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Como surgiram e o que significam os personagens mitológicos mais conhecidos?

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Introdução

Desde a pré-história, o homem cultua seres fantásticos, como deuses e demônios. Os primeiros registros históricos já contavam, de forma crua, sobre esses personagens. Mas foi com o aperfeiçoamento da escrita na Idade Antiga que essas histórias passaram a ser registradas textualmente. Foi assim que chegaram aos dias de hoje contos de seres mitológicos de diferentes civilizações. A civilização grega foi a que apresentou os relatos mais sofisticados, que até hoje inspiram as artes, mas outros povos também se destacaram. Confira algumas dessas histórias.

Reprodução Wikimedia Commons|Guido Reni|domínio público

Hércules

Filhos de deuses com os mortais, o heróis eram donos de poderes incomuns e estiveram entre as mais importantes figuras mitológicas da Grécia Antiga. Dentre eles, nenhum ganhou tanta notoriedade quanto Hércules, ou Héracles. Filho de Zeus com a mortal Alcmena, ele era dono de uma força sobre-humana. Durante sua vida, foi alvo da ira da deusa Hera, a traída esposa de Zeus. Em um de seus ataques, Hera enlouqueceu Hércules, levando-o a matar sua esposa e três filhos. Como penitência, teve de encarar os famosos Doze Trabalhos, um dos pontos máximos da mitologia helênica.

Reprodução Wikimedia Commons|Peter Paul Rubens|domínio público

Medusa

Se Hércules era um personagem que angariava simpatia e admiração, Medusa era seu completo oposto. De aspecto medonho e terrível, era um monstro do sexo feminino que vivia na Terra, uma das três Górgonas. Seu grande poder era transformar em pedra qualquer um que olhasse diretamente para ela. Os contos mitológicos da Grécia antiga narram o horror que sua aparição causava nos homens, até ela ser morta por Perseu, outro herói mitológico. Após ter sido morta por decapitação, sua cabeça foi utilizada como arma (mesmo sem vida, ela continuou paralisando suas vítimas) até ser entregue à deusa Atena.

Reprodução Wikimedia Commons|Guido Reni|domínio público

Cupido

Embora a mitologia da Roma Antiga seja quase que totalmente inspirada nos mitos gregos, alguns de seus principais personagens acabaram ganhando maior repercussão literária que os heróis e monstros helênicos. Vide Cupido, filho dos deuses Vênus (do amor) e Marte (da guerra). Talvez por isso tenha simbolizado como poucos a intensidade da paixão. Com seu arco e flecha, provocava amor e desejos intensos nos casais que encontrava pelo caminho; muitas vezes unindo pessoas improváveis, o que fez com que parecesse atrapalhado. No entanto, tudo o que fazia era proposital e o que parecia um descuido na verdade era uma travessura.

Reprodução Wikimedia Commons|Sailko|Atribuição-CompartilhaIgual 3.0 Não Adaptada (CC BY-SA 3.0)

Ísis

Deusa da maternidade e da magia na mitologia egípicia, Ísis teve uma fama que se espalhou pelo mundo e foi além dos limites do Antigo Egito. Ela chegou a ser adorada como divindidade especial entre vários povos da Antiguidade, incluindo os gregos e romanos. Entre seus principais papéis estava o de assistente do soberano morto. Dessa forma, seu nome passou a ser frequente nas inscrições de tumbas e sarcófagos. Entre os principais mitos que citam Ísis está o de que as cheias anuais do rio Nilo eram fruto de suas lágrimas ao chorar a morte de seu marido, Osíris.

Reprodução Wikimedia Commons|Bernard Gagnon|Atribuição-CompartilhaIgual 3.0 Não Adaptada (CC BY-SA 3.0)

Fenghuang

Uma das principais entidades da mitologia chinesa, Fenghuang são pássaros supremos. Nos primeiros relatos sobre sua existência, dividiam-se entre os Feng (machos) e Huang (fêmeas). No entanto, passaram a ser citados como criaturas unicamente femininas, símbolo de alta virtude e graça. A Fenghuang é conhecida por representar momentos de paz e tranquilidade. Nesses instantes ela realiza sua aparição. No entanto, quando o caos se avizinha, a ave desaparece. Na Antiguidade, sua imagem aparecia ao lado dos famosos dragões. Juntos, simbolizavam a boa relação entre marido e mulher.

Reprodução Wikimedia Commons|Friedrich John|domínio público

Sísifo

A maioria dos grandes nomes da mitologia grega são de deuses ou heróis. Poucos mortais se destacaram nos relatos antigos. Um deles é Sísifo, filho do rei Éolo e de Enarete. Conhecido por sua astúcia, em diversas ocasiões conseguiu ludibriar os deuses, inclusive o deus da morte, Tânato, e do mundo subterrâneo, Hades. Graças a esse talento, conseguiu viver por longo tempo, mesmo sendo caçado pelos mais poderosos seres. Quando finalmente morreu, teve um terrível castigo: foi condenado a empurrar pela eternidade uma pedra até o cume de uma montanha.

Reprodução Wikimedia Commons|Herbert James Draper|domínio público

Ícaro

Poucos personagens da mitologia grega são tão citados quanto Ícaro. Livros, peças teatrais, filmes e canções relembram exaustivamente a história desse filho de Dédalo e de Náucrete, escrava de Perséfone. A história que o tornou famoso é sua tentativa de voar, utilizando asas de cera e penas de gaivota. Seu objetivo era deixar o tenebroso labirinto onde foi encerrado com seu pai. Ambos conseguiram fugir, mas Ícaro, deslumbrado com seu voo e ignorando os avisos paternos, se dirigiu perto demais do Sol, que acabou derretendo suas asas. A queda que se seguiu foi fatal para o herói.

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Zeus

Nome máximo da mitologia grega, Zeus também tem forte influência sobre a fé religiosa dos romanos (neste caso, sob a alcunha de Júpiter). Entre os antigos gregos, Zeus é nada menos que o soberano supremo do Monte Olimpo, a morada dos deuses. Responsável pela condução do universo como um todo, delegando a outras divindades atribuições específicas. Mas a forma como Zeus é mais lembrado pela literatura mitológica é por sua vocação de sedutor. Embora casado com a deusa Hera, notabilizou-se pelas incontáveis aventuras amorosas, que resultaram no nascimento de deuses, mas também de heróis, fruto de casos com mortais.

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Quetzalcóatl

Quando chegaram à América no século 15, os conquistadores espanhóis se espantaram com uma divindade asteca, reproduzida como uma serpente emplumada. Era Quetzalcóatl, responsável pela vida e abundância da fauna e flora, sendo apontado em inscrições como o ser que se sacrifica pelos humanos para devolver-lhes a terra. Alguns contos de tradição oral previam que esse Deus retornaria, na pele de um humano, para levar o povo a um período de esplendor. Quando o espanhol Hernán Cortez chegou à América, o povo asteca o confundiu com Quetzalcóatl. Terrível engano.