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Sobre macacos aprendendo a língua de sinais

Atualizado em 17 abril, 2017

Os macacos e símios não possuem a habilidade de se comunicar como os humanos, já que não possuem as estruturas fisiológicas necessárias para isso. No entanto, alguns primatas, como chimpanzés, gorilas e orangotangos são capazes de utilizar as mãos para transmitir informações como formas alternativas de comunicação, por meio de teclados de computador, blocos de figura e cartões, e, por mais incrível que pareça, pela língua de sinais.

Os macacos são capazes de se comunicar utilizando a língua de sinais (Chad Baker/Jason Reed/Ryan McVay/Photodisc/Getty Images)

Linguagem

Há muito tempo a linguagem tem sido vista como competência exclusiva dos seres humanos. As crianças aprendem a língua naturalmente quando são expostas a ela desde cedo, e mesmo cometendo muitos erros gramaticais e sintáticos no começo, elas entendem rapidamente e expressam corretamente a língua muito antes de chegarem à idade adulta. Muitas espécies se comunicam umas com as outras: as abelhas dançam para indicar a direção de uma fonte de pólen, os pássaros cantam para atrair um parceiro em potencial, os cães-de-pradaria emitem um som especial para sinalizar a proximidade de um predador, mas a maioria dos cientistas não consideram esses comportamentos instintivos uma forma de linguagem, como ocorre na fala humana. Como todas as tentativas de ensinar primatas a falar falharam (talvez porque os macacos são incapazes de usar seus lábios e línguas para isso), alguns pesquisadores escolheram a Língua Americana de Sinais (ASL) para estabelecer a comunicação entre as espécies, bem como saber mais sobre a própria linguagem.

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ASL

A ASL, ou Língua Americana de Sinais, foi desenvolvida primeiramente na Europa e depois nos Estados Unidos, para que os surdos pudessem se comunicar uns com os outros e com as pessoas que ouvem. Ela é uma língua rica e complexa que é falada por meio de gestos com as mãos, movimentos corporais, expressões faciais, e configurações de mãos. Como os primatas já utilizam esse tipo de comportamento para se comunicar uns com os outros na natureza, em meados do século 20 alguns cientistas criaram a teoria de que ela seria mais fácil e mais natural para os primatas aprenderem.

Washoe

Na década de 1960, uma chimpanzé fêmea chamada Washoe, foi criada na casa dos pesquisadores Allen e Beatrix Gardner, como se fosse uma criança humana surda. Eles lhe ensinaram a Língua de Sinais Americana, e, ao longo de quatro anos, ela aprendeu 250 sinais únicos. Os Gardner relataram que Washoe até criou palavras novas, como "ave aquática" quando viu um cisne em um lago. Ela também renomeou alguns objetos, chamando a geladeira de "bebida comida aberta" em vez de "caixa fria", como os pesquisadores lhe ensinaram. Loulis, o filho adotivo de Washoe, aprendeu as habilidades de sua mãe, pelo simples ato de observar a ela e a outros três chimpanzés que haviam aprendido a ASL desde cedo.

Koko

A gorila Koko compreende mais de 2.000 palavras faladas e faz os gestos de mais de 1.000 sinais, de acordo com o psicólogo do desenvolvimento, Dr. Penny Patterson, que trabalha com Koko desde 1972. Há muitos filmes e vídeos sobre Koko, e até mesmo um bate-papo na Internet, de 1998. Nessa conversa online, Koko afirmou que seu alimento favorito era "bebida de maçã". Koko vem tentando ensinar a língua de sinais para seus gatos de estimação e brinquedos de pelúcia, assim como seus companheiros gorilas.

Controvérsias

Muitos cientistas acreditam que primatas como Washoe e Koko não estão realmente usando a linguagem para se comunicar, e sim simplesmente formando cadeias de estímulo-resposta, a fim de agradar seus treinadores ou adquirir alimentos, como cães que rolam para obter um petisco. Outros cientistas acreditam que os primatas são capazes de expressar seus sentimentos por meio da linguagem de sinais e citam evidências de macacos que formam expressões complexas, combinando sinais de formas únicas e inovadoras. Os defensores do sucesso dos primatas apontam casos de macacos que ensinam a língua de sinais para outros macacos, ou de jovens macacos que aprendem a língua de sinais por meio da observação. Os opositores dessa teoria respondem com a alegação de que os primatas simplesmente não estão equipados mentalmente para compreender a complexidade e as nuances da linguagem humana.

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Referências

Recursos

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