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Vida e obra de Luiz Inácio Lula da Silva

Sean Gallup/Getty Images News/Getty Images

Introdução

Uma das figuras mais carismáticas na virada dos séculos 20 e 21, o brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva é dono de uma fantástica biografia. Nascido em meio à miséria do sertão nordestino, foi para São Paulo, onde se tornou um grande líder sindical e político. No final dos anos 1970, em plena ditadura militar, comandou o maior movimento de greves já visto até então no Brasil. Logo depois, fundou o Partido dos Trabalhadores (PT). Nele, se elegeu duas vezes presidente da República, destacando pela redução da miséria e pela evolução política e econômica do Brasil. Hoje, é um nome respeitado em todo o mundo. Conheça um pouco mais de sua trajetória.

Reprodução

Nascimento e infância

Registrado como Luiz Inácio da Silva, é o sétimo de oito filhos de um casal de agricultores, Aristides Inácio da Silva e Eurídice Ferreira de Melo. Nasceu em 27 de outubro de 1945 em Caetés, na época um distrito de Garanhuns (PE). Passou a infância em meio à pobreza do sertão nordestino contando apenas com a mãe e os irmãos, já que o pai havia migrado para São Paulo em busca de melhores condições de vida. Era uma vida de muitas dificuldades e ao menos quatro dos irmãos morreram ainda bebês. A solução parecia, cada vez mais, deixar o Nordeste.

Valter Campanato/ ABr

Migração para São Paulo

Eurídice, a mãe de Lula, resolveu seguir os passos do marido. Em 1952, viajou para o Sudeste com os filhos, com o intuito de reencontrar o marido. A viagem seria muito difícil: os 2.500 quilômetros foram percorridos penosamente em 13 dias. O veículo era um rústico pau-de-arara (foto), caminhão com vários bancos de madeira para transportar pessoas, sem as mínimas condições de segurança. Toda a família se reencontrou em Itapema (hoje Vicente de Carvalho), um distrito do Guarujá, no litoral paulista. Em pouco tempo, porém, Eurídice e Aristides acabaram se separando, com ela seguindo para São Paulo, em busca de melhores condições de vida.

Sean Gallup/Getty Images News/Getty Images

Dificuldades

Em uma família numerosa e pobre, as dificuldades continuaram para o pequeno Luiz. Ainda no Guarujá, vendia laranja no porto de Santos, além de retirar lenha e caçar caranguejos no mangue da Baixada Santista. Ao se mudar para São Paulo, conseguiu seu primeiro emprego oficial aos 12 anos, em uma tinturaria. Atuou ainda como engraxate, auxiliar de escritório e em armazéns. Até então, frequentou os bancos escolares por pouco tempo, o suficiente apenas para obter a alfabetização e noções básicas de português e matemática. Aos 15 anos, deixou a escola e passou a trabalhar na indústria metalúrgica. Em uma fábrica de parafusos, perdeu o dedo mínimo da mão esquerda (foto) em um torno mecânico.

Amigos do Lula

Lula, o sindicalista

Após vários anos trabalhando na indústria metalúrgica, na região do ABC Paulista, Luiz se filiou ao Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo e Diadema em 1968. Entrou na vida sindical a conselho do irmão José Ferreira da Silva, conhecido como Frei Chico e militante do Partido Comunista. Em 1975, chegou à presidência da entidade, graças ao seu forte carisma e inteligência política. Foi neste período que passou a ser chamado de Lula. Ficou conhecido nacionalmente ao liderar um grande movimento por melhores salários para a sua categoria. Em 1978, as ações culminaram em gigantescas greves, que mobilizaram dezenas de milhares de operários. Acabou preso pela ditadura por causa de sua ação sindical.

Amigos do Lula

Fundação do PT e Diretas Já

O sucesso das paralisações nas indústrias do ABC Paulista mostrou a força dos operários. O próximo passo seria a criação de um partido político que os representasse. Em 1980, Lula participou da fundação do PT (Partido dos Trabalhadores). Incluiu o apelido “Lula” em seu nome de batismo, para se adaptar à lei eleitoral da época, que não aceitava o uso de apelidos em campanhas políticas. Em 1982, participou de sua primeira campanha, para governador de São Paulo, na qual não foi eleito. Em 1984, teve papel de destaque – ao lado de várias lideranças políticas – nas Diretas Já, campanha que defendia o voto aberto e livre para presidente da República.

