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A trajetória do fotógrafo Sebastião Salgado

Getty Images

Introdução

Sebastião Salgado é um dos fotógrafos mais famosos do mundo. Com mais de 40 anos de carreira, trabalhou para as principais agências de fotojornalismo do mundo e vivenciou momentos importantes da história mundial. A partir dos anos 1980, passou a trabalhar em seus projetos pessoais e se deparou com o lado mais frio e cruel da humanidade. A denúncia dessa faceta sombria o tornou um profissional reconhecido e admirado mundialmente. Mas não bastou registrar os dramas humanos: ele também atua em projetos para ajudar os personagens que fotografa. Conheça mais sobre a vida e obra desse profissional.

Reprodução Sebastião Salgado

Nascimento e juventude

Sebastião Ribeiro Salgado nasceu na vila de Conceição do Capim, pertencente à cidade mineira de Aimorés, em 8 de fevereiro de 1944. Foi o único filho do sexo masculino da família (ele tem nove irmãs). Passou boa parte de sua infância em Expedicionário Alício, um distrito também pertencente a Aimorés. No final dos anos 1950, partiu para Vitória, onde se graduou em economia pela Universidade Federal do Espírito Santo. Em 1963, se mudou para São Paulo, onde concluiria sua pós-graduação na USP, em 1967. Casou-se com a pianista Lélia Deluiz Wanick nesse mesmo ano.

Reprodução Sebastião Salgado

Trabalho e exílio

Pós-graduado em economia, Sebastião Salgado chegou a trabalhar no Ministério da Economia, em 1968. No entanto, sua carreira como economista no Brasil não durou muito: em pouco tempo, ele passou a ser perseguido pelo regime militar, que ampliaria a perseguição política naquele mesmo ano, com a edição do AI-5. Ele e Lélia haviam participado de atividades junto a organizações de esquerda. Com a perseguição da ditadura, em 1969 ele deixou o País e conseguiu asilo na França. Em Paris, fez seu doutorado em ciências econômicas em 1971, trabalhando posteriormente na Organização Internacional do Café (OIC), em Londres.

Reprodução Sebastião Salgado

Encontro com a fotografia

A atuação na Organização Internacional do Café fez com que Sebastião Salgado retornasse ao Brasil em 1973. No entanto, ele seguiria fazendo várias viagens por conta do trabalho. Foi justamente em uma dessas excursões que ele se encontrou com a fotografia. Ao seguir para a África, levou uma máquina fotográfica Leica, pertencente a sua esposa. Bastou bater algumas fotos para que ele se apaixonasse pelo ofício. Naquele mesmo ano, resolveu mudar de vida: resolveu se tornar fotojornalista. Era o início de uma carreira espetacular no mundo das imagens.

Reprodução Sebastião Salgado

O início da carreira profissional

A primeira providência que Sebastião Salgado tomou após decidir que viveria do fotojornalismo foi deixar o Brasil. Ele retornou a Paris, onde fixou residência definitiva e sua base profissional. Foi ali que passou a trabalhar como freelancer para alguma das principais agências de fotografia do mundo. Tornou-se um adepto das fotos em preto-e-branco, a exemplo de outros grandes fotógrafos. Desde então se especializou em retratar os excluídos de todo o mundo e as condições subumanas em que grande parte da população mundial vive.

Reprodução Ricardo Giusti/ PMPA

Sucesso nas grandes agências

Com seu grande talento para retratar as injustiças do mundo, Sebastião Salgado passou a ser reconhecido internacionalmente, passando a ser integrante fixo da agência Gamma em 1974. Foi por ela que cobriu a grande seca no Níger, o drama dos assalariados europeus e principalmente a Revolução dos Cravos, em Portugal. Em 1975, passou a integrar a equipe da Sygma. Foi um momento de afirmação para o fotógrafo, que viajou por mais de 20 países. Seu ponto alto como fotojornalista ocorreria quatro anos depois, quando passou a trabalhar para a Magnum, a lendária agência criada por Henri Cartier-Bresson e Robert Capa.

Reprodução Revista Manchete - 1536 - 26/09/1981

Grande furo: o atentado contra Reagan

Em 1981, Sebastião Salgado já era um dos principais fotógrafos da Magnum. Nesse ano, foi encarregado de elaborar uma série fotográfica sobre os primeiros 100 dias de governo de Ronald Reagan, então presidente dos Estados Unidos. Foi então que conseguiu documentar o atentado contra o político, cometido por John Hinckley, no dia 30 de março de 1981, em Washington. Melhor posicionado que outros fotógrafos, conseguiu o material com exclusividade. Salgado tornou-se mundialmente famoso e, com o dinheiro obtido com as imagens, bancou uma viagem à África para uma série de fotos especiais.

Reprodução Sebastião Salgado

Os primeiros projetos

Salgado trabalhou na Magnum até 1986, quando lançou seu primeiro projeto autoral, o livro "Outras Américas", focando a população carente de vários países da América Latina. Nesse mesmo ano, publicou mais uma obra: "Sahel: O Homem em Pânico", que abordava a vida de famílias afetadas pela seca no norte da África. Este trabalho foi realizado após parceria com a ONG Médicos sem Fronteiras. Até 1992, o brasileiro seguiu com uma pauta especial: registrar trabalhos manuais realizados em diversas partes do mundo. Dessa ideia surgiu "Trabalhadores", seu primeiro grande sucesso, lançado em 1996 e que ganhou exposição que correu o planeta.

Reprodução Sebastião Salgado

Êxodos

Após o grande sucesso de "Trabalhadores", Sebastião dedicou longo tempo a outro grande projeto. Ele documentou o desalojamento e migração em massa ocorridos em vários países, entre 1993 e 1999. Em 2000, "Êxodos" e "Retratos de Crianças do Êxodo", lançados em livro, também se tornaram exposições. É nesse momento que a fama do fotógrafo atinge seu ápice. Ele passa a ganhar seguidos prêmios de fotografia, jornalismo e também de direitos humanos, graças às denúncias contidas em seu trabalho e também pela colaboração com várias ONGs.

Reprodução Sebastião Salgado

Novos projetos

Depois do sucesso de "Trabalhadores" e "Êxodos", o brasileiro continuou trabalhando firme em novos projetos, como "O Berço da Desigualdade" (2005), em que mostra os problemas educacionais nos países em desenvolvimento, e "África" (2007), ensaio monumental que representou a realização de um velho sonho. Retratar a dor do ser humano acabou gerando um forte dano psicológico a Sebastião Salgado. Desiludido com o mundo, ele se isolou até retomar seu trabalho, com um novo enfoque. "Gênesis", lançado em 2013, mostra uma nova faceta do fotógrafo. Desta vez, ele resolveu mostrar recantos belos e quase inacessíveis do planeta, como a Antártida.

Reprodução Wikimedia Commons|Wilson Dias/ABr - Agência Brasil|Attribution 3.0 Brazil (CC BY 3.0 BR)

Profissional engajado

Sebastião Salgado sempre usou seu sucesso para ajudar causas humanitárias. Ele tem trabalhado de forma voluntária em diversos projetos da Unicef, Médicos sem Fronteiras e da Organização Mundial da Saúde, além de outras entidades. Frequentemente, realiza doações ou cede direitos de reprodução de seus trabalhos em prol de campanhas de ajuda às crianças e/ou refugiados. Ao lado de sua mulher, apoia programas de reflorestamento em Minas Gerais. Por todas essas ações ele é reconhecido como um profissional preocupado com o rumo da humanidade, utilizando seu talento para minimizar as dores dos oprimidos.