1792, Robespierre e seu futuro companheiro montanhês Marat se manifestaram contra a declaração de guerra contra a Áustria. Eles estavam mais preocupados com os contrarrevolucionários franceses do que com a possibilidade de uma reação imposta desde o exterior. Este foi o início formal da rivalidade entre os montanheses radicais e a facção girondina cada vez mais conservadora. É importante destacar, contudo, que ambos eram, em sua maior parte, membros do Clube dos Jacobinos. À medida que a situação na França se via mais turbulenta, Paris se tornou cada vez mais radical e a popularidade da extrema-esquerda cresceu. Quando o novo governo sob a Convenção foi formado, Robespierre foi eleito membro. Foi nos bancos da Convenção que a facção extremista da Montanha se formou. Ofensas públicas logo passaram a caracterizar as relações entre girondinos e montanheses, com Robespierre, em particular, sendo repetidamente acusado ​​de planejar uma ditadura. Em dezembro de 1792, a questão sobre o que fazer com o rei Luís XVI ofuscava todas as outras disputas políticas e Robespierre estava entre as mais altas vozes a pedir a execução do rei. Para os montanheses, a execução e os problemas em curso foram uma benção e, liderados por Robespierre, Marat e Danton, logo foram capazes de superar os girondinos. Logo, eles haviam provocado uma manifestação popular em Paris contra os girondinos, levando à intimidação do governo e à prisão de mais de 30 líderes girondinos, incluindo o membro mais notável, Jean Pierre Brissot. Muitos deles, tanto presos como em liberdade, conseguiram fugir de Paris e tentaram realizar sua própria revolta no interior da França. A combinação de revoltas por comida, descobertas de traições, paranoia e possível guerra civil levou os montanheses a criar um Comitê de Segurança Pública em abril de 1793. Robespierre foi eleito para o Comitê. Logo se tornou seu membro dominante e, por consequência, ditador da França. Como principal membro da Comissão de Segurança Pública e um dos oradores mais populares de Paris, Robespierre também foi uma figura importante no Reino do Terror. Sempre preocupado com ameaças, reais ou imaginárias, à Revolução no interior da França, Robespierre usou seu poder e sua retórica convincente para executar não só verdadeiros traidores e monarquistas, mas também moderados e até mesmo antigos aliados que não concordavam com suas políticas. Durante o inverno e a primavera de 1793 e 1794, Robespierre dirigiu a prisão e execução de Jacques Hebert, seu antigo aliado Georges Danton e seus seguidores. A maioria destes homens também era jacobina. No entanto, Robespierre havia se excedido seriamente. Sua crueldade, sede de sangue e paranoia haviam feito com que membros da Convenção temessem por suas próprias vidas e ordenassem a prisão de Robespierre e seus apoiadores mais próximos em julho de 1794. Entretando, Robespierre permaneceu muito popular nas ruas e a Comuna de Paris passou a apoiá-lo. O resultado foi um confronto entre as tropas da Comuna e do exército nacional. Encurraladas no Hotel de Ville, a Comuna rapidamente abandonou Robespierre, o exército invadiu o prédio e muitos dos seguidores de Robespierre foram mortos, feridos ou se suicidaram. O próprio Robespierre foi baleado no maxilar e enviado à guilhotina, sem julgamento, no dia seguinte.

Importância

Maximilien Robespierre foi uma das figuras centrais da Revolução Francesa. Sua combinação de intelecto, integridade moral, fanatismo, crueldade e paranoia dirigiu o sucesso da esquerda radical. Ainda que fosse possível que os extremistas, representados pelos montanheses, houvessem derrotado os girondinos sem ele, é altamente improvável que o Reino do Terror tivesse tido o caráter duro e sanguinário que teve sem Robespierre no comando. De fato, assim como os jacobinos se tornaram sinônimo de revolucionários radicais de esquerda, Robespierre tornou-se sinônimo de como uma revolução pode se virar contra si mesma em um exercício de paranoia e assassinato judicial.

Introspecção especialista

A longo prazo, Robespierre e suas políticas foram determinantes para o destino final da Revolução Francesa. O declínio do país em agitação civil, violência popular, uso da guilhotina como instrumento político, guerra com países vizinhos conduziu a França a uma sucessão de governos centrais fracos e, finalmente, à ascensão de Napoleão Bonaparte. Robespierre incentivou ou inventou a maioria destas considerações, opondo-se apenas às guerras estrangeiras. Enquanto Bonaparte manteve alguns aspectos e conquistas da Revolução, aboliu outros. Ele próprio caiu em 1815, para ser substituído pela restaurada dinastia Bourbon, que governou uma França reacionária até 1848. Ao montar um golpe contra os girondinos e depois destruir seus próprios aliados dentre os montanheses, Robespierre provavelmente condenou a Revolução e os ideais jacobinos que ele alegava proteger.

Considerações

Dada sua posição como um dos líderes radicais da revolução e de seu papel central na degeneração final da Revolução Francesa para o Reino do Terror, Robespierre continua a ser uma figura controversa até hoje. Os esquerdistas de todos os matizes parecem incapazes de condenar completamente o homem, mesmo quando lamentam seus excessos (e nem todos os seus apologistas fazem isso). Seus defensores sustentam que ele foi pressionado à crueldade sangrenta pelas difíceis condições da época, ou por ser inexperiente e não ver além de seus meios austeros e retidão moral.

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