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Teorias sobre o início da vida na Terra: a sopa primordial

Atualizado em 03 agosto, 2018

A terra de vários bilhões de anos atrás era um lugar muito diferente do que é hoje, ou pelo menos é o que nos dizem os cientistas que estudaram seu passado. A atmosfera não era a mesma, e os continentes ainda estavam se formando a partir do magma quente subjacente ao que agora experimentamos como chão sólido. Alguns cientistas teorizam que a vida teve seus princípios nesse ambiente caótico, formando-se no oceano quente ou na água de lagos a partir de acúmulos de substâncias químicas que chamam de sopa primordial. A teoria tem muitos detratores, mas já foi testada com sucesso duas vezes.

A Terra nem sempre foi tão serena como é hoje (Jupiterimages/Photos.com/Getty Images)

A teoria da sopa primordial

Por algum tempo, os cientistas acreditavam que a primeira atmosfera da Terra consistisse em uma série de gases à base de hidrogênio, entre os quais o metano e a amônia. Quando esses gases foram energizados, possivelmente por relâmpagos, radiação cósmica ou choques gerados internamente na Terra, eles formaram cadeias complexas de moléculas chamadas aminoácidos que caíram na Terra com as precipitações da chuva. Quando acumulados no ambiente hospitaleiro de um curso d'água quente adequado, formaram a sopa primordial, na qual ainda se combinaram para constituir proteínas e, finalmente, organismos rudimentares. A teoria da sopa primordial foi proposta primeiramente em 1920 por A. I. Oparin, um químico russo, e J.B.S. Haldane, um geneticista britânico, que trabalhavam independentemente.

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Testando a teoria

Em um experimento conduzido em 1950, um físico, Harold Urey, e um químico, Stanley Miller, combinaram os gases metano, amônia e hidrogênio com água e os energizaram com eletricidade. Ao fazer isso, conseguiram produzir aminoácidos. Mais tarde, descobriram que podiam alcançar resultados similares com a energização da mistura com radiação ultravioleta, calor ou choque físico. Subsequentemente ao experimento, os cientistas se tornaram céticos de que as substâncias químicas usadas por Miller e Urey estivessem presentes na atmosfera inicial da Terra, assim o químico Jeffrey Bada realizou-o novamente em 1983 com uma mistura diferente e conseguiu resultados semelhantes.

Problemas com a teoria da sopa primordial

A teoria da sopa primordial tem muitos detratores na comunidade científica, que se opõem a ela por várias razões. Dizem que a sopa podia conter aminoácidos, mas essas moléculas podem se combinar em um número enorme de maneiras, e a probabilidade de que tivessem se formado em proteínas é mínima. Fazer isso, dizem eles, viola a Segunda Lei da Termodinâmica, que obriga a uma crescente desordem e ao caos no universo. Além disso, a sopa teria ocorrido em um curso d'água muito pequeno, senão a mistura seria diluída demais para o nível de organização exigido para a vida se formar.

Implicações

Os cientistas perderam a fé na teoria da sopa primordial até que os resultados de Urey e Miller fossem replicados por Bada com o uso de uma solução que mais provavelmente existia na atmosfera primitiva da Terra. Muitos ainda preferem a ideia que a vida chegou à Terra em um cometa ou meteorito. Um laboratório para testar a teoria pode existir em Encélado, uma das luas de Saturno. A espaçonave Cassini fotografou colunas de vapor d'água jorrando de um de seus polos, e alguns pesquisadores acreditam que dentro da lua possam existir condições favoráveis para a formação de vida, de acordo com a teoria da sopa primordial. Investigações adicionais podem produzir evidência amparando ou refutando a teoria.

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Referências

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