PT na Câmara

Deputado Federal Constituinte

Em 1986, Lula entrou em mais uma campanha política, desta vez para deputado federal por São Paulo. Recebeu nada menos que 55 mil votos, a maior votação que um candidato já obtivera até então para a Câmara Federal. Conquistou o cargo parlamentar em um dos mais importantes períodos políticos já vividos pelo país: quando o Congresso Nacional elaborava a Constituição Federal. Com vários projetos, ajudou a formalizar a nova carta, que passou a vigorar em 1988 e perdura até hoje, com algumas modificações. O petista passa a se tornar um dos nomes mais fortes para a primeira eleição presidencial direta em quase 30 anos.

Pool/Getty Images News/Getty Images

Eterno presidenciável

Em 1989, Lula se candidata pela primeira vez à presidência da República. Em período favorável às candidaturas de esquerda, o candidato do PT dividiu os votos progressistas com o gaúcho Leonel Brizola (PDT), mas conseguiu chegar ao segundo turno. No entanto, seu maior adversário era outro: o jovem Fernando Collor de Mello, que o derrotaria em meio a uma campanha turbulenta, recheada de calúnias e manipulação midiática. Voltou a se candidatar em 1994 e 1998, mas nas duas ocasiões foi superado pelo mesmo candidato, o sociólogo Fernando Henrique Cardoso, do PSDB, que venceu os dois pleitos ainda no primeiro turno.

Divulgação

Enfim, presidente da República

Calejado pelas derrotas nas três eleições presidenciais anteriores, Lula mudou de estratégia em 2002. Trocou o discurso de extrema-esquerda por propostas moderadas, que ajudaram a angariar apoio junto ao empresariado brasileiro e vários setores da sociedade civil. No entanto, manteve o foco na luta pela redução da desigualdade social. Enfim, se elegeu presidente, superando José Serra (PSDB) no segundo turno. Seu primeiro mandato foi marcado pelas ações sociais, como o Fome Zero e o Prouni, que ajuda a população de baixa renda a financiar um curso universitário. No entanto, seu governo enfrentou várias denúncias de corrupção, como o escandaloso caso do Mensalão.

Clive Rose/Getty Images Sport/Getty Images

O segundo mandato e o auge da popularidade

As ações para reduzir a miséria e o desemprego no país ajudaram Lula a obter a reeleição em 2006, vencendo o paulista Geraldo Alckmin (PSDB). Em seu segundo mandato, intensificou o trabalho já realizado. Obteve grandes resultados na redução da desigualdade social, com programas como o “Minha Casa, Minha Vida” e o “Luz para todos”. Em meio à gigantesca crise econômica mundial de 2008, agiu com firmeza e salvou o Brasil da turbulência. Em pouco tempo, o país se tornou uma das maiores potências financeiras do globo e viu seu prestígio político crescer. Encerrou seu mandato com uma popularidade recorde: pesquisa do Datafolha apontou que apenas 4% da população reprovava seu governo.

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Pós-Planalto: câncer e homenagens pelo mundo

A enorme popularidade obtida no Brasil por Lula reverberou pelo planeta. Várias publicações e instituições renderam elogios durante seus oito anos de governo. Ao deixar o Palácio do Planalto, as homenagens prosseguiram. Desde 2003, já recebeu mais de 300 condecorações mundo afora, incluindo dezenas de títulos “honoris causa”, inclusive na Europa. Desde abril de 2013, tornou-se colunista do maior jornal do Mundo, “The New York Times”. No entanto, nem tudo são flores: em outubro de 2011 o ex-presidente foi diagnosticado com câncer de laringe. Ele se submeteu a um tratamento de quimioterapia. Em março do ano seguinte, os médicos anunciaram que o tumor havia desaparecido.